Resenha: A Trama Perdida, de Genevieve Cogman

Sabe quando uma autora resolve colocar ávidas leitoras como protagonista de suas histórias? Pois foi exatamente isso o que a Genevieve Cogman fez com sua série da Biblioteca Invisível. A Biblioteca é uma entidade tridimensional, com agentes bibliotecários espalhados por diferentes dimensões, regidas pelo caos ou pela ordem, onde figuram feéricos, dragões, lobisomens, vampiros. Para manter o equilíbrio de poder destes mundos, os bibliotecários roubam livros específicos daquele mundo e o levam para a Biblioteca. Fala sério, é demais isso, né?



Parceria Momentum Saga e
Editora Morro Branco


O livro
O mais legal destes livros é o fato de eles serem independentes. Você não precisa ler todos para sacar a trama, pois os arcos são independentes, com apenas Irene, nossa espiã bibliotecária super fantástica e seu misterioso ajudante, Kai. Mas eu recomendo ler todos sim, pois Irene é uma protagonista fantástica, do tipo que eu gostaria de ver com mais frequência.

Resenha: A trama perdida, de Genevieve Cogman

A Biblioteca é neutra, evitando ao máximo se envolver em disputas de poder nos diversos mundos em que cada bibliotecário age. O que não quer dizer, necessariamente, que não tentem fazer isso. Enquanto Irene tentava obter outro livro para a Biblioteca, uma dragoa se aproxima dela, expondo um problema: para conseguir um alto cargo na corte de uma rainha dos dragões, dois de seus subordinados precisam encontrar um livro específico. Só que o oponente recrutou um bibliotecário para ajudá-lo nessa questão, o que é completamente proibido pelas regras da Biblioteca.

Irene fica furiosa com isso, levando o assunto até seus superiores. Como um bibliotecário poderia quebrar seu juramento dessa forma, expondo seu ofício ao perigo? Irene é o tipo de protagonista que eu queria ver com mais frequência. Ela é analítica, fria nas situações em que é necessário, sempre resolvendo da maneira mais lógica possível os problemas que enfrenta. Ela não perde a cabeça e a inteligência por um cara bonitão. Irene tem uma missão e vai cumpri-la, não importa se precisará abrir mão de algo que ama.

Aliás, tudo gira em torno de Irene. Ela é a chefe, Kai nem ao menos discute isso, mesmo ele sendo quem é e a obedece sem pestanejar, sabendo que ela tem respostas para as mais variadas questões, ela é a líder e ele apenas deve ouvir. Nunca houve discussão a respeito. Irene é uma James Bond dos livros, mas que evita matar ou ferir quem quer que seja, a menos que sua vida ou de outros estejam em risco. Ela não é a coadjuvante, é a protagonista e age como tal. Cada mundo em que entra exige que as mulheres se

Irene esperava que nenhum de seus inimigos jamais percebesse o quanto ela era impulsionada por um desejo de descobrir como, o quê, onde, quando e, neste caso, quem.

Página 190

Este livro tem bem menos ação do que o livro anterior. É bem mais analítico e frio, do jeito que eu curto, onde Irene se vale mais da inteligência e menos dos músculos na tentativa de resolver o grande problema em mãos. A trama se complica muito mais do que imaginamos no começo. E quando achamos que o negócio vai explodir, vem Irene com sua racionalidade e consegue reverter as coisas a seu favor. Simplesmente amo essa personagem.

O livro segue o padrão das capas anteriores, mas com detalhes que revelam o período histórico do mundo em que eles vivem, sendo preta com detalhes dourados. Tem alguns errinhos de revisão, como letras e palavras não batidas, mas foram pontuais, sem atrapalhar de verdade a leitura. A tradução ficou na mão de Cláudia Mello Belhassof e está excelente.


Ficção e realidade
Curto muito a forma como um livro pode ser decisivo no balanço de poder de um mundo e como as histórias são contadas a ponto de tomarem forma nos mais variados lugares. Dependendo de quanto caos ou ordem um mundo tiver, mais efetiva ou não a história será. E não é exatamente essa a função de um livro? Tornar-se um mundo paralelo e real na cabeça de toda leitora? Um mesmo livro lido por várias pessoas diferentes terá várias interpretações, cenários e formas de se imaginar lugares, eventos e personagens. Genevieve usou esse poder para criar um enredo fascinante e personagens maravilhosos, daqueles de conquistar o coração.

Genevieve Cogman

Genevieve Cogman é uma escritora britânica de ficção especulativa. Escreveu para vários jogos de RPG, como o GURPS Vorkosigan. Trabalha no Sistema Nacional de Saúde britânico e curte nerdices nas horas vagas.

Acordos voam pela janela quando uma pessoa tem o que todo mundo quer.

Página 270


Pontos positivos
Irene e Kai
Dragões
Tem uma biblioteca interdimensional
Pontos negativos

Pouca ação


Título: A Trama Perdida
Título original em inglês: The Lost Plot
1. A Biblioteca Invisível
2. A Cidade das Máscaras
3. A Página em Chamas
4. A Trama Perdida
Autora: Genevieve Cogman
Tradutora: Cláudia Mello Belhassof
Editora: Morro Branco
Páginas: 400
Ano de lançamento: 2019
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Se assim como eu você é fascinada por livros e histórias, precisa acompanhar as aventuras de Irene e Kai. Não apenas é uma espiã que trabalha para uma Biblioteca Invisível responsável pelo equilíbrio dos mundos, como Irene é uma personagem maravilhosa. Bem escrita, inteligente, que está sempre no centro das ações e eventos dos mais variados mundos. Este é um universo para qualquer amantes dos livros. Quatro aliens e uma forte recomendação para você ler também!


Até mais! 📚


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