Resenha: Colony One, de Tarah Benner

Colony One é uma publicação independente de Tarah Benner, que já possui diversos títulos de ficção especulativa na Amazon. Neste novo livro, uma novíssima estação espacial precisa de funcionários e uma jovem e entusiasmada jornalista acaba recrutada para uma missão, no mínimo, perigosa.



O livro
Maggie Barnes é jornalista. Ela mora em Nova York e está extremamente decepcionada por não conseguir publicar suas matérias no jornal onde trabalha. Em um futuro próximo, as inteligências artificiais escrevem a maioria dos artigos, jornais impressos estão caindo em desuso e quando Maggie perde a grande chance de realizar um sonho - de ter uma matéria sua no impresso - ela toca o foda-se e faz um vídeo detonando a empresa responsável pelos robôs e suas matérias prontas.


Gostei muito da atitude impulsiva de Maggie, ela estava mesmo muito irritada e desiludida com a profissão. Enquanto tantas personagens agem racionalmente, de maneira até meio irreal, Maggie se rendeu ao mais básico dos sentimentos humanos: a pura ira. E quem diria que isso se voltaria a seu favor? Ela acaba recebendo uma grande proposta de trabalho, mas no espaço.

Dividindo a narrativa com Maggie, está Jonah Wyatt, ex-soldado das Forças Especiais que precisa de um emprego desesperadamente. Depois de ser dispensado do Exército e de conseguir subempregos aqui e ali, ele é indicado para trabalhar na equipe de segurança de uma nova estação espacial, treinando novos recrutas.

Elderon parece uma utopia espacial. Equipes inteiras estão sendo enviadas para lá, apenas gente especializada em suas áreas, até mesmo uma equipe inteira da imprensa para cobrir o progresso da missão. Robôs fazem praticamente todo o serviço pesado, até mesmo o de carregar malas, o que causa um grande transtorno para Maggie assim que ela chega.

Mas jornalista tem faro para notícia. Maggie faz amizade com um dos administradores e herdeiros do império empresarial que construiu Elderon e logo ela saca que tem algo errado: por que uma estação espacial comercial e de fins pacíficos possui uma equipe de segurança tão grande e ultra especializada como aquela? É aí que ela resolve buscar respostas se infiltrando na equipe militar.

Maggie foi uma personagem bem construída e engraçada em vários momentos. Ela avalia os corpos dos caras, até identificando alguns deles por suas bundas, o que me fez rir alto em alguns momentos. Jonah é um babaca, mas um babaca que é muito bom no que faz, o que o torna bem impetirnente em alguns momentos. Adorei a forma como Tarah descreve a tecnologia sem ser maçante, sem tecnobobagem sem noção. Elas são bem colocadas. E há uma conspiração por trás da construção de Elderon que é bem legal de acompanhar.

Meu único problema com o ebook foi o final. É como se Tarah parasse de escrever e jogasse o livro na Amazon, sem terminar de fato. É óbvio que ela vai continuar o enredo num próximo volume, falar mais da conspiração e tal, mas mesmo em livros que tenham continuação você deve fechar aquele arco e abrir um próximo e Tarah não fez isso. Ela terminou o parágrafo abruptamente e pronto, acabou o livro.

No site de Tarah você pode ler os dois primeiros capítulos. Só clicar aqui.

Cento e oitenta pessoas, além dos homens e mulheres que vieram na minha nave, parece um tanto de exagero para uma colônia pacífica cujo objetivo é a pesquisa científica.

Ficção e realidade
O mais legal do enredo de Colony One é que tudo parece muito plausível. Tarah conseguiu criar uma ficção científica em um futuro bem próximo, que parece ao mesmo tempo futurista e muito próxima da nossa realidade. E há uma discussão muito legal a respeito da perda de postos de trabalho para robôs e inteligências artificiais e o subemprego que muitas pessoas precisam encarar apenas para sobreviver. Isso não é ficção, é bem real e projeções mostram que, apenas nos Estados Unidos, 38% dos empregos já estão ameaçados pela automação.

Para meninas e mulheres a situação piora. As áreas de ciências, tecnologia e matemática contam com poucas mulheres e conforme a automação avançar, os postos de trabalho para nós nestas áreas continuarão difíceis de alcançar. O cenário para daqui algumas décadas é basicamente como mostra Colony One, com robôs escrevendo matérias para jornais e carregando malas.

Pontos positivos
Maggie
Elederon
Futuro próximo
Pontos negativos
Não tem em português
Acaba sem mais nem menos


Título: Colony One
Autores: Tarah Benner
1. Colony One
1. Colony War
Editora: Blue Sky Studio
Páginas: 346
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Consegui curtir a jornada de Maggie e Jonah, apesar do final quase estragar a história. Ainda quero ler o próximo ebook, que espero que traga mais respostas para as perguntas levantadas por Maggie. Mas Tarah, por favor, termine seus livros! Três aliens para Colony One.


Até mais! 👽

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1 Comentário

  1. Interessante o livro abordar a relação do trabalho e mecanização num futuro espacial

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