Turismo e a exploração do espaço

segunda-feira, janeiro 21, 2013

turismo
Há uns meses atrás, o astrofísico Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, no Museu de História Natural, em Nova York, cientista premiado, entusiasta da ciência como motor de desenvolvimento econômico e social e um dos grandes críticos do corte de verbas da NASA, afirmou que o que vai impulsionar a exploração do espaço no futuro é o turismo.





Sabemos o quanto é caro enviar um ser humano ao espaço, sem contar todos os perigos envolvidos na empreitada. O ser humano é curioso (e teimoso) e vai continuar tentando, mas até lá sua experiência espacial será feita por robôs e sondas, bem mais barato e seguro para nós. E isso vai continuar no futuro, a menos que os povos e países percebam a importância do avanço da ciência espacial e da exploração.

Neil sugeriu que o estabelecimento do ser humano no espaço, em colônias na Lua ou em Marte, por exemplo, se dará pelo turismo, pela curiosidade que move o ser humano em conhecer e consumir locais exóticos, e não pela busca científica ou pelo avanço da ciência em si, tida por muitos como uma coisa chata e de pouco valor.

A Geografia do Turismo estuda muito a questão de como alguns lugares se tornam turísticos e outros não. O que pode tornar um local atrativo para levar pessoas para lá, dispostas a pagar para visitá-lo? Bonito, no Mato Grosso do Sul, por exemplo, tida como a capital do ecoturismo brasileiro, tornou-se um local visitado e conhecido como turístico com a fama da Gruta do Lago Azul. Toda uma estrutura turística se formou ao redor dela para receber o turista, com pousadas, lojas, restaurantes, marca própria e atividades para adultos e crianças.

Outros locais, como o campo de concentração de Auschwitz, permanecem de pé e é visitado por turistas do mundo inteiro, mesmo sendo uma angustiante lembrança do horror perpetrado por ali na Segunda Guerra. Turismo acaba sendo uma experiência própria e única ao turista que estabelece uma ligação com aquele determinado espaço que pode ou não ter sido produzido para a sua visita. Mesmo que não tenha sido produzido, acaba desenvolvendo uma estrutura para ele conforme a visitação aumenta.

Um lugar turístico nem sempre é um lugar com belezas naturais ou com ruínas de uma antiga civilização. Ele pode ser construído e voltado para receber visitantes em um local que a princípio não ofereça atrativos ou confortos ao turista. Las Vegas é o melhor exemplo disso. Turismo trabalha basicamente com necessidades. E se ela não existe, ela pode ser gerada. O mesmo pode acontecer com o espaço, um lugar tão hostil?

O total de rendimentos gerados pelo turismo mundial em 2006 foi na ordem de US$ 735 bilhões. Quase o mesmo custo dos Estados Unidos com a Guerra do Iraque de US$ 802 bilhões. A missão do Curiosity em Marte custou US$ 2,5 bilhões. O turismo desponta, certamente, como uma das atividades mais lucrativas do planeta e é um valor alto demais para ser desconsiderado numa futura permanência do ser humano no espaço. Por sua vez, o modo de se alcançar o espaço e permanecer nele com segurança não será barato inicialmente e uma parcela pequena e abastada com certeza será a primeira a visitar Marte, por exemplo, com o propósito do entretenimento.


Até mais!

Quando a aprendizagem deixa de ser divertida, ela torna-se dolorosa, e a gente para de aprender.

Neil deGrasse Tyson



Dados:
Brasil Turismo

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris