Resenha: Caixa de Pássaros, de Josh Malerman

Você já imaginou como seria viver trancado dentro de casa, com portas e janelas cobertas, sem tomar sol, sem poder olhar para fora, com um medo permanente? Que tipo de vida seria essa? Muitos sucumbiriam apenas por ter que viver desse jeito, com medo do desconhecido. Pois este é o cenário aterrorizante de Caixa de Pássaros.



O livro

Não olhe, aconteça o que acontecer, não abra seus olhos...

Malorie

Coisas estranhas estão acontecendo no mundo, mas Malorie tem um problema sério: está grávida. Ela e sua irmã acompanham os noticiários enquanto observam a cidade em busca de um teste de gravidez. Pessoas se matando, pessoas matando parentes, pessoas se mutilando. Os primeiros relatos foram esparsos, aqui e ali, algum tipo de loucura momentânea, mas quando os casos começam a se aproximar de casa, Malorie passa a dar ouvidos à sua irmã, preocupada com o que está acontecendo.

Resenha: Caixa de Pássaros, de Josh Malerman

Logo, todo mundo está cobrindo portas e janelas com cobertores e evitando sair de casa. Malorie acha um pouco exagerado, mas depois que as transmissões de rádio e TV param e todo o barulho do lado de fora também, ela percebe que, realmente, tem algo estranho acontecendo no mundo. Dizem que quando se olha para o que quer que seja que ronda lá fora, as pessoas enlouquecem, se mutilam, matam, se matam e o efeito é desencadeado ao redor do mundo.

Não se pode abrir os olhos. Não se pode olhar para fora. Não se deve deixar brechas e frestas. Nada. Mas um dia, Malorie escuta um barulho estranho do andar de cima. Ao subir, encontra sua irmã morta com uma tesoura no peito. Havia uma fresta na cobertura da janela. Sozinha e desesperada, ela lembra de ter lido num jornal sobre um lugar seguro perto dali. Com medo, temendo pelo bebê, ela dirige até esse lugar, com os olhos semicerrados, e implora para entrar.

Lá dentro, mais sobreviventes. Todos chegaram à casa pelo mesmo anúncio, mas o dono da casa morrera havia pouco tempo. Ele teve a ideia de deixar uma filmadora na janela para tentar capturar alguma imagem daqueles seres que tanto os aterrorizavam. Mas ele morreu, amarrado numa cadeira, aos berros, quando as cordas o rasgaram enquanto se debatia. Nos fundos da casa há um poço e um acesso ao rio. Eles sobrevivem pegando água desse poço e cavaram uma fossa para se livrar dos dejetos. Mas tudo deve ser feito com os olhos vendados. A falta de exposição ao sol os debilita, bem como a comida enlatada estocada no porão. Além de Malorie, mais uma moradora está grávida.

Vemos o que acontece com Malorie por dois ângulos: um, quando ela está sozinha, com duas crianças, na casa; o outro quando ela começa a ver o noticiário com a irmã. Isso mantém o livro num ritmo muito rápido, pois queremos entender o que está havendo e porque, de repente, ela está só com duas crianças. E ela pretende partir também. Para onde? Como sobreviver em um mundo onde não podemos ver nada e onde não podemos confiar em nossos olhos? Foi uma excelente maneira de trabalhar com deficiência visual também. O que era considerado uma "deficiência", teve que se tornar a normalidade.

O livro é tenso desde o momento em que as coisas estranhas começam a acontecer. Fiquei um pouco desapontada de não saber como são, nem o que são, as feras alucinantes, mas devemos pensar que para cada pessoa deve ser diferente. Cada pessoa é única e a forma como ela "enlouquece" também deve ser. O que sabemos é que algo desperta nas pessoas que olham para estas feras, estes seres e a única maneira de se manter viva é de olhos fechados o tempo todo.

Isso também tem um custo no psicológico das pessoas. Especialmente para quem sempre enxergou, de repente se ver contando com sentidos que antes não tinham tanta relevância não deve ser tarefa fácil, sem considerar o fato de que existem pessoas lá fora que podem ver as feras. E aí? Como lidar com dois inimigos ao invés de um só?


Ficção e realidade
Tive altos sustos com este livro, pois ele é muito tenso. Chega um determinado momento em que Malorie está completamente paranoica, sem confiar em ninguém e sem coragem de abrir os olhos, mesmo quando é seguro fazê-lo. Fico pensando em como seria sobreviver dessa forma. Temendo qualquer ruído, sem ver que tipo de fera abominável é essa que destruiu o mundo. Uma fera que nos enlouquece na primeira olhada.

Josh Malerman
Josh Malerman

Tememos o que a raça humana sempre temeu, desde a aurora dos tempos: o desconhecido. Tememos a escuridão porque não podemos ver os perigos. Então, é preciso se adaptar. Mas mesmo adaptados ou minimamente acostumados com isso, ainda não podemos abrir os olhos.


Pontos positivos
Escuro
Medo
Feras alucinantes
Pontos negativos
Não sabemos o que são as feras


Título: Caixa de Pássaros
Título original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Tradutora: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Interessado em passar um medo danado, sem poder enxergar qual é a ameaça? Pois este é o seu livro. E se este é o livro de estreia de Josh Malerman, nem posso imaginar outras obras aterrorizantes que ele escreverá. Os personagens não são caricatos, nem rasos e as situações pelas quais passam como, simplesmente, tirar água do poço, se tornam apavorantes. Cinco aliens para Caixa de Pássaros e uma forte recomendação para você também ler.


Até mais!

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1 Comentário

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