Resenha: A Sexta Extinção, Uma Historia Não Natural, de Elizabeth Kolbert

quinta-feira, setembro 22, 2016

De acordo com a história geológica, o planeta Terra passou por cinco grandes extinções em massa, que seriam do Cambriano, Ordoviciano superior, Devoniano superior, Permiano, Triássico superior e Cretáceo (essa sendo comumente conhecida como a que extinguiu os dinossauros). A maior delas foi a do Permiano, há 251 milhões de anos atrás, que dizimou 96% dos gêneros marinhos e 50% dos gêneros terrestres. E hoje muitos cientistas temem que estejamos caminhando para a Sexta Extinção, dessa vez causada pelas atividades humanas.



O livro
Ganhador do Prêmio Pulitzer de 2015, o livro de Kolbert nos traz 13 capítulos onde cada um deles se usa de uma determinada espécie já extinta para narrar eventos de extinção e de como a ciência se estruturou para chegarmos ao hoje. Nos primeiros capítulos as espécies já desapareceram, estão perdidas na história geológica da Terra, mas nos capítulos finais já temos exemplos mais recentes.

A Sexta Extinção Capa

No que parece ser uma coincidência fantástica, mas que provavelmente não é coincidência alguma, a história desses eventos é recuperada bem na hora em que as pessoas começam a perceber que estão provocando mais um.

...

Se extinção é um assunto mórbido, a extinção em massa é um assunto muito mais.

Da fragmentada floresta Amazônica à morte dos corais na Grande Barreira de Corais, na Austrália, a autora nos conduz pelos traumáticos eventos pelos quais os ecossistemas estão passando. A autora visitou vários desses locais e conversou com especialistas preocupados com os animais e plantas que estão sumindo, às vezes sem nenhuma explicação aparente, como a rã-dourada-do-Panamá, que teve sua população diminuída tão drasticamente que hoje é difícil encontrá-la na natureza. O culpado demorou para ser descoberto: um fungo.

Com a possibilidade de estar em qualquer lugar do globo em 24 horas, acabamos transportando em nossas cargas, bagagens e sapatos todo o tipo de vírus, fungos e bactérias. Semelhante ao que aconteceu com a chegada dos europeus nas Américas, levamos para outros locais o que pode ser um agente mortal para outras espécies.

Por ação imprudente das atividades humanas, pássaros, corais e até a megafauna estão sendo extintos a um ritmo alarmante, o que estaria caracterizando uma nova extinção, a sexta delas. As outras extinções aconteceram por motivos variados e a raça humana teria pouco a fazer nesses casos. Mudanças na insolação, mudanças bioquímicas nos oceanos, vulcanismo intenso, tudo isso está além da nossa capacidade técnica. Mas proteger os habitats originais das espécies, parar com a caça e contrabando, isso sim está na nossa alçada e ainda assim não é feito.

Além de falar de espécies, a autora aborda conceitos e a história da ciência. Ela relata, por exemplo, o surgimento da moderna paleontologia e como o conceito de extinção surgiu a partir das observações em rochas e fósseis de animais já extintos. Foi um longo caminho até o estabelecimento do termo e de que não eram eventos relacionados ao dilúvio bíblico.

A extinção só surgiu como um conceito na França revolucionária - e não deve ter sido coincidência. Isso aconteceu em grande parte graças a um animal, a criatura hoje em dia chamada de mastodonte americano, ou Mammut americanum.


Ficção e realidade
Quando se fala de uma extinção que aconteceu há 251 milhões de anos, sei que isso é muito distante da nossa realidade. Mas se essas extinções não tivessem acontecido, é bem provável que a raça humana não estivesse aqui. Se a vida não tomasse os tortuosos caminhos que precisou tomar depois de todas as extinções, talvez uma raça inteligente, dotada de habilidade para criar ferramentas e tecnologia nunca tivessem surgido.

É horrível pensar que na extinção animais e plantas morrem? É sim, bastante horrível. Mas nós surgimos sobre as carcaças e restos destes animais. E o planeta se recuperou de todas elas. Sei que parece terrível dizer isso, mas não me preocupo com o planeta no momento em que estamos passando. Minha preocupação é com o futuro de uma espécie que se multiplicou demais e que está consumindo demais. O planeta vai passar por isso, se reorganizar e verá surgir novas eras geológicas e novas espécies. Nós não passamos de uma coceira neste imenso ecossistema planetário.

No entanto, se o planeta se recupera, o mesmo não posso dizer de nós. Se não nos prepararmos adequadamente para o futuro que se agiganta, se não conservarmos a biodiversidade e impedir a destruição de biomas e habitats, temo que pouco poderemos fazer para sobreviver e perpetuar nossa civilização.

Qualquer evento que tenha ocorrido apenas cinco vezes desde o surgimento do primeiro animal com espinha dorsal, há cerca de quinhentos milhões de anos, deve ser qualificado como excepcionalmente raro.

Pontos positivos
Escrito por mulher
História da ciência
Bem escrito e explicado
Pontos negativos

Acaba rápido

Título: A Sexta Extinção: Uma História Não Natural
Título Original: The Sixth Extinction: An Unnatural History
Autora: Elizabeth Kolbert
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: AmazonCompre A Sexta Extinção

Avaliação do MS?
Mesmo tendo uma linguagem técnica, o livro não é difícil. A autora soube usar de humor e informação científica com muita habilidade e você nem vê as páginas passando, pois é uma leitura que flui rápido e que cativa. Especialmente as partes em que ela resgata a história da ciência. Cinco aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris