Resenha: O Feiticeiro: Volume 1 – O estrangeiro, de Má Matiazi

Esta é a primeira resenha de uma semana muito especial no blog! Já era para eu ter feito isso várias semanas atrás, mas tive que adiar para começo de dezembro por diversas razões. Por sete dias, ou seja, uma semana inteira, eu vou resenhar um livro de uma autora ou autor nacional. Uma resenha por dia! Não só foram leituras muito satisfatórias, como também é uma forma de 1, divulgar nossa produção nacional e 2, ressaltar a importância de consumir nossa literatura. Sei que ainda tem gente com muito preconceito pela literatura fantástica brasileira e apenas posso dizer que essas pessoas estão perdendo grandes livros, grandes histórias, grandes metáforas.

Se você quiser ver mais resenhas de autores nacionais no blog, procure pela tag autor nacional. Quer livros escritos por mulheres?, então busque a tag por elas. Para abrir essa semana, vamos começar com a fantasia escrita por Má Matiazi!



O livro
Começamos a jornada vendo o fim do mundo como o conhecemos. As ações humanas não vieram sem consequências e a sociedade assiste impotente às nações ruindo, catástrofes, o egoísmo e a ganância vindo em primeiro lugar. Fábricas pararam de funcionar, carros não rodam mais. A vida de antes não fazia mais sentido e isso deu lugar a um mundo mais silencioso, mais consciente de suas ações, tendo herdado de tempos anteriores o intelecto, o aprendizado. Com o passar dos milênios, a raça humana se organiza e surgem aldeias, reinos, novas formas de se organizar em sociedade. E o que tinha sido negligenciado e esquecido por séculos ressurge: a magia.

Resenha: O Feiticeiro: Volume 1 – O estrangeiro, de Má Matiazi

Andy mora numa pequena aldeia chamada Ecklacia, uma pequena comuna onde todo mundo conhece todo mundo, que fica no continente de Elion. Andy é um garoto que descobre ter grandes poderes e é em sua jornada que entramos pouco depois. Ele mora com sua grande família, mas seu pai esconde um grande segredo, e pouco fala sobre suas origens, tendo muito medo de seus filhos irem para o bosque.

Andy é aquele típico personagem que descobre poderes e um destino fantástico, onde ele é o herdeiro de um trono. Este não é o único clichê o livro e no sentido geral o enredo segue a fórmula de aventuras de heróis medievais clássicos. Isso não costuma me incomodar se a escrita for boa. Por mais clichês que uma história tenha, a gente aceita se a escrita for envolvente, for daquelas que você não consegue largar. Este é o caso; a escrita da Má é fluída, envolvente e extremamente poética. Como o enredo fala do Pacto entre a humanidade e a natureza, o estilo da Má combina perfeitamente com essa pegada mágica.

Por ter um segundo volume, senti que este aqui tem muito mais introdução do que desenvolvimento de trama. Quem espera por mega plots twist carpados pode se desapontar com ele, pois o que interessa é a jornada. Ainda assim, alguns personagens são jogados de escanteio conforme a leitura avança, como os parentes de Andy, e a jornada deles termina abruptamente. Fico pensando se eles voltarão no próximo livro.

As personagens femininas merecem destaque, pois são mulheres com seus próprios ideais, com seus pontos de vista e que se revoltam com sua condição, que não têm medo de se expressar ou de agir, como Rose. Andy é o personagem que mais evolui, certamente, e tem um caminho que vale à pena acompanhar.

A edição foi financiada pelo Catarse, mas eu adquiri os dois livros quando conheci a Má lá na Flip! Então eu tenho edições físicas e muito especiais, com dedicatória da autora. O livro está bem diagramado e não encontrei grandes problemas de revisão ou digitação. Achei a capa um tanto escura demais, mas o título tem detalhes em dourado. Como é uma história que fala de vários reinos, senti falta de um mapa.

Ah, a adolescência e sua impressão de "não pertencer"... Evelyn abraça a si própria sentindo o rio correr entre suas pernas de forma tão literal. Foi por isso que sua mãe a trouxe ali. Dentro dela tem um rio agora, um rio vivo que a faz mulher e que a permite ser mão, como a Terra, a mãe de todas as mães.

Página 21

Ficção e realidade
Uma das grandes sacadas do livro é mostrar que este é o nosso mundo. Não é uma Terra Medieval, não é um outro planeta, nem uma realidade alternativa, é o nosso mundo que se recuperou das catástrofe e redescobriu a importância de um maior contato e respeito com a natureza. Pode parecer um papo natureba, mas é uma urgência dos nossos tempos o de respeitar o planeta, pois afinal só temos esse. A Terra sem humanos continua a Terra, mas nós sem o planeta seremos rapidamente extintos. Ou a humanidade aprende a viver em sintonia, ou podemos ter um destino bem semelhante ao que vemos no livro.

Má Matiazi

Má Matiazi nasceu em Curitiba (minha conterrânea!), no Paraná, em 1985. É formada em Escultura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e, desde 2011, é ilustradora freelancer. O Feitceiro Vol I – O estrangeiro é o segundo livro publicado, tendo lançado o livro Três em 2013 pela editora Biblioteca 24horas.

Pontos positivos
Pacto e magia
Bem escrito e descrito
Autora nacional
Pontos negativos

Trama pouco se desenvolve
Pode ser lento

Título: O Feiticeiro - Vol 1 - O Estrangeiro
Autora: Má Matiazi
1. O Estrangeiro
2. O Rei
Editora: Espectral Edições
Páginas: 480
Ano de lançamento: 2015
Onde comprar: ebook na Amazon e edição física no site da Má

Avaliação do MS?
Boas histórias não valem nada se forem mal escritas. Até aqueles que torcem o nariz para jornadas medievais vão se encantar por este livro pela poética narrativa da Má e a forma com ela nos conduz junto de Andy por sua estrada. Mesmo que o enredo apresente uma lentidão em alguns momentos, acredito que as pontas soltas serão amarradas no próximo volume. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.

MUITO BOM!

Até mais!

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