Sabe aqueles livros que você acredita que não vão te surpreender e no fim você acaba pagando a língua por ter duvidado deles? É este aqui! Comecei a ler sabendo que algo acontece lá pelo meio do livro, mas não estava preparada para a espiral louca em que a autora nos joga depois disso. O começo pode parecer devagar, mas acredite, vale à pena!
O livro
A leitura começa com uma tragédia: o pequeno Jacob, de apenas 5 anos, solta a mão da mãe ao atravessar uma rua e morre atropelado em uma tarde chuvosa em Bristol, na Inglaterra. O motorista apenas acelerou e fugiu da cena do crime sem prestar socorro, deixando uma mãe destroçada no lugar. Entram no caso os detetives Ray e Kate, esta uma novata no serviço, que acabam empacados na investigação ao longo dos meses seguintes pela ausência de testemunhas. Mas eles continuam na investigação, mesmo quando a comandante da polícia manda que eles fechem o caso.
Jamais pensei que um dia eu fugiria. Jamais pensei que precisaria.
Enquanto isso, Jenna, arrasada pela morte do menino, não consegue mais ficar na mesma casa, no mesmo lugar onde o atropelamento aconteceu. Assim, ela abandona tudo e se muda para uma pequena cidade litorânea no País de Gales, onde vive numa eterna tristeza. Ela parece ser incapaz de sentir alegria, de se conectar com as pessoas, de se sentir segura. Mas ao resgatar um filhote machucado, Jenna conhece um veterinário que abala seu coração e sua rotina. Mas o passado não vai deixar Jenna em paz.
Parece a descrição de um romance água com açúcar, daqueles que a gente lê para ver um casal ficar junto e ser feliz para sempre, certo? Admito que até a metade é exatamente isso o que o livro parece, pois passamos muito tempo na cabeça de Jenna, enquanto em outros capítulos acompanhamos a rotina da investigação da polícia. A gente não consegue entender como a jovem universitária tão cheia de vida que a autora nos apresenta em alguns capítulos, uma artista nata e talentosa, tenha se tornado a mulher temerosa e desconfiada alguns anos mais tarde. O livro vai e volta no tempo mostrando essa Jenna se transformando e caindo em uma armadilha.
Dividido em duas partes, a primeira é melancólica, contemplativa e emotiva; já a segunda parte é sombria, crua e chocante. Os pequenos detalhes da primeira metade do livro, que podem parecer maçantes no começo, tornam-se extremamente importantes na segunda metade. A autora prepara o terreno para uma grande revelação que eu não consegui prever. Depois que você descobre (ou acha que descobre) o que de fato aconteceu, não consegue acreditar no que está acontecendo com Jenna e precisa continuar a leitura para desvendar o restante.
Admito que as partes em que apareciam os investigadores, Ray e Kate, foram as mais chatinhas. Isso porque a autora escolheu nos contar demais sobre esses dois, envolver um romance ali no meio e achei que ficou sobrando, sabe? Nosso foco é a Jenna, o caso do menino Jacob e como trazer justiça a esse garotinho e sua mãe. Eu não estava muito a fim de saber sobre o tesão de Ray por Kate e seus problemas familiares.
Dizer que a segunda parte do livro é como uma montanha-russa não faz justiça à escrita da autora. A história é repleta de reviravoltas, mas cada movimento é calculado e preciso, como em um jogo de xadrez. Mesmo quando você acha que ela retirou a última peça do tabuleiro e que a história certamente não suportaria mais uma reviravolta, ela vai lá e faz. E então, faz de novo.
Quando alguém deixa um lugar, é fácil imaginar que a vida lá continua a mesma, embora nada de fato permaneça igual por muito tempo.
É difícil fazer a resenha sem revelar muita coisa dessa segunda parte. Lamento não ter lido esse livro antes, porque certamente lerei qualquer outro livro que a autora publicar. Cada evento que a gente espera ter um desfecho, acaba sendo resolvido. Não parece, mas a autora vai resolver todos eles! Devido dizer que no finalzinho, há um sentimento agridoce para Jenna e pra nós, mas o livro começa, se desenvolve e termina. Você vai passar raiva, muita, mas vale à pena continuar.
O livro tem alguns errinhos de revisão que não chegam a atrapalhar muito a leitura. A tradução foi de Flávia Rössler e está muito boa.
Obra e realidade
Embora a trama seja construída em torno de um atropelamento seguido de fuga e de uma investigação criminal, o livro utiliza o suspense para explorar questões humanas profundas. A experiência da autora como ex-policial contribui para o realismo da investigação e da construção psicológica dos personagens. O tema mais evidente é o processo de luto. A protagonista vive marcada pela perda e tenta reconstruir a própria identidade após um acontecimento traumático. A autora também retrata como a violência doméstica nem sempre se manifesta por meio de agressões físicas. O controle emocional aparece de diferentes formas e acaba por minar a identidade da vítima.O livro mostra que o verdadeiro mistério não é apenas descobrir quem cometeu um crime, mas compreender como as pessoas lidam com perdas profundas, relações abusivas e a difícil tarefa de reconstruir a própria vida após experiências traumáticas e extremas.

Clare Mackintosh é uma escritora, ex-policial e ex-jornalista inglesa. Seus romances são publicados em mais de 35 idiomas e já venderam mais de dois milhões de cópias em todo o mundo.
PONTOS POSITIVOS
Bem escrito
Suspense psicológico
Investigação criminal
PONTOS NEGATIVOS
Violência contra mulher
Preço
Bem escrito
Suspense psicológico
Investigação criminal
PONTOS NEGATIVOS
Violência contra mulher
Preço
Avaliação do MS?
Não esperava que fosse gostar tanto desse livro. Comecei achando uma coisa e depois o livro se transforma e me vi completamente envolvida com a jornada de Jenna e sua jornada de autodescobrimento. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!
Até mais! 🌊
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