Resenha: Inferno, Dan Brown

sexta-feira, maio 31, 2013

E o novo livro de Dan Brown chegou para a alegria dos fãs. Devo dizer que esperava algo diferente, assim como esperei em todos os livros do autor e não me decepcionei com o enredo, sempre criativo, levando o leitor por caminhos tortuosos e angustiantes, enquanto acompanhamos as peripécias do professor universitário mais aventureiro, depois de Indiana Jones, Robert Langdon.




O livro
Robert Langdon, historiador e professor de simbologia de Harvard, acorda em um hospital após um terrível pesadelo, sem lembrar o que o levou a ser internado, nem ao menos sabendo onde está. O que ele sabe, que é contado pela médica Sienna Brooks, que o atende, é que ele chegou balbuciando palavras estranhas, com um tiro de raspão na cabeça, sem nenhum documento ou nada que o identificasse. O estranho é que a última coisa da qual se lembrava era de planejar um final de semana solitário e de caminhar pelo campus.

Capa.

Olhando pela janela escura, Langdon vê a silhueta de uma cidade que conhece muito bem e tudo fica ainda mais nebuloso: o que diabos ele está fazendo em Florença, na Itália? Antes que tivesse qualquer resposta conclusiva, uma mulher entra no hospital para matá-lo. A doutora Brooks, então, o tira do prédio e o leva para sua casa, onde ela mostra um objeto que veio escondido em seu famoso terno de tweed. Um frasco lacrado onde se carregam amostras de patógenos letais, abertos apenas com a digital da pessoa. Sem lembrar do que se trata, ambos abrem o frasco e ao invés de uma amostra de alguma doença, contém um objeto que, iluminado por dentro, trás um quadro de Boticelli que traz referências À Divina Comédia, de Dante Alighieri, mais especificamente, ao Inferno, o primeiro livro da clássica obra.

A partir daí, Langdon e Sienna Brooks entram em uma corrida por toda Florença na tentativa de descobrir e impedir a disseminação de uma doença mortal, criada por um brilhante geneticista, que vê o aumento da população mundial como um câncer, que acabará nos levando à extinção. A Organização Mundial da Saúde também corre contra o tempo e em um determinado momento, Langdon percebe que não pode confiar em ninguém, muito menos em si próprio, já que não tem lembranças das últimas 36 horas e aparentemente foi capaz até mesmo de roubar uma estimada obra de arte.

Florença é o palco da nova aventura.

Como todos os livros do Dan Brown, nem todo mundo que parece bonzinho de fato o é. E nem todo vilão é tão vilão assim. Achei interessante como Langdon foi mostrado desta vez, onde sua memória é lentamente desfiada ao longo dos capítulos. A escrita de Dan Brown é fluída, marcante, muito cativante, você não quer largar o livro em nenhum momento. Ele traz o assunto do momento: o transumanismo, suas implicações, seus problemas e o que pregam os defensores desta filosofia, que se apoia muito nas ideias malthusianas, que previa o colapso da civilização e que portanto defende que pragas, miséria e catástrofes naturais sejam o nosso limitador. Eles apontam que muito provavelmente, sem a Peste Negra para dizimar a Europa, não teria havido o período da Renascença.

Transumanismo (H+) - filosofia emergente criada pelo biólogo Julian Huxley em 1957, que analisa e incentiva o uso da ciência e da tecnologia, especialmente da biotecnologia, da neurotecnologia e da nanotecnologia, para superar as limitações humanas (intelectuais, físicas e psicológicas), e, assim, poder melhorar a própria condição humana, acelerando nossa evolução.

O grande problema do livro, a meu ver, é que Dan Brown encheu linguiça em vários momentos e você tem vontade de arremessar o livro pela janela. O vídeo que o geneticista brilhante e transumanista gravou para divulgar sua criação macabra para o mundo é visto, revisto, relido e lido cada vez que aparece. Você já praticamente decora até o final cada passo do vídeo, já que ele é repetido à exaustão cada vez que é mencionado. Alguns diálogos são excessivamente longos e as cenas de ação nem tão intensas como as que vimos em outros livros.

Ficção e realidade
Já passou da hora de as nações mais populosas pensarem no impacto que as massas populacionais têm sobre o território e sobre as riquezas da nação. É um pensamento frio e matemático, mas não dá mais para tapar o sol com a peneira e deixar a população crescer indefinidamente. Não temos planeta para isso, em breve também não teremos recursos, pois os solos aráveis encontram-se saturados depois de tantas gerações de monoculturas, pela compactação causada por rebanhos cada vez mais numerosos, pela drenagem de corpos d'água para alimentar lavouras e pela espoliação dos recursos naturais.

Controlar a natalidade é polêmico, pois isso mexe com o mais básico do ser humano, que não é apenas a reprodução, mas o livre arbítrio. Enquanto tem nações com crescimento negativo da população oferecendo incentivos para as pessoas terem filhos, em outros lugares as crianças ainda são mão-de-obra para famílias miseráveis. Infelizmente, as gestações são, na grande maioria, não planejadas. Esse papo de "que sempre cabe mais um" não pode mais ser o modelo usado para o planejamento familiar seja no Brasil, seja em qualquer outro lugar. Não estou dizendo que devemos liberar alguma praga no ambiente para limitar a população à força, mas que campanhas para planejamento familiar sejam de fato veiculadas, para que haja uma educação do povo para impedir gravidez que não é uma obrigação da raça humana. Sete bilhões e pouco já deu, não?

Transumanismo

Além disso, a tecnologia já vem conseguido melhorar nossa qualidade de vida, ao criar próteses cada vez mais sensíveis para pessoas com deficiências. Em breve, mexer no genoma humano para melhorar outros aspectos poderá ser alcançado. O livro faz uma pergunta inquietante: é correto criar uma raça superior através da tecnologia quando temos exemplos suficientes na nossa própria história de supostas raças superiores tentando exterminar aquelas que são indesejadas? Esta também é uma dúvida que aparece em Nexus. Liberar ou não tal tecnologia, tal capacidade? Teremos mais benefícios ou malefícios? Se serão benefícios, para quem?

Pontos positivos
Tema muito interessante
Escrita fluída e concisa
Thriller e suspense, com um pouco de ficção científica
Pontos negativos
Explicações demoradas
Repetição de cenas

Título: Inferno
Organização: Dan Brown
N.º de páginas: 448
Editora: Arqueiro
Onde comprar? Amazon

Avaliação do MS?
Um livro muito bom, como todos os livros de Dan Brown com muito mistério e momentos reveladores, onde você é levado a um caminho e acaba descobrindo que não era nada daquilo que estava pensando. Prepare-se para se surpreender com alguns dos acontecimentos deste livro. O que o desabona, contudo, são as repetições e as excessivas descrições de algumas partes, que o deixa chatinho.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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