Resenha: Louco - Fuga, de Rogério Coelho

sexta-feira, março 18, 2016

Quem segue o blog sabe que eu adoro Turma da Mônica, que cresci com ela (como quase todo mundo) e sou fã das graphic novels que dão uma nova roupagem aos personagens que já conhecemos. Fiz várias resenhas de outras edições - ainda não tenho todas - porque sou apaixonada pela forma como os diversos autores e ilustradores estão mostrando a turminha. O Louco é um dos meus prediletos e sua graphic novel ficou simplesmente maravilhosa.



A graphic novel
Como entrar na mente de um louco? É o que eu me perguntei quando peguei essa edição para ler. Sendo o personagem mais imprevisível da Turma da Mônica, ele impõe um desafio para qualquer um. Mas arrisco dizer que essa não é apenas a mais criativa das grapic novels da Turma da Mônica como também a melhor que saiu até agora.

Louco Fuga Capa

O Louco, ou Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira, se vê desde criança envolvido com um pássaro que é caçado pelos guardiões do silêncio. Enquanto luta para fugir de seus perseguidores, o Louco enfrenta vários desafios, ganhando uns, falhando em outros, sempre na tentativa de libertar o pássaro.

Nessas indas e vindas, vemos realidade e loucura, um mundo na cabeça do Louco invadindo a realidade, ou a realidade invadindo a cabeça do Louco. Vemos a turminha, Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão, enquanto o Louco pula de um quadro para outro. Temos mensagens nítidas dos vários momentos pelos quais os estúdios de Maurício de Souza passaram, como os primeiros momentos da criação dos personagens até as novas edições de graphic novels.

O pássaro é uma metáfora poderosa e que nos faz viajar pelas páginas lindamente coloridas e com quadros fantásticos, que saem do lugar comum: ele é a força criativa presa em cada um de nós, uma força que não vê barreiras, que nem pode ser presa, ela precisa voar e encontrar novas paragens. Os guardiões são as forças que nos seguram no momento da criação, são as adversidades da vida ou impostas por situações que não temos controle.


Rogério Coelho brincou com os quadros de maneira ímpar. Ele foge à construção usual dos quadrinhos e coloca o Louco entrando e saindo deles à seu bel prazer, afinal, quem pode prender o Louco? Temos quadros horizontais, verticais, arredondados, retos, irregulares, tem para todos os gostos. As cores são de tirar o fôlego, retratando diversos momentos da narrativa com intensidade e extrema delicadeza, junto ao traço do ilustrador. Estou pra ver coisa mais bonita do que essa edição do Louco.

Ficção e realidade
No começo, quando eu lia as revistinhas que comprava com o troco da padaria que minha mãe deixava em cima da geladeira, eu achava o Louco um porre. Porém, a interação dele com o Cenourinha Cebolinha e todas as situações insólitas em que ele o colocava começaram a me divertir. Comprava o Cebolinha só para ver se o Louco aparecia. Ele é tão nonsense, que você não sabe o que esperar no final. Isso é o mais legal dele.


Sei que fizeram várias críticas negativa sobre essa edição do Louco, mas o que podemos esperar dele além da incoerência de sua vida e sua trajetória? Ele entra e sai dos quadros, assim como entra e sai do enredo. Não podemos exigir rigidez alguma dele. Sua principal mensagem é deixar livre sua imaginação e criatividade.

Pontos positivos
Louco e suas loucuras
Arte fantástica
O enredo
Pontos negativos

Nenhum!

Título: Louco - Fuga
Autor: Rogério Coelho
N.º de páginas: 82
Editora: Panini
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Quem torce o nariz para Turma da Mônica devia pensar melhor e ler não apenas o Louco, mas todas as graphic novels que forma produzidas até agora. Ter a oportunidade de se aventurar com estes personagens em uma nova roupagem, em novos traços, poder voltar à infância e relembrar nossos momentos, é incrível. Indispensável, não pode faltar na estante de ninguém!

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris