Resenha: Reboot, de Amy Tintera

Todo mundo sabe que amo ficção científica. Leio tanto os clássicos quanto as distopias juvenis e me divirto com ambos, também me decepcionando com ambos. Recentemente, minha grande decepção foi com Reboot, um livro pobre, fraco, com um enredo repleto de buracos e que não responde pergunta alguma durante suas mais de 350 páginas.





O livro
Um estranho vírus assolou o mundo (ou pelo menos os Estados Unidos, onde o enredo se passa). As pessoas acometidas por ele voltavam à vida depois de morrerem. Eles são conhecidos como Reboots. Com os adolescentes, isso é ainda mais intenso. Eles voltam mais fortes, mais ágeis, mais rápidos, com cicatrização acelerada e são usados como bucha de canhão em operações pelas favelas. Como a situação se torna muito ruim para os Reboots, já que eles causam medo nas pessoas, afinal voltaram da morte, é criada a CRAH, Corporação de Repovoamento e Avanço Humano.


E é na CRAH que conhecemos Wren Connolly, também chamada de 178, pois foi esse o tempo em minutos que ela levou para voltar à vida. Quanto mais tempo a pessoa demora para retornar, mais forte ela é, mais fria e sem emoções, mais rápido ela se recupera de ferimentos. Todos temem Wren e estando no topo do ranking, ela tem o direito de escolher quem treinar, entre os novos reinicializados, para compor mais tropas de CRAH. Ela então conhece o 22. Um bocó que ri o tempo todo e que, óbvio, está lá para sacudir as estribeiras da fria 178.

O 22 chama a atenção de Wren porque ele é sociável, está sempre sorrindo, etc. e tal, e isso a faz escolher esse sujeito para treinar, algo que surpreende seus colegas. E aí começa o imbróglio romântico, em que o 22 faz com que 178 possa sentir as emoções humanas de novo e blá, blá, blá. Não sou contra romance, não sou contra paquera, mas o livro ficou completamente bobo e infantil com esse relacionamento entre os dois. Temos mais um enredo em que temos uma moça problemática sendo salva por um boy. Nada de novo e totalmente estereotipado.

Além disso, o ambiente do enredo é incompleto. Não sabemos em que época isso acontece, nem temos uma visão melhor sobre como o vírus age, de onde surgiu, nem nada. Temos uma mega corporação maligna e um casalzinho lutando contra ela, já que um deles está sob risco de morrer. Pronto, é esse o enredo, colocado em somente uma frase.


A única coisa positiva do livro, além da protagonista feminina, foi o modo como a alegoria dos zumbis foi tratada, pois foge do escopo original de seres pútridos com sede de carne humana. E mesmo a menção a isso em experimentos feitos com os Reboots não é estereotipado. Mas é só também.


Ficção e realidade
Tirando os eventos sem noção do livro - que é muito ingênuo e raso - temos mais uma distopia, mais uma vez causada por um vírus mortal. Temos também um casal lutando para ficar juntos, por mais ridícula que seja essa tentativa. Como este livro é o primeiro de uma trilogia, talvez a autora explique mais coisas no restante das obras. O livro também trata sobre a escassez de sentimentos e de como isso pode ser tratado pelas outras pessoas, de como a interação social é importante.

Pontos positivos
Personagem feminina
Distopia

Pontos negativos
Sobrevivência fica de lado
Romancezinho xarope
Final óbvio

Título: Reboot
Título original: Reboot
Autor: Amy Tintera
Ano de lançamento: 2015
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Este livro é curto - ainda bem - então a leitura acaba rápido e flui igualmente rápido. Mas se você tiver coisa melhor para ler, é melhor deixar esse aqui de lado. Reboot tinha potencial para tratar com propriedade sobre vida e morte, sobre grandes empresas com desejos obscuros, com luta pela sobrevivência de uma minoria segregada. Uma pena que não teve nada disso. Dois aliens para ele.


Até mais!

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