5 dicas para escrever ficção científica

quarta-feira, junho 05, 2013

Longe de mim querer mandar no que os outros escrevem. Acredito que a beleza da arte da escrita seja a criatividade, a mão livre do autor, sua capacidade de criar mundos, enredos e personagens que nos cativem e que nos torne seus leitores. Mas sei bem que escrever não é um ato simples. Ele é como dizer a verdade, você só aprende com muito exercício e ele precisa ser diário para qualquer um que queira ser escritor, seja na área que for. Seja para redigir um TCC ou escrever um livro, isso é questão de exercício.

5 dicas para escrever ficção científica



Mas por que cinco dicas para escrever ficção científica? E os outros gêneros e sub-gêneros da literatura? Acho que já existem bons blogs literários e de ajuda a escritores para cumprir essa tarefa, achei que seria interessante falar apenas de FC. Este é um gênero complicado de entender, de limitar e de ler para muitas pessoas, imagine para quem escreve?

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5. Escreva o que você gostaria de ler
Meio básico, não é mesmo? Mas pense no que você já leu sobre ficção científica e pense no que mais o atraiu, no que mais gostou, no que mais achou interessante e pense em como replicar essa sensação gostosa de se deparar com algo agradável. Desta maneira você terá uma noção do que escrever e poderá pensar em qual será a reação de um leitor. Difícil agradar a gregos e troianos, claro, mas ao menos você não estará perdido. Agora, se não leu nada de ficção científica, é melhor parar por aqui. É o mesmo que querer escrever sobre assassinatos em série, sem querer ver sangue, sem conhecer o impulso assassino e sem ler nada sobre homicidas.

4. Cuidado com os diálogos
Tem escritor que fica tão empolgado com os ambientes, as naves espaciais, os alienígenas que criou, o funcionamento dos reatores de fusão, a aceleração à velocidade da luz, que a trama e os diálogos ficam fracos, forçados, insossos, até ridículos, às vezes. O personagem não é só um acessório apenas porque o seu enredo é uma ficção científica. Ele tem que se mostrar intenso como as pessoas são e isso tem que transparecer na leitura. Tem autores que não usam uma exclamação sequer em todo o diálogo! Viu como isso muda a forma de ler no mesmo instante?

3. Escreva dentro de um sub-gênero e não em um cenário
Parece complicado, mas não é. A ficção científica tem muitos sub-gêneros que a qualificam. Desde o cyberpunk às space operas, cada um deles têm uma ou mais peculiaridades. Saiba quais elas são na hora de escrever. O que você quer dizer? Você tem um anti-herói, um pária, que vive em um mundo tecnologicamente avançado, mas com grande exclusão social e ele acaba salvando o mundo? Bem, estas são características de cyberpunk. Não se demore em explicar a trama se não souber onde e porque você está escrevendo algo. Se a descrição for uma cidade barulhenta, suja, com um vai e vem intenso de pessoas, você está falando de qualquer grande metrópole. Se atenha às característica do sub-gênero, não aos cenários dele.

2. Ciência real ou ciência fictícia?
Ficção científica precisa de ciência. Ponto. Se você vai dar uma longa explicação sobre o surgimento e o funcionamento das anãs marrons, seja preciso e tenha a ciência dela na ponta dos dedos. Mas se vai falar de um invento ou tecnologia que não existe, talvez uma viajada na maionese ajude a deixar tudo mais plausível. Nem sempre é preciso explicar com detalhes toda a ciência envolvida no enredo. Não é nem necessário, pois para muitas coisas a gente já tem na cabeça e na memória mais ou menos como funcionam. Se você explicar o lançamento de um foguete, os leitores já saberão mais ou menos como funciona. Então talvez não seja um detalhe tão importante de escrever. Existem muitos outros detalhes para se explicar do que se ater à uma profunda explicação sobre dinâmica de fluídos, lei da gravidade, etc., etc., etc..

1. Conheça o seu mundo
Seu mundo é o que? É steampunk? Então se aprofunde no vapor, literalmente, e em todas as implicações que esta tecnologia trouxe ao mundo. A relação de seus personagens se dá com o ambiente à sua volta e, no caso da ficção científica, com a tecnologia deste mesmo mundo no tempo e no espaço. Não interessa se é A Máquina do Tempo, de HG Wells, ou se é Matrix. A relação de seus personagens tem que ser compatível com o mundo que os rodeia. A fase social e cultural pela qual seus personagens passam é o mais importante, pois isso determinará como eles se comportarão com a tecnologia que lhes é oferecida. Pense nos efeitos de uma tecnologia na vida humana, ou no impacto de uma descoberta científica. Desloque isso ao longo do tempo e pense nas implicações sobre as pessoas. Isso pode dar algumas pistas sobre como alguém reagiria com uma tecnologia apresentada.


Estão são só algumas dicas norteadores. Como disse no começo, não quero segurar a mão de ninguém. Se você tiver também alguma dica importante, se está acostumado a escrever ficção científica, deixe nos comentários o que você faz na hora de escrever seus enredos. Se já tentou e não conseguiu, conte o que deu errado.

Bem, tudo pronto? Mãos à obra!


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris