Turismo e a exploração do espaço

Uns meses atrás, o astrofísico e divulgador científico Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, no Museu de História Natural, em Nova York, afirmou que o que vai impulsionar a exploração do espaço no futuro é o turismo. E não é um cenário impossível de imaginar.

Turismo e a exploração do espaço





Sabemos o quanto é caro enviar um ser humano ao espaço, sem contar todos os perigos envolvidos na empreitada. O ser humano é curioso (e teimoso) e vai continuar tentando, mas até lá sua experiência espacial será feita por robôs e sondas, bem mais barato e seguro para nós. E isso vai continuar no futuro, a menos que os povos e países percebam a importância do avanço da ciência espacial e da exploração.

Neil sugeriu que o estabelecimento do ser humano no espaço, em colônias na Lua ou em Marte, por exemplo, se dará pelo turismo, pela curiosidade que move o ser humano em conhecer e consumir locais exóticos, e não pela busca científica ou pelo avanço da ciência em si, tida por muitos como uma coisa chata e de pouco valor. Obviamente esse turismo ainda será inacessível para a maioria de nós, simples mortais, pois o envio de pessoas e equipamentos ao espaço ainda é caro, mas com mais investimentos na área, novos materiais e combustíveis, a tendência é baratear o custo e incluir mais gente nas viagens.

A Geografia do Turismo estuda muito a questão de como alguns lugares se tornam turísticos e outros não. O que pode tornar um local atrativo para levar pessoas para lá, dispostas a pagar para visitá-lo? Bonito, no Mato Grosso do Sul, por exemplo, tida como a capital do ecoturismo brasileiro, tornou-se um local visitado e conhecido como turístico com a fama da Gruta do Lago Azul. Toda uma estrutura turística se formou ao redor dela para receber o turista, com pousadas, lojas, restaurantes, marca própria e atividades para adultos e crianças.

Outros locais, como o campo de concentração de Auschwitz, permanecem de pé e são visitados por turistas do mundo inteiro, mesmo sendo uma angustiante lembrança do horror perpetrado por ali na Segunda Guerra Mundial. Não é um lugar para se tirar fotos sorridentes ou fazer poses engraçadinhas, é um lugar para reflexão, para se lembrar do passado e evitar repeti-lo. Neste caso, o turismo acaba sendo uma experiência própria e única ao turista que estabelece uma ligação com aquele determinado espaço que pode ou não ter sido produzido para a sua visita. Mesmo que não tenha sido produzido, acaba desenvolvendo uma estrutura para ele conforme a visitação aumenta.

Um lugar turístico nem sempre é um lugar com belezas naturais ou com ruínas de uma antiga civilização. Ele pode ser construído e voltado para receber visitantes em um local que a princípio não ofereça atrativos ou confortos ao turista. Las Vegas é o melhor exemplo disso, tendo sido construída no meio deserto, em um processo que lembra muito a construção de Brasília. Turismo trabalha basicamente com necessidades. E se ela não existe, ela pode ser gerada. O mesmo pode acontecer com o espaço, um lugar tão hostil?

Será preciso criar naves e acomodações espaciais que atendam as necessidades de uma população inexperiente e sem treinamento para viver no espaço. Se olharmos as acomodações espartanas da Estação Espacial Internacional, elas não serão agradáveis para se passar alguns dias em microgravidade. Será preciso inovar no sentido de opções de lazer e de comida. E também na questão de higiene, já que os astronautas à bordo da ISS também não tomam banho... Ou seja, são vários desafios a se superar para uma efetiva ocupação e exploração do espaço como local turístico, mas não quer dizer que não acontecerá.

Acredita-se que em 2030 o turismo espacial valerá cerca de 3 bilhões de dólares. Companhias como a SpaceX estão testando foguetes reutilizáveis para tornar os voos mais acessíveis e confortáveis. Já a Virgin Galactic e a Blue Origin investem no turismo espacial suborbital, ou seja, nos limites da atmosfera terrestre com o espaço. É possível que esta modalidade seja explorada primeiro e acabe também sendo substituída mais rápido quando novas maneiras de explorar o espaço surgirem.

O turismo teve um faturamento recorde de R$ 136,7 bilhões em 2019 somente no Brasil (obviamente os valores despencaram com a pandemia). O turismo desponta, certamente, como uma das atividades mais lucrativas do planeta e é um valor alto demais para ser desconsiderado numa futura permanência do ser humano no espaço. Por sua vez, o modo de se alcançar o espaço e permanecer nele com segurança não será barato inicialmente e uma parcela pequena e abastada com certeza será a primeira a visitar Marte, por exemplo, com o propósito do entretenimento.

Até mais!


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