A autopublicação

quinta-feira, outubro 24, 2013

Todo mundo tem acompanhado, de perto ou de longe, o fenômeno dos ebooks. Podemos ler pelo computador, pelo celular, ou adquirindo um e-reader. Mas nunca se teve tanta disponibilidade deles pela internet, ainda mais agora, onde autores são impulsionados pelas ferramentas da autopublicação. No entanto, não dá para desconsiderar que autopublicar é para poucos e nada está isento de erros.





O que é?
A autopublicação é aquela em que o autor não tem uma editora, um contrato e que acaba bancando por conta as suas obras. Antes do advento do ebook isso era bem mais complicado. Temos o caso de André Vianco, que usou a grana da sua rescisão para imprimir uma certa quantidade de seu livro Os Sete e saiu distribuindo pelas livrarias. Sai caro, não é todo mundo que acredita, tampouco hoje existiriam livrarias que aceitariam uma obra de um desconhecido tão facilmente. Para ele, deu certo.


Mas os ebooks facilitaram muito isso. As primeiras autopublicações surgiram tão logo os editores de texto e o arquivo PDF surgiram. E ainda, boa parte do que é produzida de maneira independente, é distribuída neste formato. Mas hoje já contamos com os versáteis formatos epub e mobi, que não são fechados e podem se ajustar às telas de variados tamanhos. E com o mercado aquecido, surgiram também os sites e softwares capazes de converter qualquer arquivo. Ou seja, qualquer um, em casa, pode escrever seu livro e distribui-lo pela internet.


Os meios
Duas grandes plataformas hoje, no Brasil, oferecem ferramentas para a autopublicação: Amazon e a Saraiva. Além disso, existem sites, como o Clube de Autores, que distribuem livros em formato ebook para várias lojas e também faz impressão sob demanda. Como se não bastasse isso, temos também o Google Play distribuindo livros por aí. Ou seja, temos uma fartura muito grande para autopublicação, com várias boas ferramentas, sem contar o pessoal que monta e distribui, por conta, por meio de sites e blogs, seus próprios livros.

Tudo isso é muito legal. Sabemos como as editoras são lugares fechados para os reles mortais e aqueles que fazem algo e querem compartilhar com a galera podem fazer hoje sem toda a burocracia que a publicação em papel e feita nos conformes leva. Porém, é preciso olhar para esse fenômeno com cautela. É muito comum encontrarmos livros mal feitos. Um livro ruim, não necessariamente, será um ebook. Vemos muitas obras de qualidade duvidosa fazendo sucesso por aí no formato tradicional. Mas um autor que se autopublica tem que ter um cuidado muito maior com o que faz, afinal ele é seu agente, autor, editor e diagramador. É muito fácil deixar passar coisas que numa revisão profissional de uma editora dificilmente passaria.

Já deixei de contar quantos livros digitais eu baixei, joguei no Kindle para ler e me decepcionei por conta do parco domínio da norma culta do autor. Nem acabei de ler. Mesmo que a ideia dele pareça legal, um livro mal escrito, com erros gramaticais graves acabam prejudicando o bom andamento da leitura. Erro de digitação é uma coisa normal, cometo isso com o blog direto. Encontro isso em vários livros. Mas a falta do domínio da norma culta ao escrever é uma falha grave de um autor, pois ele não será compreendido dessa forma e será visto claramente como um amador.

Além disso, para ser um escritor, é preciso um exercício diário. Ainda assim, mesmo escrevendo todos os dias, mesmo se dedicando com afinco, nem todo mundo consegue juntar as palavras para formar um enredo. A pressa para publicar faz com que muitos autores soquem seus livros na Amazon, por exemplo, sem revisão ou acham que só porque está em um grande portal de livros, ele se sairá bem sucedido. Calma lá, gente, não é bem por aí. Nem todo livro merece ver a luz do dia, pois eles nos ajudam a definir um gênero, um estilo, nos fazem errar e acompanhar nossa evolução. E por que não merecem respirar e serem lidos? Porque não são bons. A gente sabe. E muitas vezes, um autor fica desiludido com uma crítica ruim e para de escrever.


Escrever é como falar a verdade: você só aprende com o exercício. E isso não é fácil, sentar e começar a digitar, encadeando fatos, ideias, pessoas. Não é uma tarefa fácil ser compreendido e na escrita isso é muito mais difícil. Também não é fácil escrever algo e depois não ser lido ou ser lido e ser detonado e não ter seu trabalho reconhecido.

Acho que o que posso dizer a quem quer se autopublicar é que não tenha pressa. Se está se aventurando a ser escritor e começou HÁ pouco tempo, não tenha pressa para ser lido pelo grande público. Faça isso para o seu círculo imediato, revise muito tudo o que escrever. Se tiver como investir, pague por uma revisão profissional e tenha sempre na cabeça que este é um trabalho que nunca acaba. Existe muita gente escrevendo e publicando, seja realista ao colocar seu livro no ar.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris