Resenha: Maggie (2015)

sexta-feira, setembro 04, 2015

Maggie não é um filme de zumbis. Pelo menos não no sentido comum. Foi com muita desconfiança que sentei para ver este filme, mas não me arrependi. Esqueça The Walking Dead. A questão aqui não é uma luta pela sobrevivência a qualquer custo (e com gasolina e munição infinitas). Aqui é uma estória de pai e filha e seus últimos momentos juntos.





O filme
Wade Vogel (Arnold Schwarzenegger) prometeu que protegeria sua filha Maggie (Abigail Breslin). Ele então dá entrada no hospital em busca dela e é informado que ela foi infectada pelo vírus Necroambulist. Apesar de haver uma infecção, a sociedade está conseguindo se manter, em maior ou menor grau. Vemos alguma desordem, colheitas sendo destruídas, mas o mundo em si não caiu. Os hospitais funcionam, a polícia está preparada para lidar com os infectados que são autorizados a permanecer com suas famílias antes da transformação, onde são encaminhados para um centro de quarentena.


O vírus só é transmitido pela mordida. Maggie foi medicada, recebeu instruções sobre como cuidar da ferida e é levada para casa pelo pai. Ela terá alguns dias antes da transformação e portanto pode ficar com a família. Por precaução, a madrasta de Maggie, Caroline (Joely Richardson) manda os dois filhos pequenos para outro lugar para que possam cuidar da adolescente da melhor forma possível.

Maggie tenta lidar com isso como se nada de muito grave tivesse acontecido. Tenta ouvir música, ler, falar com os amigos, se balançar no quintal, mas a transformação está acontecendo. Caroline sabe e teme o que pode acontecer com eles se ela se transformar totalmente. Maggie se balança no quintal quando cai e quebra um dedo, que começa a verter um líquido preto, necrosado. Em pânico, ela corta o dedo com a faca que está na pia e sai correndo da casa. É então que ela se depara com os vizinhos, pai e filha pequena, completamente transformados, perambulando pela mata atrás da casa.

Seus olhos começam a ser atingidos pela infecção. Suas veias vão escurecendo. Volta e meia, Maggie fica irascível, fora de si, como quando ela mata uma raposa que foi pega numa armadilha (que cena!). Ou quando ela pede ajuda de Caroline para colocar colírio nos olhos afetados, já embranquecidos, e ela sente cheiro de comida com a proximidade da madrasta, sendo que nada estava no fogão.

Pai e filha

Maggie precisa ir ao médico conforme sua infecção prossegue e as pessoas olham torto para as marcas em sua pele. Vemos aqui uma ótima forma de criticar o preconceito da sociedade. O vírus também causa problemas respiratórios e o terrível ruído logo denuncia os doentes. Wade tenta fazer o dia a dia da filha o mais normal possível, mas a própria polícia teme que as pessoas tentem ficar com os parentes em casa e tentam levar Maggie a qualquer custo. Wade se coloca entre eles. Ela vai ficar em casa.

Nunca pensei que veria Schwarzenegger em uma atuação tão incrível. A relação dele com Abigail ficou ótima. Os dois estão em sintonia e atuam muito bem juntos, em especial nas horas de drama intenso. As cenas finais são simplesmente de arrepiar. Suei frio com ela descendo as escadas e partes de seu corpo já transformadas, enegrecidas, o ruído de seus pulmões. Uma cena simples, mas assustadora. Justamente por ser um drama, muita gente pode considerá-lo parado, mas temos que lembrar que o foco aqui não são os zumbis, é de um pai cuidando da filha doente. Ela poderia ter câncer que o drama seria praticamente o mesmo.


Ficção e realidade
O que é mais interessante desse filme é ver que a vida vai sendo levada junto do vírus Necroambulist. A civilização não caiu, as cidades continuam funcionando, assim como os sistemas de saúde. É uma doença fatal, sim é, mas que só é contagiosa em casos de contatos com mucosas, sangue e saliva. É horrível pensar num ente querido lentamente se transformando, mas ao mesmo tempo é positivo ver que as pessoas estão conseguindo levar suas vidas apesar de tanta coisa ruim. Serve também para criticar o medo e o preconceito com pessoas com doenças graves. Sabemos de todos os problemas que doentes terminais, doentes com HIV, com Hanseníase, até uma simples urticária, podem sofrer por conta disso.


Como filme de zumbi, Maggie não desaponta porque os mesmos padrões de outros enredos estão lá. A mordida, a infecção, a transformação, o medo da contaminação. Mas o que importa aqui é o amor do pai pela filha e a difícil decisão de abatê-la quando o momento chegar. Ele vai conseguir fazer isso? Sua vizinha ficou com o marido e a filha na casa com medo de levá-los para um centro de quarentea. Ele vai fazer isso com Maggie também? Você teria esse sangue frio com sua própria filha? Por que as pessoas ficam tão desumanas nessas situações?


Pontos positivos
Relação de pai e filha
Drama da infeçcão
Maggie
Pontos negativos

É parado


Título: Maggie: A Transformação
Título original: Maggie
Direção: Henry Hobson
Data de lançamento no Brasil: 9 de julho de 2015
Duração: 90m


Avaliação do MS?
Maggie é um competente filme sobre zumbis, sobretudo nos quesitos básicos de uma infecção. Porém ele é mais do que isso porque é um drama sobre um pai que está vendo a filha lentamente se transformar em uma criatura sem memória e com uma fome insaciável e quer que ela possa ter seus últimos dias com a família. É um filme para se pensar nas próprias relações entre as pessoas e em como tratá-las no seu final. Quatro aliens e uma recomendação para que você também veja.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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