O Triângulo das Bermudas

terça-feira, março 08, 2011

O assunto foi sugerido pela Thai, caríssima companheira aqui do Saga e blogueira do Clave de Lua, excelente blog por sinal. Antes da proposta de post eu nunca tinha pensado muito sobre o Triângulo. Lembrei imediatamente de um episódio do Arquivo X, onde o agente Mulder desaparece no local e volta ao passado, num navio em plena Segunda Guerra Mundial.

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Realmente, as lendas sobre o lugar são várias e há mesmo relatos de desaparecimentos de pessoas, aeronaves e navios, até de barcos pequenos sem explicação (até onde se sabe). É também conhecido como Triângulo do Diabo e seu tamanho pode variar, sendo que a maioria concorda que seja de aproximadamente entre 1,5 a 3 milhões de km2, entre Porto Rico, Fort Lauderdale (extremo sul da Flórida), as Bermudas e as Bahamas.

O Triângulo das Bermudas
Por que então o Triângulo é famoso? Nem nos mapas oficiais ele existe. Mas não muda o fato de que realmente coisas estranhas ocorreram ali. Nos últimos 100, 120 anos, vários desaparecimentos aconteceram na área. Seria a região que mais concentrou acidentes do tipo no mundo. O primeiro caso famoso aconteceu em 1945, auge da Segunda Guerra, quando cinco aviões Avengers da Marinha dos Estados Unidos desapareceram na área. Apesar de as autoridades alegarem que foi erro humano, a família do líder do esquadrão afirmou que ele nunca teria cometido um erro grotesco como aquele. A causa teria sido outra.

Mas o que antes eram fatos sem explicação viraram mito quando E.V.W. Jones, jornalista da Associeted Press, compilou uma lista de estranhos desaparecimentos na região. A partir daí, revistas e autores lançavam artigos e livros, buscando explicações diferentes.

O que seria o correto? É bem possível que uma série de coincidências infelizes tenha dado fama ao lugar. Variações na bússola por causa de distorções no campo magnético terrestre poderiam fazer aviões e navios se perderem, chocar-se com recifes de coral, que até hoje afundam navios, e fazê-los desaparecer.

Além disso, O Triângulo das Bermudas é cortado pela chamada Corrente do Golfo. As correntes marítimas são como rios dentro dos oceanos, com salinidade e densidade diferentes da água em volta e são responsáveis pelo transporte de calor pelo planeta dos trópicos para os polos. Se não fossem correntes como essa, o planeta seria extremamente quente na região do Equador e congelado nas outras regiões. Essa mesma corrente é responsável por aquecer o hemisfério norte e a Europa, que deveriam congelar pela proximidade com o Ártico. É essa corrente que no filme O Dia Depois de Amanhã causa o congelamento do planeta quando seu mecanismo para com a entrada de água doce e fria no sistema (que na vida real não levaria dias, e sim centenas, milhares de anos).

Efeito da irregularidade da superfície do mar na 
Corrente do Golfo, 
captado pelo satélite Terra, da NASA, 
em 8 de abril de 2004 - 
MODIS/NASA GSFC
Além do transporte do calor, a Corrente do Golfo é o gatilho que forma furacões no Golfo do México. A corrente se forma na costa ocidental da África e se dirige para o golfo, esquentando o ar acima dela e causando a formação de pesadas nuvens de tempestade, com ondas acima de dez metros. Estas fortes tempestades, combinadas com os ventos dos furacões seriam a causa mais plausível para o desaparecimento de navios e aviões na área e seu arraste para o fundo do oceano, o que não deixaria indícios de sua presença.

Para piorar a situação, segundo dados das Guarda Costeira Norte-Americana, a maioria dos desaparecimentos da área aconteceu com amadores, pequenos aviões e barcos de pesca. Isso aumenta o risco de acidentes. Trombas d’água também são muito comuns no triângulo. Uma tromba é um tornado que se forma na água, que leva água, peixes, embarcações e aviões para o alto e os tira de sua rota. Esses fenômenos são tão rápidos, que nem chegam a ser captados por radares e satélites atmosféricos.

O relevo submarino também contribui. A plataforma continental (parte do continente coberta pelo mar) é estreita e termina abruptamente em alguns lugares (talude), levando a uma fossa oceânica, muito comum em áreas de encontro de placas tectônicas, como é o caso do Triângulo. Como as fossas costumam ser bastante profundas (a maior tem cerca de 11 mil metros de profundidade, a fossa das Marianas, na Ásia), se um avião ou não for arrastado para essa região, ele nunca será encontrado.

A última teoria que tenta explicar os acontecimentos misteriosos são os hidratos de metano. No leito dos oceanos existem pelotas de minérios e bolsões de gás. Um deles, o metano, que é derivado da decomposição de matéria orgânica e fica aprisionado entre as camadas do leito e das rochas na forma de gelo ultraconcentrado de metano, formando os hidratos. Acontece que vez por outra, deslizamentos e terremotos no leito marinho podem liberar estes bolsões, em algo semelhante ao que acontece quando a gente agita uma garrafa de refrigerante. O resultado seria uma redução da densidade da água na superfície e se algum navio estivesse ali, ele seria afundado, pois estaria mais pesado que a água. O problema dessa teoria é que ela não explica o que acontece com os aviões e se essas grandes bolhas de metano fosse liberadas do fundo do mar, elas se transformariam em bolhas menores.

Mas existem as explicações místicas, algumas absurdas, mas todas sem comprovação científica. Entre elas, as mais interessantes são:
  • Alienígenas (aparece em Contatos Imediatos de Terceiro Grau, do Spielberg);
  • Cristais da Atlântida;
  • Portais para outras dimensões;
  • Monstros marinhos;
  • Redemoinhos gigantes.

Seja como for, esta é a região do planeta que mais possui especulações e a que mais fomenta a imaginação das pessoas. Autores de ficção científica e repórteres vão continuar a criar explicações, alimentando o mito. Querendo ou não, a região está lá. Aquele que descobrir o motivo de tanto mistério, não vai fazer o véu nebuloso cair.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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