Como funciona o Stargate?

quarta-feira, junho 03, 2015

Um dos aparelhos mais incríveis da ficção científica, sem dúvida, é o Stargate. Quando surgiu no filme homônimo de 1994, deslumbrou a audiência pela facilidade de viajar entre um ponto e outro do espaço, interligando lugares e pessoas. Sem contar sua ligação com a história do Antigo Egito e com nossas próprias origens, o que só ficou mais claro com as séries que vieram depois. Mas e aí, como o aparato funciona?





Dizem as más línguas na Montanha Cheyenne que o filme de Roland Emmerich e Dean Devlin, de 1994, roubou a ideia do Stargate de Omar Zuhdi, um professor americano de ascendência egípcia. Zuhdi alega ter enviado um roteiro para a Twentieth Century Fox chamado Egyptscape, que foi rejeitado em 1984, dez anos antes do lançamento do filme. Qual não teria sido sua surpresa ao ver o lançamento do filme sem nenhuma menção ao seu nome?

Ele então entrou com um processo contra Emmerich e Devlin na ordem de 140 milhões de dólares por danos morais e plágio. Não existem muitos dados a respeito, mas ao que parece Zuhdi recebeu 50 mil dólares devido à violação de direitos autorais, segundo dados da corte de Oklahoma, nos Estados Unidos, que reconheceu que as duas obras tinham muitas semelhanças.

Chevron 7 is locked! 

A ideia por trás do Stargate, seja de quem for, é genial. Como se fosse um telefone intergaláctico feito de material super condutor, você pode discar uma série de sete símbolos e "ligar" para outro planeta. Mas além de ligar, você pode atravessar pelo Stargate e voilá!, está em outro planeta. Tudo começa com um wormhole.


A Ponte de Einstein–Rosen
Também chamada de buraco de minhoca ou wormhole, a ponte é, em linhas gerais, um atalho hipotético no espaço-tempo. O universo é constituído de três dimensões (altura, largura, profundidade) mais o tempo. O wormhole pode criar uma ponte entre dois pontos distintos do espaço e do tempo e transportar, imediatamente, qualquer coisa que cruze a ponte. Forma-se um tipo de caminho, uma garganta se preferir, que possibilita a viagem, rematerializando o objeto, ou a pessoa, do outro lado, totalmente intacta. Não sabemos se eles existem de verdade, mas a ideia costuma ser considerada válida pela relatividade geral. E totalmente válida pela ficção científica.

Ponte Einstein-Rosen.

John Archibald Wheeler criou o termo buraco de minhoca em 1957, mas esta não é uma ideia nova. Em 1921 o matemático alemão Hermann Weyl já tinha sugerido um wormhole ao estudar massa e campos eletromagnéticos. Wheeler se valeu do verme que caminha pela casca de uma maçã para dar nome à sua teoria. O verme poderia abrir caminho pelo miolo da fruta para poder chegar do outro lado, sem ter que percorrer a casca inteira. O mesmo vale para o espaço. Ao invés de percorrer as incomensuráveis distâncias daqui até a estrela mais próxima, você poderia simplesmente ter dois pontos conectáveis através do espaço-tempo. Stargate SG-1 homenageou a explicação de Wheeler quando a major Carter tenta explicar o funcionamento para o coronel O'Neil em um dos episódios usando uma maçã.

Existem 2 tipos principais de wormholes: os lorentzianos e os euclidianos. Os lorentzianos são estudados primordialmente na relatividade geral e gravitação semiclássica, enquanto os buracos de verme euclidianos são estudados na física de partículas. O Stargate seria um wormhole lorentziano, chamado também de atalho de espaço-tempo, por ser transponível, ou seja, pode transportar coisas e pessoas.

O Stargate é composto de um mineral raro superdenso e supercondutor não existente na Terra, chamado naquadah. É muito usado como arma já que ele amplifica energia, sendo também um importante componente em bombas. É também ultra resistente. Ele aguenta até impactos de meteoritos. A variedade isotópica do naquadah é o naquadriah, mas é radioativo e instável.

Sua capacidade energética faz dele um poderoso componente em naves construídas pelos humanos e até no gerador de naquadah, um tipo de reator portátil. É sua capacidade supercondutora que o transforma em um excelente aparato que mantém estável um wormhole. Um stargate de titânio, por exemplo, não duraria muitos minutos. Ele é composto por um disco com glifos que gira sobre uma base fixa. Os chevrons marcam o glifo do endereço conforme o processo de discagem prossegue e é finalizado com o ponto de origem.


DHD - Dialing Home Device
Os wormholes podem conectar pontos distantes do universo, seja no mesmo tempo presente ou não. Vimos nas séries que acidentes bizarros podem acontecer quando se conectam portais. Uma ejeção de massa coronal, por exemplo, pode interferir na formação da garganta e fazer com que ela pule de tempo. Em Stargate SG-1 a equipe foi parar em 1969 e em Stargate Atlantis o coronel Shepard foi jogado 48 mil anos no futuro por conta de eventos como esse. E coisas assim não deveriam acontecer já que todo portal possui o DHD. É ele quem fornece a energia para o portal funcionar, apesar de ser possível fazer o disco girar sem energia.

DHD. Arte de Despair of the Fault.

O DHD (dispositivo de discagem) é como o disco dos antigos telefones. Para conectar o seu stargate com o stargate de Chulak, por exemplo, que está a quase 2 mil anos-luz de distância, é preciso ter uma combinação específica: seis símbolos mais o ponto de origem, que no caso é a Terra. Os pontos de origem se baseiam nas constelações (os glifos do disco). Eles estão presentes tanto no aparato quanto no DHD. A sequência só se completa com o ponto de origem no final e o portal se forma. Por que seis símbolos mais o ponto de origem? Qualquer plano tridimensional precisa de seis coordenadas para ser localizado. O ponto de origem é necessário para estabelecer a origem do viajante, como podemos ver aqui. É como marcar um encontro com um amigo. Você precisa de coordenadas de lugar e tempo para o encontro acontecer.

O DHD assegura que acidentes bizarros não aconteçam. Ele tem medidas de proteção que impedem a discagem caso a estrela tenha uma ejeção de massa coronal, por exemplo. Mas o portal descoberto na Terra, mais especificamente no Egito, estava desconectado do seu DHD e os humanos precisaram improvisar. Todo tipo de coisas poderia acontecer - e aconteceu - na Montanha Cheyenne por conta disso. De acidentes temporais até Teal'c ficar preso no buffer do stargate quando a viagem dele pela garganta não terminou. Foi preciso trazer um DHD emprestado dos russos (que tomaram dos nazistas) para terminar a discagem com os protocolos originais de segurança para rematerializá-lo.

O portal pode se manter aberto por até 38 minutos. É o tempo máximo que em que ele pode manter a garganta estável. E ele não corta a energia se alguma coisa ainda estiver viajando pelo portal durante este tempo. Mas é possível contornar essa medida se fornecermos energia continuamente. Desta forma ele se transforma numa arma. É possível atravessar qualquer coisa pelo portal, até mesmo sinais de rádio, microondas e armas. Uma dessas armas quase destruiu a cidade de Atlantis, já que vinha recebendo energia continuamente.

1, chevrons, 2, o disco, 3, os glifos, 4 o horizonte de eventos. Arte de Stefan-Xp, Wikipedia.

Se você abre um portal daqui para Chulak, nada de Chulak pode embarcar para a Terra; o contrário também vale. O ponto de origem determina a ordem de envio pela garganta. Apenas sinais de rádio podem atravessar de um lado do outro, mas nada material. Cada portal contém 38 símbolos-padrão e um PoP (ponto de origem). Os 38 símbolos são usados de maneira a direcionar o portal, com o último dando o comando para completar a sequência. Isso significa que cada planeta com um Stargate possui um 39º símbolo, que é único. Pense no teclado do seu celular. O número do telefone que você disca são os seis primeiros símbolos do Stargate, o botão verde que aciona a chamada é o último símbolo.

Apesar de ser possível ter dois portais num planeta, como aconteceu na Terra, sendo um deles de reserva, não é possível acioná-los para que possamos ir daqui para a Antártica, por exemplo. O portal não funciona para pontos muito próximos no espaço-tempo. É como se você tentasse introduzir as mesmas coordenadas num GPS, a de partida e a de chegada. Os símbolos são os mesmos. É o que acontece quando você tenta ligar para seu próprio número. A ligação não completa.


As três séries nos apresentam três designs de portais. O mais antigo é o de SGU (Stargate Universe), que nos mostra também como que eles instalavam os portais em planetas tão distantes entre si: eles despachavam uma nave que fabricava os stargates, minerando naquadah pelo caminho. Ao identificar um planeta com condições de abrigar vida humana, ele fabricava o portal, o DHD, calculava o ponto de origem e instalava na superfície. O segundo design é o de SG1 (Stargate SG-1), momento máximo de expansão dos Antigos, variedade humana que criou os sistema de portais e o mais novo sendo o SGA (Stargate Atlantis), que é quando os Antigos são obrigados a se exilar na Galáxia Pégaso após uma praga. Alguns dos stargates de Pégaso ainda apresentam uma grande vantagem: eles não estão na superfície do planeta, estão em órbita. Era uma medida adicional de segurança contra invasões.

Os 8º e 9º PoP
As séries nos apresentaram também dois símbolos adicionais no disco. Além dos sete, se for possível adicionar outros pontos de origem é possível abrir wormholes para outros lugares. O 8º PoP abre wormholes em Stargates de outras galáxias. O 9º, apresentado em SGU não foi totalmente desvendado pela série, que acabou na segunda temporada, mas ele era usado para abrir portais para determinados Stargates com funções secretas ou muito específicas.

KAWOOSH! 

No entanto, discar com estes símbolos requer quantidades absurdas de energia, tanto que a abertura do portal com o 9º símbolo acabou sobrecarregando o núcleo do planeta Ícaro e ele explodiu e a tripulação ficou perdida na nave Destiny.

Em uma próxima postagem sobre aparatos da ficção científica, o motor de dobra da Enterprise.

Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris