Resenha: O livro e a espada, de Antoine Rouaud

Este livro foi uma surpresa em 2018. Fiquei intrigada pelo título, pela capa e pelo nome do autor francês que desconhecia completamente. É revigorante sair do eixo das sagas fantásticas norte-americanas e britânicas e com esta aqui não foi diferente. Em uma mistura de França Medieval com Revolução Francesa, acompanhamos o passado de uma importante figura histórica do império e a busca por uma relíquia.



Parceria Momentum Saga e
editora Arqueiro


O livro
Dun-Cadal Daermon é um herói de guerra, ex-general do Imperador Reyes, figura presente na mística imperial, mas que agora é um bêbado, pulando de taberna em taberna, cidade em cidade, se acabando em bebida na tentativa de esquecer o passado e sua própria vida miserável. E uma mulher está à sua procura, chamada Viola, que é uma historiadora. O ex-general fica logo desconfiado da presença da jovem, até que ela revela o motivo para procurá-lo: ela busca a Espada do Imperador, uma relíquia que sumiu no caos que se seguiu com a revolução que depôs a monarquia.

Resenha: O livro e a espada, de Antoine Rouaud

As histórias sobre a espada contam que foi o próprio general quem a escondeu. Alternando os capítulos entre o passado e o presente, Antoine nos faz ver essa França tão semelhante, mas ainda assim tão diferente de sua própria história, pelos olhos destes dois personagens. Dun reconta sua vida para Viola, reconta a Batalha de Salinas, mergulha em suas memórias amarguradas diversas vezess.

O medo que Dun sentiu de Viola tem uma explicação: após a queda da monarquia, muitos cidadãos defensores da família real e do sistema imperial foram executados. Dun esperava um fim semelhante. Instigado pela curiosidade de Viola e por boas doses de bebida, Dun narra como a revolução que derrubou seu imperador começou com uma revolta pequena e que não deveria ter sido o pavio para algo tão grande. E enquanto reconta sua vida para Viola, um assassino está rodando pela cidade, matando conselheiros da nova República instaurada, que também eram serviram ao império no passado. Dun poderia ser uma das próximas vítimas.

Com uma narrativa poética e bem detalhada, Antoine nos apresenta uma França do ponto de vista do fantástico, ainda que firmemente agarrada no presente e em sua própria história. São várias as semelhanças que você fará com a história do país ao adentrar pelas páginas deste livro. Há também fortes discussões políticas que podemos traçar até o estado atual da democracia francesa e como o povo esteve intimamente envolvido em todas as reviravoltas.

Não costumo gostar de enredos de fantasia que contenham muitos elementos mágicos. Aqui temos dragões, temos a magia do Sopro (semelhante à Força, de Star Wars), códigos de cavalaria, intrigas e por vezes o autor se demorou demais nisso, do tipo que você dá aquela bocejada e espera que a narrativa volte logo para o prumo. O que verdadeiramente salta aos olhos é a qualidade da criação dos personagens, como Rã e o próprio general. Viola, a historiadora, por sua vez, sofre com o destino de muitas personagens femininas: ela é uma mera expectadora e assim cai na categoria de coadjuvante.

A reconstrução de um mundo, pois o autor usa o passado francês em diversos momentos históricos para criar sua narrativa, foi muito bem feita. Mas me incomodou a questão do amor não correspondido e de um homem que sai em busca de vingança por ser rejeitado e pelo destino ter separado os amantes. Filho, bola para frente. Foi um recurso batido que o autor poderia nem ter usado. A edição da Arqueiro está bem diagramada e traduzida. Praticamente não há problemas de revisão. O livro segue a capa gringa, que achei um tanto escura; mal dá para se enxergar os detalhes.

Qualquer que seja o motivo dos seus atos, quer você os justifique ou não, nunca haverá desculpa para ceifar a vida de quem quer que seja.

Página 74

Ficção e realidade
Enredos de ficção que abracem cenários reais e históricos costumam me cativar muito. Este não é o livro que eu normalmente leria e admito que peguei sem muita expectativa. O livro não tem muitas mulheres, mas o que faz você prosseguir é a intensa construção de mundo do autor que conseguiu mesclar as Franças de diversos momentos históricos em uma só. Colocou uma dose de magia e pronto, está pronto para colocar um enredo de intrigas e mistério, que dialoga com muitas lutas pelas quais os franceses passaram.


Antoine Rouaud é francês, escrevendo e compondo desde criança. Trabalha no rádio, com audionovelas e com direitos autorais. Este é o seu primeiro livro de uma trilogia. O segundo volume se chama Une Lueur sous les Cendres.

– Não há nenhuma honra em matar, menino. Nenhuma.
Pouco importa como você dá o golpe.
Não há glória nenhuma em tirar uma vida

Página 56

Pontos positivos
O mistério da espada
França
Dun-Cadal
Pontos negativos

Poucas mulheres
Final apressado e em aberto

Título: O livro e a espada
Título original em francês: La Voie de la Colère
Série: Le Livre et l'épée
1. La Voie de la Colère
2. Une Lueur sous les Cendres
3. ?
Autor: Antoine Rouaud
Tradutora: Dorothée de Bruchard
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Fãs de romance de cavalaria que queiram deixar o eixo EUA-Reino Unido vão gostar desta França fantástica, de suas batalhas e intrigas. Com um universo rico e bem escrito, ele não deve em nada para grande sagas do mesmo gênero. Peca em alguns pontos, mas me deixou curiosa para ler o próximo volume. Quatro aliens e uma forte recomendação para você ler também.


Até mais! ⚔

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