Resenha: Contato de emergência, de Mary H. K. Choi

O livro de Mary H. K. Choi fala de vários assuntos pertinentes em seu enredo sobre duas pessoas introvertidas, ambas com seus problemas na vida, que adotam o costume de conversar pelo celular em momentos de urgência emocional.



Este livro foi uma cortesia da Editora Intrínseca


O livro
Penny completou 18 anos e está a caminho da faculdade. Está extremamente ansiosa para isso, de poder viver fora da influência de sua extravagante mãe, que tantos momentos embaraçosos lhe custou. É também um a hora de se afastar de um namorado sem graça e inconveniente, que ela nem sabe como acabou sendo seu namorado. Penny está infeliz e aposta que a faculdade, onde pretende se dedicar à escrita (ainda que não deixe ninguém ler o que ela escreve), seja sua libertação de uma vida sem graça.

Resenha: Contato de emergência, de Mary H. K. Choi

O outro protagonista é Sam. Ele trabalha em um café perto do campus, é amigo de longa data da colega de quarto de Penny e está vivendo um momento conturbado na vida, sem ter onde morar (ele mora no emprego), com a faculdade trancada e amargando o fim do seu namoro. É também um ótimo padeiro, tanto que seus quitutes no café são bem conhecidos.

Sam desconfiava que as pessoas mais barulhentas por fora fossem as mais entediantes por dentro. Nada além do clássico turbilhão de inseguranças e narcisismo.

Página 108

O caminho de Sam se cruza com o de Penny quando ele tem uma crise pânico no meio da rua. Penny, sempre pronta para todo tipo de emergências, o ajuda a retomar o controle e ainda deixa seu número de celular para que possa ser seu contato de emergência. Começa aí uma amizade virtual, onde eles trocam mensagens falando de suas inseguranças, de seus problemas, se conhecendo dia após dia.

O que começa com apenas mensagens sobre bem-estar se tornam longas conversas, onde um não desgruda do celular para sempre estar presente para o outro. Assim, aos poucos, eles se tornam amigos, enquanto um novo sentimento vai surgindo. Mas fica a dúvida: esse relacionamento desses dois introvertidos poderia durar fora do celular deles? É uma dúvida muito real de muitas de nós, que temos amizades puramente virtuais.

Uma pena que um enredo que fale de tantos problemas pertinentes, sem atolar quem lê de informações inúteis, tenha pecado tanto nos personagens. Penny é coreana, o que já é um ponto positivo em meio a tantas personagens brancas de livros semelhantes, mas fora isso é vazia, sem expressão. Sam é um pouco melhor trabalhado, mas ainda assim nenhum personagem da história inteira se destaca. Eles são caricatos, praticamente. A descontrolada, a introvertida, a histérica, etc.. Percebe? Sem contar as duas amigas de Penny, onde uma delas é racista e tá tudo bem, nenhuma consequência desse comportamento é sentida ou discutida além de umas poucas frases.

Este não é um livro com um grande mistério a ser resolvido, um assassino a se capturar, nem nada disso. É a história de duas pessoas solitárias que usam o celular para se conectar. Ainda que seja algo pertinente para os dias de hoje, em especial a discussão sobre o quanto as redes nos afastam ou nos aproximam, e ainda que se discuta uma série de outros pontos como depressão e estupro, o livro tem personagens tão esquecíveis que não fica nada da mensagem que Mary tentou nos passar. Isso sem contar as passagens machistas aqui e ali que não pegaram bem.

O livro em si é bem bonito e amei a capa, cuja arte é de ohgigue. Páginas amarelas e capa macia, com uma ótima diagramação e poucos problemas de revisão. A tradução ficou na mão de Ana Rodrigues e está ótima.


Ficção e realidade
Mary disse que apenas queria escrever uma história sobre duas pessoas sem que algo terrível acontecesse com elas. E ela conseguiu, ainda que peque na construção dos personagens. O livro fala de duas pessoas usando a tecnologia como uma ponte, uma ponte segura onde um apoia o outro, mas que nenhuma tragédia acontece. É a história de todos os dias, quando trocamos mensagens com as amigas que não estejam bem, quando mandamos figurinhas fofas para alegrar as pessoas. É a tecnologia encurtando as distâncias para transmitir afeto.

Mary H. K. Choi

Mary H.K. Choi é uma escritora, editora e jornalista coreana-americana. Contato de emergência é seu primeiro livro.


Pontos positivos
Discussão sobre depressão
Introversão
Capa
Pontos negativos
Personagens vazios e caricatos
Devagar


Título: Contato de emergência
Título original em inglês: Emergency Contact
Autora: Mary H. K. Choi
Tradutora: Ana Rodrigues
Editora: Intrínseca
Ano: 2019
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
O livro é OK. Li e torci pelos personagens, mas é uma leitura cansativa para aqueles que querem personagens mais desenvolvidos. Com os protagonistas tão esvaziados de personalidade, fica difícil acompanhar a narrativa, ao menos para mim. Três aliens para o livro.


Até mais! 📱

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