Os refugiados ambientais

segunda-feira, outubro 31, 2011

refugiados ambientais
O clima está mudando e todos estamos sentindo isso. Se ele é produto da ação humana ou se é uma interferência de fora, ainda é assunto de acalorados debates. Mas as consequências regionais e locais das mudanças climáticas criaram um novo tipo de refugiado no mundo: os refugiados ambientais.




Mudanças climáticas são um evento constante na história do planeta. Mas o planeta nunca teve uma população humana na casa dos 7 bilhões como foi anunciado pela ONU. E isso castiga pesadamente todos aqueles que justamente dispõem de poucos recursos. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), refugiado é:

(...) uma pessoa que está fugindo de onde vive por conta de perseguição à sua raça, religião ou nacionalidade.


No entanto, uma pessoa pode abandonar seu lugar de origem ou lugar onde vive se as condições do meio ambiente se tornarem instáveis o suficiente para impedir seu modo de vida. Desta forma temos os refugiados ambientais, refugiados do clima ou migrantes climáticos. São aqueles que precisam buscar condições de vida favoráveis em outras regiões ou até mesmo países, porque não tem condições de sobreviver.

Estimativas apontam que até 2020 existirão cerca de 50 milhões de pessoas expulsas de seus lares pelas mudanças climáticas, com uma previsão de até 100 milhões em 2050. Seca, erosão, desertificação, desmatamento, perda de terras aráveis, seca de rios e processos de degelo são os principais motivos para o êxodo.

Meio ambiente é de difícil conceituação, mas sua principal função é garantir o bem estar. O ambiente influencia no bem estar das populações - e aqui me refiro a todos os seres vivos, não somente seres humanos. Qualquer desequilíbrio neste ambiente e nossa qualidade de vida e bem estar são afetadas.

Refugiados ambientais no Deserto de Gobi, na China. Fonte: Revista ISTOÉ

A tragédia maior destes refugiados é que os processos de mudança climática atingem mais os países pobres do que os ricos e desenvolvidos. Bangladesh, já bastante sacrificado por tufões, elevação dos níveis dos oceanos, derretimento das neves eternas do Himalaia, enchentes e regime de monções desregulados, possui refugiados na casa dos milhões e os únicos países vizinhos que poderiam recebê-los - Índia e Mianmar - não veem os bengalis com bons olhos. Ou seja, a tragédia humana vira um jogo de empurra-empurra que ninguém quer assumir.

As regiões que mais serão afetadas e hoje já apresentam casos severos de migrações são:

  • os deltas como do Nilo, Ganges, Mekong e Bhramaputra;
  • faixas litorâneas como o sul dos Estados Unidos;
  • regiões semi-áridas como o nordeste brasileiro, região do lago Chade e o interior da China;
  • sistemas insulares no Pacífico, como Tuvalu;


A Convenção de Genebra, em 1951 reconheceu o status de refugiado, mas este status precisa ser ampliado também aos que estão fugindo das severas mudanças do clima em seus países de origem, em especial para fazer valer os Direitos Humanos, que defendem o direito de viver e de ter acesso ao alimento, água e dignidade, entre outros. Este já seria um avanço significativo para estes povos, já que a sociodiversidade também se perde quando um grupo étnico perde seu lugar de origem. Acredito que estamos muito longe disso e que a situação tende a piorar.

Indianos fogem das mudanças climáticas.

Até mais!



Já há mais refugiados ambientais que refugiados de guerra

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

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