Resenha: A Zona Morta, de Stephen King

Sou uma grande fã de Joe Hill, filho do mestre King e já resenhei vários livros de Hill aqui no blog, sendo o último Mestre das Chamas. Mas toda vez que tento ler os livros do pai dele, alguma coisa me incomoda. Especialmente suas personagens femininas, que nunca conseguem sair do mais do mesmo. Talvez seja por isso que eu curta tanto os livros de Joe Hill, pois o filho constrói personagens melhor do que ele. Peguei Zona Morta para ler, principalmente, por gostar muito da série de TV baseada no livro.



Parceria Momentum Saga e
Editora Suma


O livro
O livro mostra os pontos de vista de dois personagens: Greg Stillson, um ser abjeto, egoísta e egocêntrico que você já odeia desde a primeira página e John Smith, um provinciano professor no Maine, que está apaixonado pela namorada Sarah. Poucas pessoas sabem do acidente que ele sofreu aos 6 anos de idade, que lhe causou um hematoma na cabeça que, de certa forma, ainda naquela época, o fez ter pequenas visões.


Na véspera do Halloween, depois de levar a namorada à uma feira, onde ele ganha muito dinheiro, Sarah passa muito mal. Ele a deixa em casa, esperando que ela se sinta melhor no dia seguinte e vai para casa de táxi, mas se envolve em um grave acidente na rodovia, onde dois carros faziam um racha. John está gravemente ferido e entra em coma, onde fica por quase cinco anos. Quando ele finalmente acorda, sua vida está de cabeça para baixo: Sarah está casada, com um filho e ele passa por um longo processo de recuperação.

Enquanto lemos a trajetória dos personagens, acompanhamos também alguns de seus pensamentos mais íntimos, como o desejo de John de passar a noite com Sarah, mas ele é educado demais para isso. O desejo de poder de Greg, que é imenso, sendo que ele é capaz de qualquer coisa por ele. Sarah, por sua vez, é talvez a personagem mais insípida e sem graça da história, servindo como interesse romântico e uma encalhada que precisa casar e constituir família para se sentir alguém na vida. Isso foi bem chato de acompanhar, admito. A outra mulher do livro, a mãe de John, é uma fundamentalista religiosa transtornada, que acredita em qualquer corrente religiosa louca que surge na sua caixa de correio.

John, agora consciente e acordado, tem uma estranha habilidade. O acidente ativou algo na zona morta de seu cérebro e com um toque, ele consegue informações sobre o passado e o futuro das pessoas. Sua história ganha os jornais e revistas, pessoas mandam itens pessoais de desaparecidos para que ele as encontre. Até a polícia acaba usando suas habilidades para encontrar assassinos. Até aqui é bem parecido com a série de TV que eu adorava.

Gostei de acompanhar a jornada de John. Ele é um personagem carismático, com o qual você se identifica, se compadece de sua situação e vendo a forma como o livro termina, ele meio que parece não ter outra saída para os eventos que se seguem. É uma situação bem amarrada, mas da qual ele não pode fugir. É um final triste, mas que realmente faz sentido na narrativa.

Vera tinha rezado por um milagre. Herb tinha rezado para seu filho morrer. E a prece de Vera que atendida. O que isso significava e aonde ia levar? E como Vera lidaria com isso?

Página 129

Também gostei de todas as discussões sobre o coma, sobre os mistérios do cérebro e a perspectiva distópica que o livro assume mais perto do final, no qual a habilidade de John será imprescindível. Também achei desnecessariamente grande e com partes inúteis, muito blá blá blá que não precisava estar ali. Eu já tinha tentado ler Stephen King várias vezes antes e leitura nunca engrenava. Não sei porque esse aqui foi diferente, talvez por ter um pouco de ciência? Realmente não sei.

A edição da Suma está ótima. Praticamente não há erros de revisão ou de tradução. Um ou outro erro de digitação e olhe lá. A tradução é de Maria Molina.

Ficção e realidade
A habilidade de John é perturbadora e fiquei pensando como eu me sentiria se tocasse um objeto e captasse a história da pessoa que o possuísse. Obviamente, muita gente o considera um anticristo, manda mensagens falando que ele deve se matar, ou simplesmente lotam sua caixa de correio com objetos de desaparecidos. Toda essa pressão, essa confusão sobre John está bem escrita e você gosta de acompanhar sua jornada. Isso é o mais importante, a jornada de John faz sentido, mesmo com todos os percalços, o sofrimento, a dor de caçar assassinos.

Stephen King
Stephen King

Stephen King é um mestre do terror e do suspense. Eu era muito nova quando assisti Cemitério Maldito e dormi mal por dias! Ainda não sei se pegarei outro de seus livros para ler, apenas fiquei bem feliz de conseguir ler pelo menos um!

Pontos positivos
John Smith
Coma
Zona morta
Pontos negativos
Muito grande
Personagens femininas rasas
Pode ser devagar em alguns capítulos

Título: A Zona Morta
Título original em inglês: The Dead Zone
Autor: Stephen King
Tradutora: Maria Molina
Editora: Suma
Páginas: 480
Ano de lançamento: 2017
Onde comprar: Amazon

Avaliação do MS?
Finalmente consegui ler um livro de Stephen King! Apesar de ainda não curtir muito seu estilo e gostar mais dos livros de seu filho, esta leitura foi bastante satisfatória, apesar de bem difícil em alguns momentos com aquela criatura abjeta do Greg Stillson. Quatro aliens para o livro e uma forte recomendação para você ler também.

MUITO BOM!

Até mais! ☠

Já que você chegou aqui...

COMPARTILHE

3 COMENTÁRIOS

  1. Capitã! Achei sua resenha ótima, você abordou alguns pontos bem interessantes que eu não tinha me tocado na minha leitura. A Zona Morta é um dos livros que menos gosto do King, mas ele realmente tem uma pegada de FC e lembro que essa parte sobre o cérebro e tals foi o que mais me animou a continuar. Mas é um dos livros antigos dele, enrolados, nos quais ele era ainda mais prolixo. A personagens femininas aqui realmente não ajudam. Mas acho que você deveria ler algo mais atual dele, onde ele é mais dinâmico; o King é um exemplo de que, não importa quanto sucesso você faça, você sempre pode melhorar. Te indico Belas Adormecidas, que é grande, mas dinâmico, e com muitas personagens femininas ótimas!

    ResponderExcluir
  2. Ah, eu não sou fã dele, eu lia quando mais jovem e nunca vi "terror" ou "suspense" nos livros dele. Mas o UNICO que gostei foi justamente esse Zona Morta, não sei se foi por causa da série de TV que eu já amava, ou por que esse realmente foi o melhor livro dele, não tem terror, só o suspense. Gostei do Jhon, mas realmente as personagens femininas são muito mal trabalhadas. Legal a resenha, me fez relembrar o quanto gosto desse livro <3

    ResponderExcluir
  3. Uma dica minha: procure os contos. Pessoalmente acho King melhor contista do que romancista. :)

    ResponderExcluir

ANTES DE COMENTAR:

Comentários anônimos, com Desconhecido ou Unknown no lugar do nome, em caixa alta, incompreensíveis ou com ofensas serão excluídos.
O mesmo vale para comentários:
- ofensivos e com ameaças;
- preconceituosos;
- misóginos;
- homo/lesbo/bi/transfóbicos;
- com palavrões e palavras de baixo calão;
- reaças.
A área de comentários não é a casa da mãe Joana, então tenha respeito, especialmente se for discordar do coleguinha. A autora não se responsabiliza por opiniões emitidas nos comentários. Essas opiniões não refletem necessariamente as da autoria do blog.