Resenha: Vow of Thieves, de Mary E. Pearson

E chegamos ao fim da jornada de Kazi e Jase! Sou muito suspeita pra falar dos livros da Mary E. Pearson, pois sou fã de carteirinha deste universo. Este mundo pós-apocalíptico se reorganizou em reinos que constantemente se estranham entre si e viu surgir mulheres bem construídas, que lutam pelo o que querem, que lutam por seus ideais. Quem é fã de alta magia e elfos e duendes pode acabar torcendo o nariz para esta fantasia, mas acredite, a magia nem sempre se resume a atos mágicos e sim aos atos das pessoas diante das injustiças.



Parceria Momentum Saga e
editora DarkSide


O livro
Nossa aventura começa quase que imediatamente depois do fim do primeiro. Kazi e Jase retornam para a Boca do Inferno, para a família Ballenger depois do final emocionante de Dance of Thieves. Os dois têm bastante tempo para curtir um ao outro, enquanto conjecturam sobre todas as mudanças que serão feitas no lugar. Com sua nova posição e dever, Kazi teme a reação da família Ballenger depois do que fez no livro anterior, mas Jase lhe garante que eles vão compreender tudo em seu devido tempo, deixando-a mais tranquila. Devo dizer que esse começo é meio devagar, pois os dois estão feito dois pombinhos em uma lua-de-mel, pensando no futuro. Mary pesou a mão nas cenas de devaneios desses dois.

Resenha: Vow of Thieves, de Mary E. Pearson

Quando eles se aproximam da torre da Vigília de Tor, Kazi logo percebe algo estranho. Jase, sem pensar no que está fazendo e preocupado com a família depois de receber uma estranha mensagem, dispara rumo à construção e é atacado por uma saraivada de flechas. Kazi se coloca na frente, consegue fazer com que os cavalos disparem para longe dali e ela mesma acaba prisioneira.

Nem sempre é preciso um exército para salvar o mundo. Às vezes é necessário apenas uma pessoa para impedir que o mal vença.

Página 17-18

Tal como no livro anterior, os capítulos são intercalados pelas visões de Kazi e Jase, que acabam separados por várias semanas depois do ataque. Kazi é feita prisioneira, quase morre de infecção, até ser levada diante daqueles que orquestraram o golpe. Armas poderosas causaram uma devastação na cidade e nas construções. A Torre da Vigília de Tor está às escuras, com partes inteiras destruídas. A família Ballenger se refugiou nas antigas catacumbas, fortemente protegidos pela montanha.

Kazi é uma personagem fantástica. Mesmo sendo apaixonada (ainda que as cenas sejam repetidas à exaustão nesse livro), ela não perde o foco do que é importante. Mesmo sabendo que a família Ballenger deve estar abominando seu nome depois do que ela fez no livro anterior, sua maior preocupação é com a segurança deles, das crianças, da população na cidade e, claro, com Jase.

Gosto muito também da forma como a autora nos mostra o caráter de alguns personagens pelos quais você não dava um centavo. De repente aquela pessoa se transforma de tal maneira que você pensa como foi enganada esse tempo todo. Neste livro, Mary caprichou nas reviravoltas e nas situações em que ela te leva para uma direção e toma outra inesperadamente. Acredite, você vai passar raiva com algumas coisas que acontecem aqui.

Também me emocionei em vários momentos. Quem acompanha a jornada da Kazi por respostas sobre o paradeiro de sua mãe sabe o quanto esse trauma ainda é amargo e pesado para ela. Sabe o quanto as promessas são importantes e quando ela se vê traída de novo, você sente por ela, se desespera, quer pular para dentro do livro para ajudá-la nesses momentos. Ahh, Mary, você me mata desse jeito!

Ainda assim, tive que fazer leitura dinâmica em vários momentos em que entravam os devaneios de Jase e Kazi um pelo outro. O romance dos dois é sólido, é bonito, é bem construído, e eu torci muito por eles nos dois volumes, mas os pensamentos deste livro entravam quando ficava nítido que era só para encher páginas, pois era uma extensa repetição de sentimentos e dores e cheiros e sensações...

O livro está lindíssimo, com essa capa dura vermelha com detalhes florais. Fitinha para marcar página e pintura vermelha nas laterais. Há alguns problemas de revisão que não chegam a atrapalhar a compreensão, mas passaram batido. A tradução é da Ana Death Duarte, que resenhou toda a saga das Crônicas de Amor e Ódio e está ótima. Muito legal que uma única tradutora trabalhe nos livros de uma mesma saga.


Ficção e realidade
Ainda que Jase seja um personagem importante para o enredo, sinto que os dois volumes são sobre a jornada da Kazi e não sobre o casal que ela forma com ele, o que é muito importante. Kazi é uma personagem que sofreu tanto na infância, que teve tanta dificuldade de confiar nas pessoas, que descobre um mundo inteiramente novo ao trabalhar para a rainha de Venda. De roubar para sobreviver até chegar a um dos cargos mais importantes de Venda, Kazi batalhou muito. Em muitos aspectos ela ainda é aquela criança assustada que se escondeu embaixo da cama, mas é uma jornada linda de se ver e de acompanhar. Kazi poderia ser qualquer uma de nós.

Mary E. Pearson

Mary é escritora de livros infanto juvenis. Foi professora, é mãe e escritora em tempo integral.

Pontos positivos
Kazi
Torre da Vigília de Tor
Discussão sobre poder e pobreza
Pontos negativos

Pode ser meio lento em algumas partes


Título: Vow of Thieves
Título original em inglês: Vow of Thieves
Série Dinastia de Ladrões
1. Dance of Thieves
2. Vow of Thieves
Autora: Mary E. Pearson
Tradutora: Ana Death Duarte
Editora: DarkSide
Páginas: 464
Ano de lançamento: 2019
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Se você está procurando uma jornada feminina, uma aventura e um universo encantador, com muita coisa para se explorar e descobrir, você deve ler não apenas esta duologia, mas também as Crônicas de Amor e Ódio. É uma saga que tem tudo o que eu amo num enredo desses: força feminina, protagonistas fortes, quase ou nenhuma magia, uma jornada para se caminhar ao lado, reviravoltas. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também!


Paviamma! ♥️


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1 Comentário

  1. Gostei da resenha, e antes de comentar qualquer coisa fui ler a resenha do livro anterior. Os pontos positivos que destacastes me chamaram a atenção, Parece uma história bem envolvente e que vale a pena a leitura.
    Quanto a partes "meio lentas", noto isso em vários livros e não apenas deste gênero. Confesso que já fiz "leitura dinâmica" até pulando alguns parágrafos e voltando depois, hihihi (#confissõesnoturnas).
    Gosto destas histórias em que se subvertem estereótipos como a da mocinha que tem de ser salva, do cara que não mostra emoções e outros etcéteras.
    Abraços!

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