Resenha: The Girl From Everywhere - o Navio Além do Tempo, de Heidi Heilig

Este é o segundo volume da saga do navio Temptation e sua tripulação comandada agora pela capitã Nix. No primeiro livro conhecemos a trágica vida de Nix, às voltas com o pai viciado em ópio. Uma coisa que gostei muito na saga é o fato de termos uma tripulação viajante do tempo e o fato de passarmos boa parte da aventura no Havaí. Neste segundo livro, a tripulação do Temptation volta em outra aventura, mas algo aqui se perdeu quando comparamos com o primeiro.



Parceria Momentum Saga e
editora Morro Branco


O livro
Começamos a aventura quase que imediatamente após o final do primeiro livro. Nix agora é a capitã do Temptation, enquanto seu pai, a quem chama de Slate, sofre com a abstinência do ópio que consumiu por anos para mascarar a dor da perda da esposa. A tripulação agora se volta para ela, pois é a líder. Mas as coisas não serão fáceis, já que ela descobre que está fadada a perder aquele que ama, repetindo o destino do próprio pai.

Resenha: The Girl From Everywhere - o Navio Além do Tempo, de Heidi Heilig

Aqui já começamos com um problema sério do livro, que é a relação besta que ela tem com seu amoreco. A forma como foi colocada é uma relação que não dá para acreditar, o que estraga a experiência de leitura. Fiquei um tempo lendo aquelas passagens de dor e desespero de Nix, de nem encarar seu crush por algo que ela nem sabe como ou se irá acontecer. Eu até entenderia seu dilema e seu medo, já que seu pai estava destruído pelos eventos do passado, se a autora, lá na frente, não acabasse com tudo de uma maneira que deixou mais perguntas do que respostas. É incrível como Slate se recupera da abstinência do ópio tão rapidamente, sem nenhuma menção da autora a respeito.

Dito isso, entramos no enredo de verdade, pois um homem promete a Nix que pode ensiná-la a manipular o tempo e assim mudar sua história. Para isso, ela recebe algumas pistas que a levarão a uma ilha utópica, um lugar onde as coisas estão mudando constantemente, sendo que Nix é a única a perceber as mudanças, já que ela é uma navegadora.

Talvez o amor e a vida sejam parecidos nesse ponto (...) Não precisam ser eternos para valer a pena.

Página 96

Tem pouca coisa nesse livro que posso dizer que gostei. Tem mapas, tem aventura em terras estranhas, o final foi eletrizante, mas a cada coisa boa você tinha três situações sem noção e caricatas que estregaram a experiência. Estava bem ansiosa para continuar à bordo do Temptation, mas tive que jogar minha âncora em outro lugar. Além de uma cena de sexo longa e desnecessária, os outros maravilhosos tripulantes do navio, como Bee e Rotgut, desaparecem lá pelo meio. Se no livro anterior eles tinham função e ação, aqui eles são meras sombras do que foram.

Assim como no primeiro livro, a autora se valeu de eventos e lugares reais para compor parte do enredo e aqui questiono novamente a autora, que colocou um genocida como personagem e o libera para fazer tudo de novo. Algumas resenhas andavam bem irritadas com ela por conta disso e entendo totalmente a razão. Até eu achei demais pra minha cabeça ter a presença dele na obra. Kashmir é o personagem que salva boa parte do livro, enquanto tenta se reconciliar com seu passado e com sua posição no navio.

A impressão que eu tive lendo esse livro é que ele foi tesourado na edição, mas deixando pontas soltas pelo caminho. Por exemplo, Nix e Kashmir. Os dois se gostam, são atraídos um pelo outro, então não fez sentido nenhum o estranhamento dos dois durante boa parte da narrativa que criou situações pequenas de picuinhas idiotas. Sério, foi bem desnecessário. Ela tinha medo de perdê-lo, mas isso não justifica o tratamento de um com o outro. A forma como a nova aventura caiu no colo de Nix também ficou solta. Enquanto no primeiro livro nós tivemos uma evolução natural do enredo, com os eventos acontecendo dentro de um contexto, aqui não houve contexto, por isso essa sensação de que ele foi tesourado sem revisão.

Por falar em revisão, a edição em português carece de uma boa revisão. Encontrei vários problemas como letras e palavras faltando, sobrando e em um determinado momento a frase chegava a nem fazer sentido, tive que pegar pelo contexto do parágrafo. A tradução ficou na mão de Sofia Soter.


Ficção e realidade
Um dos questionamentos do livro é se a gente deve alterar o passado. Aliás, se fosse possível, sem saber o que poderia acontecer no futuro, ainda assim você alteraria? Ou prefere deixar os eventos traumáticos e horríveis acontecerem, ainda que no futuro surjam benefícios em consequência disso? Complicado, não é mesmo? Nossa sociedade é tão complexa que qualquer menor alteração no passado da nossa civilização poderia levar à uma imensa cadeia de eventos traumáticos dos quais poderíamos ser vítimas agora mesmo.

Heidi Heilig

Heidi Heilig é uma escritora norte-americana, nascida no Havaí, de livros de fantasia e para jovens adultos.


Pontos positivos
Viagem no tempo
Kashmir
Temptation
Pontos negativos
Revisão
Enredo confuso
Triângulo amoroso

Título: The Girl From Everywhere - O Navio Além do Tempo
Título original: The Ship Beyond Time
1. The Girl From Everywhere - O Mapa do Tempo
2. The Girl From Everywhere - O Navio Além do Tempo
Autor: Heidi Heilig
Tradutora: Sofia Soter
Editora: Morro Branco
Ano: 2019
Páginas: 432
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Não vou dizer que o livro é totalmente horrível, pois o final foi eletrizante e a autora ainda dá finais alternativos, como se nós pudéssemos ver linhas do tempo diferentes da nossa. O desenvolvimento foi prejudicado, não sei se foi na composição do livro ou se foi na edição feita nele depois, só sinto que ele tinha potencial e ficou nisso mesmo. A edição da Morro Branco está lindíssima, mas carece de revisão melhor. Três aliens para o livro.

É bom, mas...

Até mais! ⚓


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