Resenha: Princesa das Cinzas, de Laura Sebastian

Terminei esta leitura bastante indecisa se tinha ou não gostado do livro. E percebi que muita gente ficou com a mesma impressão. Tem coisas bem legais na história e outras nem tanto e você fica sem saber exatamente o que leu e como chegou ao final.



Parceria Momentum Saga e
editora Arqueiro


O livro
A princesa das cinzas que dá o nome ao título é Thora, ou Theodosia, herdeira do trono de Astrea. Ela, no entanto, é uma prisioneira de seu próprio palácio, desde a invasão e conquista dos kalovaxianos, que escravizaram seu povo e mataram sua mãe. Órfã desde os 6 anos, a pequena foi criada na corte como forma de manter o povo de Astrea sob controle e para frear qualquer tentativa de insurreição e de surgimento de movimentos de resistência. Se alguém desafiasse o poder do kaiser, era a princesa quem pagava.

Resenha: Princesa das Cinzas, de Laura Sebastian

Minha mãe era conhecida como a Rainha do Fogo, majestosa e forte. Mas eu sou a Princesa das Cinzas, uma piada viva.

Página 40

O kaiser é um governante cruel, sádico, que também não passa muito disso. Não conhecemos os personagens com maior profundidade, até porque estamos limitados pela visão de Theodosia, chamada de Thora pelos kalovaxianos, esvaziando a garota de sua identidade e título. Senti que a maioria dos personagens ficaram rasos e limitados, mesmo que Thora os observe bem. Sua melhor amiga, por exemplo, é Crescentia, filha do theyn, chefe do exército do kaiser e quem matou a rainha pessoalmente. Crescentia é outra personagem rasa e fútil, como deveria ser por sua criação e Thora é praticamente seu animalzinho de estimação.

Para se manter viva, ela aprendeu a responder de acordo com os desejos do kaiser. Vista como traidora por muitos astreanos, ela só pensa em se manter viva. Até a metade do livro, é uma repetição sem fim de "ó, como sofro, ó como posso aguentar isso, ó preciso me manter viva, não posso irritar o kaiser". Até que de uma hora para outra ela resolve lutar contra as injustiças. Foi muito rápido, com pouco desenvolvimento, e isso acontece em praticamente o livro inteiro.

Depois de ser obrigada a matar uma pessoa de confiança de sua mãe, Thora começa a perceber que as coisas não são exatamente como ela pensa que são. Até alguma decisão sua sair você leu, leu, leu e DO NADA ela resolve agir. Olha, isso cansou bastante em determinados momentos, sem contar a súbita atração que ela exerce no herdeiro do kaiser, o prinz Søren. Este, por incrível que pareça, ficou bem construído no meio da narrativa de tantos personagens ruins.

Os pontos positivos do livro certamente recaem na criação deste universo. Os invasores são caucasianos, europeizados, de cabelos louros e pele clara. Eles não são os heróis, estão bem longe disso. Thora tem a pele tom de oliva, cabelos escuros, bem como o povo de Astrea. Mesmo brutalmente subjugados, eles estão tentando organizar uma contraofensiva, apesar de não vermos isso, só a politicagem do palácio. Outra coisa legal, todos os títulos como kaiser, kaiserin, prinz e theyn. Foi bem legal sair do mais do mesmo e a autora conseguiu desenvolver esse mundo com certa competência. Tem mapas no começo para que a gente se situe. Já falei que adoro mapas?

O que sinto que complicou a leitura foi a autora deixar tudo incompleto, provavelmente segurando os eventos para colocá-los no próximo livro. Este aqui precisaria de pelo menos uma cem páginas e já dava para desenvolver tudo o que faltou. Existem mensagens importantes sobre o preço da escravidão e da violência sobre um povo subjugado, a importância de descobrir sua própria força, mas de novo, fica sempre pela metade. Outra coisa que achei irreal: como uma garota de 16 anos consegue lembrar com tanta clareza de eventos que presenciou aos 6? Isso que é memória boa.

Suponho que seja fácil sentir-se à vontade em um mundo no qual você está por cima. É fácil não notar aqueles em cujas costas você pisa para se manter no alto. Eles não são nem vistos.

Página 212

A capa é uma lindeza e é um fator que acaba chamando muita atenção. A edição da Arqueiro está bem diagramada e revisada e não encontrei grande problemas de tradução, que foi de Raquel Zampil.


Ficção e realidade
Uma coisa que a autora não poupou no livro foi a violência. Não temos estupros, felizmente, mas a violência física é uma ameaça constante da vida de Theodosia, cujo corpo é marcado por chicotadas e torturas que sofreu por coisas que nem fez. É uma lógica perversa a do kaiser de manter a moça viva e assim manter o povo subjugado. Isso mantém o povo desconfiado da lealdade da princesa e ele ainda tem um bode expiatório para qualquer problema que apareça.

Laura Sebastian

Laura Sebastian é formada em Arte e Design. Nasceu na Flórida, mas mora em Nova York, onde trabalha, escreve e passeia com seu cachorro, Neville. Princesa das Cinzas é seu livro de estreia.

Pontos positivos
Universo
Prinz Søren

Pontos negativos
Mal desenvolvido
Personagens rasos
Final em aberto

Título: Princesa das Cinzas
Título original em inglês: Ash Princess
Trilogia Princesa das Cinzas
1. Princesa das Cinzas
2. Lady Smoke
3. Ember Queen
Autora: Laura Sebastian
Tradutora: Raquel Zambil
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Ano de lançamento: 2018
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Não foi uma leitura ruim. Fiquei compadecida da situação de Theodosia e cheguei ao final curiosa para saber quais serão seus próximos passos. Já aconteceu de uma trilogia melhorar do segundo livro em diante, então ainda darei uma nova chance à Laura e seu mundo, torcendo para as coisas se acertarem no próximo volume e que ela não cometa os mesmos erros deste aqui. Três aliens.


Até mais!

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