Resenha: Gravidade, de Tess Gerritsen

sexta-feira, junho 07, 2013

Este livro foi uma grata surpresa. Comecei a ler sem muita perspectiva, achando que seria um romancezinho à bordo da Estação Espacial Internacional, mas ele se torna não só um thriller intenso e uma corrida contra o tempo contra uma doença mortal, como também nos dá uma visão de como é a vida dos astronautas no espaço.



O livro
Gravidade é uma obra de suspense e ficção científica da autora Tess Gerritsen. Fala da médica e astronauta Emma Watson que se prepara para ir à bordo da Estação Espacial Internacional. Ela e sua equipe estão bem entrosados, conhecem o tom de voz e os pensamentos uns dos outros, quando acontece um imprevisto. A esposa de um dos astronautas que está à bordo da estação sofre um grave acidente de carro. A NASA então resolve antecipar a subida de Emma e substituir o colega para que ele possa ficar com a esposa no hospital.

Capa.

Assim, Emma sobe para a estação com uma equipe diferente, o pesadelo da NASA começa com um astronauta doente na estação. A situação dele piora rapidamente e Emma, seguindo o protocolo, pede uma evacuação de emergência. Outro ônibus espacial é enviado, mas o astronauta da agência japonesa já está morto. A convivência com o cadáver na estação é tensa, pois ela não possui uma geladeira grande o suficiente para armazená-lo, e os cirurgiões de voo em terra estão preocupados com a preservação para a necropsia.

O corpo é transferido então para o ônibus espacial, que permanece acoplado à estação para se preparar para a decida. Mas algo começa a vazar do cadáver. Umas bolhas azul-esverdeadas, gosmentas, com um leve cheiro de peixe saem da mortalha e começam a vagar pelo ônibus, contaminando tudo por onde passa. Os astronautas ficam doentes logo depois, mas ainda assim recebem autorização de levar o ônibus espacial de volta. Eis que o cadáver do astronauta japonês literalmente explode de sua mortalha, espalhando vísceras e mais daquelas pequenas bolas gosmentas por toda a cabine, no momento do desacoplamento da estação. No susto, eles quase rasgam o casco da EEI, destroem uma série de painéis solares e colocam toda a tripulação em risco.

Já prestes à aterrizar, a pilota desmaia, cega e o ônibus espacial cai na pista. Toda a tripulação morre, mas antes que os médicos da NASA cheguem perto, o USAMRIID (Instituto de Pesquisas Médicas e de Doenças Infeciosas do Exército dos Estados Unidos) isola a área, se apodera dos corpos e deixa os operadores de voo inertes. A NASA precisa lidar com o maior desastre de sua história desde a Challenger e do Columbia. E precisam correr contra o tempo, pois uma doença causada por um organismo desconhecido está matando seus astronautas.

Espere muitas cenas sangrentas aqui... 

Devo dizer que o tempo todo o livro prende o leitor no suspense e na tensão. Foi o primeiro livro de Tess que li. Mesmo que exista um romance de fundo, ele não é meloso, é um amor que está em crise e ambos precisam decidir o que fazer depois de sete anos. Além disso, a riqueza de detalhes que Tess colocou em sua narrativa é impressionante. A própria autora diz nos agradecimentos que realmente se pendurou em algumas pessoas da NASA para chegar ao detalhe e ao perfeccionismo que queria. Você conhece as impressões nem sempre agradáveis que os astronautas têm uns dos outros, até o cheiro da estação espacial é descrito.

Achei apenas que o uso excessivo de siglas deixa o leitor um pouco confuso e que no final a autora deu uma corridinha com o enredo. Porém, é um dos melhores livros que já li e uma experiência enriquecedora para conhecer os bastidores da NASA e a experiência de, pelo menos um pouquinho, ver como é a vida dentro da estação espacial.

Ficção e realidade
Nós, meros mortais e fãs de ficção científica, em algum momento, demos aquela suspirada ao olhar para o céu noturno, vendo todas aquelas estrelas e a escuridão do espaço. Até eu já me imaginei astronauta, porque sonhar não custa. O livro consegue nos colocar na pele de uma astronauta que luta para sobreviver e para salvar seus colegas. Vemos a reação da NASA com uma situação que (ainda) não aconteceu, com mortes na estação espacial e o primeiro sepultamento no espaço, quando um corpo contaminado é ejetado.

Fala também dos riscos que organismos expostos à situações adversas, como a microgravidade, representam à população humana. Haveria protocolos seguros o suficiente para prevenir uma infecção global de um organismo difícil de entender? A NASA certamente já pensou a respeito de incidentes deste tipo à bordo da EEI e é justamente pelo risco de viver no espaço que os astronautas precisam de uma saúde de ferro e qualquer problema deve ser relatado aos cirurgiões de voo.

É interessante pensar que o organismo descrito no livro é uma quimera, utilizando o DNA de vários organismos, o que o torna muito difícil de combater. Poderia ser alienígena? O que aconteceria se tivesse a liberdade de crescer e se desenvolver? Taí um risco que as viagens espaciais, se chegarem ao ponto de se tornarem altamente populares e baratas, representariam para as populações humanas. A FC está cheia de enredos em que esse encontro não é nada legal.

Pontos positivos
Leitura prazerosa
Muito Bem escrito
Ficção científica e suspense, centrados na Terra e na ciência atual
Pontos negativos
Muitas siglas deixam o leitor perdido, o que o leva a consultar o glossário o tempo todo

Título: Gravidade
Título original: Gravity
Autor: Tess Gerritsen
Nº de páginas: 448
Editora: Record
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Um thriller de tirar o fôlego, com uma ótima mistura de suspense, ficção científica e terror. Tess Gerritsen conseguiu criar um romance de FC muito bem agarrado à realidade e colocou a NASA de volta aos holofotes ao descrever seus procedimentos, sua estrutura e protocolos. Uma leitura agradável e muito recomendada. Cinco aliens para Gravidade.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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