Resenha: Alien, de Alan Dean Foster

Fãs de Alien, assim como eu, se interessam por tudo a respeito! Inclusive pelas versões novelizadas dos longas, escritas por Alan Dean Foster. No Brasil, a editora Nova Cultural publicou o livro nos anos 1980, mas a Aleph republicou o livro em 2016 em uma edição luxuosa. Aqui acompanhamos os tripulantes da Nostromo que, ao seguir um sinal misterioso no espaço, acabou por dar de cara com um horror inimaginável!

Esta resenha foi atualizada em 15 de outubro de 2018!




O livro
O livro começa com a mesma cena conhecida do filme, com as hiperbáricas da Nostromo se abrindo quando a Mãe (o computador central), executando uma ordem específica dada pela Companhia, acorda os sete tripulantes. Esta é uma nave comercial, vale ressaltar. A Nostromo é uma nave que transporta minérios, estes não são resgatistas especializados. É interessante notar que no livro, os personagens são mais bem explorados. Algumas características que não vemos no filme aparecem nesta versão romanceada, mesmo que eu não tenha gostado do modo como foram descritos o Dallas e a Ripley.

Resenha: Alien, de Alan Dean Foster

Os detalhes técnicos são mais bem explorados, bem como o próprio planetoide onde está localizada a nave alienígena e o modo como Ripley descobre que o sinal não é um SOS e sim um aviso. Estas funções mais burocráticas, técnicas, são mais aprofundadas no livro, até porque o foco do longa de Ridley Scott é outro. Porém, cenas clássicas são retiradas desta versão, como a visita de Dallas, Kane e Lambert à ponte da nave, onde está o navegador. Por sua vez, a nave alienígena é melhor descrita e você tem uma melhor visão do interior e de sua tecnologia do que no filme.

Algumas cenas existem no livro, mas não existem no filme. No geral, o livro de Foster acompanha bem os eventos que ocorrem à bordo da Nostromo, porém não curti o modo como ele conduziu a maioria das cenas de ação, que ficaram insossas, sem a intensidade que o filme tem e acredito que o autor poderia ter explorado melhor a sensação desconfortável de isolamento e claustrofobia que tivemos ao assistir Alien em sua versão novelizada.

Alien é um filme de horror que já conhecemos bem, uma casa-assombrada no espaço. A diferença é que aqui não dá para abrir a porta e sair correndo. Aquela sensação de clausura, de pânico dentro da nave é perdida no livro de Foster. O que me pareceu foi que o autor pegou o roteiro e o transcreveu, mas sem pesar a mão nos aspectos psicológicos das cenas, que são justamente a cereja do bolo de Alien. A narrativa é, por assim dizer, sofrível. Ainda que não existisse um filme, o livro seria pobre.

Quanto à parte gráfica do livro, a Aleph caprichou na edição. Capa, arte interna no miolo, tudo está bem bonito e diagramado. A tradução de Henrique Guerra está OK, mas senti que faltou um melhor trabalho de edição para deixar o livro com cara de texto em português e não de um texto traduzido mecanicamente. A revisão também falhou em vários momentos, com erros gramaticais e de digitação pela obra. Uma pena, pois um livro de Alien certamente merecia um maior cuido.


Ficção e realidade
Uma coisa que sempre me chamou a atenção em Alien é que o espaço esconde perigos que nós, inadvertidamente, poderemos topar. Não só em Alien, como em todos outros filmes da franquia, a ganância humana e a inadvertência fizeram com que pessoas morressem na tentativa de entrar em contato com o Alien e na tentativa de transformá-lo em arma. Se não fosse também a curiosidade, não haveria nenhuma ordem especial na Mãe para fazer a Nostromo descer em LV-426. Ou seja, nos lançamos rumo ao desconhecido, sem saber ao certo se o que descobriremos será ou não benéfico.

Mas sabemos que qualquer exploração no espaço demandará riscos, curiosidade e muito possivelmente vidas humanas. Temos os exemplos aqui mesmo na Terra com a Challenger e com a Columbia. O que leva o ser humano ao espaço? O desejo de exploração, o desejo de conhecer mundos além do nosso, o desejo de transcender nossos limites, que são vários.

Alan Dean Foster

Alan Dean Foster é escritor norte-americano de ficção científica e fantasia. Ele novelizou vários filmes de FC, incluindo os 3 filmes da franquia Alien, o universo Star Wars, Star Trek, Transformers e O Exterminador do Futuro, tendo novelizado vários outros filmes como Fúria de Titãs, de 1981 e A Batalha de Riddick, de 2004.


Pontos positivos
Ficção científica
Personagens são mais bem explorados
Informações sobre a nave e o planetoide

Pontos negativos
Cenas do filme excluídas
Cenas mal descritas
Má caracterização do alien


Título: Alien
Título original em inglês: Alien
Autor: Alan Dean Foster
Tradutor: Henrique Guerra
Editora: Aleph
Ano: 2016
Páginas: 328
Onde comprar: na Amazon!


Avaliação do MS?
Eu esperava mais do livro, apesar de, no geral, ele não ter decepcionado tanto. Senti falta de algumas cenas e de um maior dinamismo do autor ao escrever uma versão do famoso filme icônico, de tamanha importância para a ficção científica. Tive a nítida impressão de este livro ter sido escrito às pressas. Acho que um maior desenvolvimento de cenas e personagens, teria dado um livro excelente. Três aliens para Alien.



Até mais!

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