Resenha: Destinos Divididos, de Veronica Roth

E chegamos ao fim da jornada de Cyra e Akos! Demorou, mas chegou no Brasil, o segundo e último livro da duologia de Crave a marca. Sei que muitas pessoas não curtiram o que a autora fez com o final da saga Divergente. Eu também não gostei, mas não podemos punir a autora para sempre por causa de um livro que a maioria não gostou. Crave a marca tem uma sólida construção de mundo, personagens bem escritos e uma jornada que gostamos de acompanhar.



Parceria Momentum Saga e
editora Rocco


O livro
Começamos essa jornada logo após o final de Crave a Marca. Se posso resumir o livro em uma só frase é que este aqui vai definir quem vai governar o universo. Essa galáxia têm poucos planetas habitáveis. Todos eles se situam no sistema solar da Assembleia, a nave que a todos governa, onde as ações da saga acontecem, onde o fluxo da corrente se encontra e confere poderes especiais às pessoas.

Resenha: Destinos Divididos, de Veronica Roth

As tensões entre thuvesitas e shotet se intensificaram no final do livro anterior e agora Cyra e Akos, acompanhados de outros fugitivos, buscam alternativas para o que está por vir. Uma guerra está para estourar entre as duas nações que disputam o mesmo planeta e eles nem sabem se vão conseguir evitar. O livro tem o mesmo ritmo mais lento do primeiro, mas para mim isso não é problema, pois assim dá tempo de desenvolver personagens. Com a queda do irmão de Cyra do poder, muitos se voltam para ela, mas Cyra quer o poder?

Neste universo, muitos são regidos pelas fortunas declamadas pelos oráculos. Com Cyra e Akos não é diferente, ainda que outros pela galáxia não concordem com o poder que os oráculos têm em seu governo. Essas fortunas atormentam os protagonistas, pois se o destino já está definido, de que adianta viver. Isso acaba causando um distanciamento entre Cyra e Akos, pois ele está tão agarrado à sua fortuna que acha que tem que cumpri-la de qualquer forma. Isso também gera um desentendimento com Cyra que, sinceramente, foi inútil na narrativa, e criou uma tensão desnecessária até o final.

O grupo acaba se dividindo. Cisi, irmã de Akos, vai para a nave da Assembleia com a chanceler Isae, enquanto Cyra, Akos e outros seguem para Ogra, um dos planetas do sistema, onde já existe uma colônia de refugiados shotet. Aliás, que planeta interessante é Ogra, já que ele é permanentemente mergulhado na escuridão. Tudo na sociedade de Ogra é feita com pouca luz. É um planeta selvagem no sentido das plantas e insetos que nele vivem, onde qualquer folha pode ser letal e até agarrar sua mão. Roupas e jóias também cintilam e naves e construções têm linhas luminosas delineando as formas para se distinguir no céu escuro.

Há um tipo especial de visão que vem com o fato de não conhecer alguém pela vida toda (...).

Página 173

As personagens femininas são destaque no livro. Elas ocupam lugares importantes e foram bem construídas a ponto de você querer segurá-las pelos ombros e sacudi-las pra ver se elas param de fazer bobagem. Adoro personagens com os quais a gente se identifica, se irrita, se emociona, critica e dá risada. Desde Tris, em Divergente, que gosto da forma como Veronica cria suas personagens. Elas parecem muito reais, como uma pessoa com a qual você poderia (ou não!) conviver. Isso foi muito positivo. E Cyra, a protagonista, houve momentos em que eu queria gritar com ela, pedindo por favor, para de fazer e falar bobagem! Se você ler, vai entender.

Também curti demais a discussão a respeito dos oráculos e como planetas querem se distanciar deles. A forma como a política destes planetas foi tratada foi excelente. Será que devemos confiar sempre nos oráculos? Devemos viver nossas vidas como dizem as fortunas? Ou será que somos muito mais do que nossos destinos? Essa linha de pensamento sobre as fortunas comanda uma boa parte da narrativa. E acredito que o final foi muito maduro e condizente com a história. É um final que seria realista caso esta fosse uma história real. Política é algo complicado, sociedade também é e o final só poderia refletir ambas.

O livro segue a capa gringa original, que admito que não gostei muito. A tradução é de Petê Rissatti, que traduziu também o livro anterior e está ótima. Praticamente não há problemas de revisão ou diagramação no livro. Apenas problemas muito pontuais que não chegam a prejudicar a leitura.


Ficção e realidade
Curti a forma de "magia" do livro, uma magia que tem no fluxo da corrente a sua origem. Sei que nem todo mundo curte essas magias que possuem explicação (olá, midiclorians), mas eu mesma curto muito saber que há uma explicação para a existência dela. Aqui ninguém chama desse jeito, obviamente. Os dons das pessoas são diferentes de um para outro e a corrente também pode ser usada em conjunto com a tecnologia. A corrente também dá o dom de clarividência algumas pessoas, como a mãe de Akos e é através dos oráculos que conhecemos alguns segredos e reviravoltas da história que me deixaram bem espantada. Veronica me enganou muito bem em alguns momentos!

Veronica Roth

Veronica Roth é uma escritora norte-americana de livros para jovens adultos de ficção científica e fantasia. É conhecida mundialmente por seus livros da aclamada saga Divergente.


Pontos positivos
Cyra e Akos
Corrente
Galáxia
Pontos negativos

Se alonga demais em algumas partes


Título: Destinos Divididos
Título original em inglês: The Fates Divide
1. Crave a marca
2. Destinos Divididos
Autora: Veronica Roth
Tradutor: Petê Rissatti
Editora: Rocco Jovens Leitores
Ano: 2019
Páginas: 448
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Estava com medo da continuação, admito. Comecei achando que seria algo que eu já tinha lido em algum lugar e no fim terminei com uma grande jornada, com personagens bem construídos, complexos, um final condizente com o enredo. As personagens femininas são um destaque e Veronica inclusive agradece a várias mulheres que lhe serviram de inspiração. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!

MUITO BOM!

Até mais!


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