Resenha: Reboot, de Amy Tintera

sábado, maio 02, 2015

Todo mundo sabe que amo ficção científica. Leio tanto os clássicos quanto as distopias juvenis e me divirto com ambos, também me decepcionando com ambos. Recentemente, minha grande decepção foi com Reboot, um livro pobre, fraco, com um enredo repleto de buracos e que não responde pergunta alguma durante suas mais de 350 páginas.





O livro
Um estranho vírus assolou o mundo (ou pelo menos os Estados Unidos, onde o enredo se passa). As pessoas acometidas por ele voltavam à vida depois de morrerem. Eles são conhecidos como Reboots. Com os adolescentes, isso é ainda mais intenso. Eles voltam mais fortes, mais ágeis, mais rápidos, com cicatrização acelerada e são usados como bucha de canhão em operações pelas favelas. Como a situação se torna muito ruim para os Reboots, já que eles causam medo nas pessoas, afinal voltaram da morte, é criada a CRAH, Corporação de Repovoamento e Avanço Humano.


E é na CRAH que conhecemos Wren Connolly, também chamada de 178, pois foi esse o tempo em minutos que ela levou para voltar à vida. Quanto mais tempo a pessoa demora para retornar, mais forte ela é, mais fria e sem emoções, mais rápido ela se recupera de ferimentos. Todos temem Wren e estando no topo do ranking, ela tem o direito de escolher quem treinar, entre os novos reinicializados, para compor mais tropas de CRAH. Ela então conhece o 22. Um bocó que ri o tempo todo e que, óbvio, está lá para sacudir as estribeiras da fria 178.

O 22 chama a atenção de Wren porque ele é sociável, está sempre sorrindo, etc. e tal, e isso a faz escolher esse sujeito para treinar, algo que surpreende seus colegas. E aí começa o imbróglio romântico, em que o 22 faz com que 178 possa sentir as emoções humanas de novo e blá, blá, blá. Não sou contra romance, não sou contra paquera, mas o livro ficou completamente bobo e infantil com esse relacionamento entre os dois. Temos mais um enredo em que temos uma moça problemática sendo salva por um boy. Nada de novo e totalmente estereotipado.

Além disso, o ambiente do enredo é incompleto. Não sabemos em que época isso acontece, nem temos uma visão melhor sobre como o vírus age, de onde surgiu, nem nada. Temos uma mega corporação maligna e um casalzinho lutando contra ela, já que um deles está sob risco de morrer. Pronto, é esse o enredo, colocado em somente uma frase.


A única coisa positiva do livro, além da protagonista feminina, foi o modo como a alegoria dos zumbis foi tratada, pois foge do escopo original de seres pútridos com sede de carne humana. E mesmo a menção a isso em experimentos feitos com os Reboots não é estereotipado. Mas é só também.


Ficção e realidade
Tirando os eventos sem noção do livro - que é muito ingênuo e raso - temos mais uma distopia, mais uma vez causada por um vírus mortal. Temos também um casal lutando para ficar juntos, por mais ridícula que seja essa tentativa. Como este livro é o primeiro de uma trilogia, talvez a autora explique mais coisas no restante das obras. O livro também trata sobre a escassez de sentimentos e de como isso pode ser tratado pelas outras pessoas, de como a interação social é importante.

Pontos positivos
Personagem feminina
Distopia

Pontos negativos
Sobrevivência fica de lado
Romancezinho xarope
Final óbvio

Título: Reboot
Título original: Reboot
Autor: Amy Tintera
Ano de lançamento: 2015
Editora: Galera Record
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Este livro é curto - ainda bem - então a leitura acaba rápido e flui igualmente rápido. Mas se você tiver coisa melhor para ler, é melhor deixar esse aqui de lado. Reboot tinha potencial para tratar com propriedade sobre vida e morte, sobre grandes empresas com desejos obscuros, com luta pela sobrevivência de uma minoria segregada. Uma pena que não teve nada disso. Dois aliens para ele.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris