Resenha: Os Últimos Dias de Krypton, de Kevin J. Anderson

quinta-feira, setembro 12, 2013

O autor Kevin J. Anderson já é bem conhecido do público de ficção científica lá fora, mas no Brasil quase não temos publicações deste que escreveu para as franquias de Arquivo X, Star Wars e Duna. Está obra veio na esteira do lançamento do filme nos cinemas Homem de Aço e conta o que houve com o planeta do Superman antes de sua devastadora destruição.




O livro
Cerca de 1 ano e meio antes da destruição fatal de Krypton, vemos um pouco da vida dos personagens que levaram ao isolamento de Kal-El na Terra. Seu pai Jor-El é um proeminente cientista do planeta, mas vive frustrado por não conseguir fazer com que seus geniais inventos sejam utilizados para o bem da sociedade kryptoniana. Tudo o que ele cria precisa ser levado ao Conselho e analisado pela Comissão para Aceitação de Tecnologia, chefiado pelo comissário Zod. Se ficar provado que a tecnologia pode ter um uso para guerra ou hostilidades, ela é destruída. Ou é assim que Zod quer que os outros pensem.


Conhecemos melhor a mãe de Kal-El, a artista Lara e o romance dela com Jor-El, solitário, que tem apenas o irmão, governador de Argo City e com a mãe, que cuida do marido acometido pela Doença do Esquecimento que o impede de reconhecer os filhos e de acompanhar o presente. Conhecemos também o comissário Zod, ambicioso, que apenas espera a oportunidade de tomar o poder e usa as situações adversas do planeta para benefício próprio.

Como o passado cruelmente ensinou, Krypton não mais deveria se aventurar no espaço. Sua lua semidestruída no céu noturno era uma constante lembrança de o que a ganância, as armas e o poder podem causar para a civilização. Porém, isso cegou o Conselho de krypton para uma série de ameaças que Jor-El e seu irmão tentavam avisar. O planeta corria perigo. Tantos eu núcleo se tornava instável como o sol, Rao, estava com uma atividade atípica.

Temos até mesmo a visita de Braniac no livro, que causa uma ferida tão profunda em Krypton que a população devastada se volta para o único líder natural que se levantou em meio àquela desgraceira toda: o comissário Zod. Vendo-se como o líder nato do planeta, ele convoca Jor-El como seu cientista chefe para criar inventos que protejam Krypton e proeminentes (e polêmicos) membros de casas nobres, anteriormente renegados, mas agora convocados para atender aos interesses da população, desde que isso atenda também aos seus.

O livro tem seus problemas. Não é um livro para adultos, pude sentir isso logo de cara. Você não tem cenas extremas de violência, ou sexo, nem mesmo palavrões. É uma obra de narrativa muito suave, juvenil, mas que peca pela perda de ritmo em várias partes, em especial pela duração pequena dos capítulos. Você transita em tantos núcleos diferentes ao mesmo tempo que não consegue muitas vezes assimilar o que foi lido a tempo da próxima parte. Assim como também existem partes onde um personagem aparece e só volta ao enredo 15 capítulos à frente.

Ficção e realidade
O principal ponto do livro é sobre o uso da tecnologia para o mal, para a guerra e contra a população. Krypton pegou essa regra e extrapolou ao máximo, chegando ao ponto de não se prevenir contra invasões vindas de fora, como de fato acontece duas vezes. Fica claro que existe uma linha bastante fina entre defesa e paranoia, entre negligência e proteção e Krypton infelizmente perde para a própria ingenuidade, que acabou gerando cidadãos insatisfeitos com o sistema, como Zod.


Vemos cotidianamente como que a tecnologia mal usada prejudica a vida das pessoas. Vemos ameaças de guerra, dotadas da melhor tecnologia possível, tecnologia esta que pode matar ou salvar, dependendo da situação. O que se deve ter em mente é que tecnologia é sim uma ótima ferramenta, mas como qualquer outra deve ser usada com responsabilidade. Um machado é uma ferramenta, mas na mão de um psicopata...

Pontos positivos
Narrativa leve
Explicações científicas compreensíveis
Como era Krypton antes da destruição
Pontos negativos
Falta ritmo em várias partes
Capítulos curtos demais
Narrativa leve até demais

Título: Os Últimos Dias de Krypton
Título original: The Last Days of Krypton
Autor: Kevin J. Anderson
N.º de páginas: 462
Ano: 2013
Editora: Casa da Palavra - Selo Fantasy
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Avaliação do MS?
Um fã de Superman que não liga para o que houve antes do nascimento de Kal-El pode não se interessar pela obra. Mas quem quer conhecer o mundo de onde ele veio e as pessoas que o levaram ao fim, Os Últimos Dias de Krypton será uma ótima adição à biblioteca. Quem gosta de mais ação e cenas um pouco mais agitadas pode não curtir a obra, mas vale à pena por vermos o que levou o mítico planeta ao seu fatídico fim. Quatro aliens para ele.


Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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