Kardashev estava errado?

segunda-feira, outubro 09, 2017

Escritores de ficção científica, inevitavelmente, esbarram com essa escala por aí. Para mais detalhes, dá uma clicada aqui, mas em linhas gerais Nicolai Kardashev criou uma escala para categorizar civilizações pela galáxia, baseada na forma e na obtenção de energia. Quanto mais complexa a civilização, mais energia ela vai precisar. Criada em 1964, a escala tinha apenas três níveis e posteriormente foram adicionados os níveis zero e quatro. Nossa civilização estaria no nível menor que 1, mas maior que zero. A questão que fica é: se os cálculos mostram que há tantos alienígenas pelo universo e até na nossa galáxia, onde eles estão?




Não vou me ater a detalhes científicos ou discorrer sobre as possibilidades da vida através do universo. Minha intenção é dar uma alternativa a você que escreve ficção científica. Mas recomendo o Holodeck que gravamos a respeito, dá um clique aqui!

A questão se estamos ou não sozinhos no universo é talvez uma das grandes questões do século. Não duvido que exista vida lá fora, tanto em nível unicelular quanto o de civilizações avançadas, mas fica a questão de como entrar em contato com elas, se nós estamos vivendo numa mesma época que possibilite o contato, se eles já foram extintos e seus sinais continuam por aí. A própria Escala de Kardashev admite que existiriam ao menos algumas civilizações de tipo 2 e várias outras de nível 3, dada a idade do universo. Se elas são grandes consumidoras de energia, deveríamos ser capazes de captar algum traço disso. Mas na real nada acontece, apesar de "a verdade continuar lá fora."

Muitos cientistas já tentaram propôr soluções para o Paradoxo de Fermi. Até Stephen Hawking já se debruçou a respeito. Uma espiada em mais de 100 mil galáxias em busca destes sinais de energia deram resultados negativos. Civilizações alienígenas de nível 3 teriam condições de utilizar a energia de uma galáxia inteira, o que deixaria rastros. Fica então a grande questão sobre os erros na escala que Kardashev postulou.

Leia também: Tão sós no universo...

O jornalista freelancer Keith Cooper especulou sobre possíveis explicações para que os alienígenas não cheguem ao nível 3 da famosa escala de Kardashev:

1. Elas não colonizaram as estrelas
Geoffrey Landis, cientista da NASA e escritor de ficção científica postula que as viagens interestelares só são possíveis em curtas distâncias. Viagens longas exigem centenas de anos e assim seriam impraticáveis. Civilizações alienígenas teriam que se expandir de maneira gradual, colonizando sistemas solares próximos aos seus. No entanto, essa civilização pode não encontrar sistemas colonizáveis, que valham ao esforço ou que tenham recursos em abundância. Outros sistemas estelares podem ficar longe demais de outros postos. Com isso, a colonização para e a civilização fica estagnada.

2. Elas não precisam de tanta energia assim
Se você evolui e consegue tornar sua tecnologia cada vez mais eficiente, suas demandas de energia serão cada vez menores e não maiores, já que você não vai desperdiçar mais nada. Essas civilizações conseguiram se tornar ultraespecialistas e otimizaram a forma de obter energia, ao invés de consumir mais e mais e expandir descontroladamente para obter recursos fora do seu sistema solar.

A viagem interestelar para civilizações assim serviriam apenas para exploração e conhecimento, como a Frota Estelar faz com a missão da Enterprise, sem ocupar, colonizar ou consumir corpos estelares pela galáxia, o que não deixaria assinatura que pudéssemos detectar.

3. Elas foram atrás dos buracos negros
Uma estimativa sugere que existam 100 milhões de buracos negros apenas na nossa Via Láctea. Se assumirmos que uma civilização avançada se tornou cada vez mais eficiente na obtenção de energia, em algum momento ela também vai precisar de mais energia conforme evoluir. Buracos negros são, virtualmente, uma fonte inesgotável. Paul Davies, em seu livro The Eerie Silence, diz que um buraco negro poderia suprir nossas necessidades de energia atuais por um trilhão de trilhão de anos. Isso para o nosso nível atual. Com um trilhão de trilhão de anos, o pó das estrelas moribundas da galáxia já se dissipou faz tempo.

Então, para que uma civilização de nível 3 perderia tempo e recursos para colonizar a galáxia toda, criando estruturas para obter energia de suas estrelas, se ela poderia extrair energia de um buraco negro? Eles poderiam criar uma Esfera de Dyson ao redor de um buraco negro, extrair energia do horizonte de eventos ou a energia rotacional de buracos negros giratórios. Quem sabe até criar buracos negros artificiais mais perto de casa para otimizar o serviço?

Buracos negros também podem levar a outros universos, a outras dimensões. As civilizações avançadas poderiam até mesmo deixar nosso universo conhecido, sem deixar nenhum sinal detectável por nossos equipamentos. Comparando com nossa própria civilização, vemos que a tendência é miniaturização conforme a tecnologia se torna mais eficiente. Nossos chips, estão cada vez menores e mais potentes. Compare o ENIAC com o seu smartphone e pense o que uma civilização alienígena obtendo energia de um buraco negro poderia fazer? Elas poderiam concluir que evoluir em escala micro, nano e/ou subatômica é muito mais vantajoso do que construir mega estruturas.

Leia também: E se eles estiverem extintos?

Essa ultra especialização acarretaria também a um "silêncio" ensurdecedor pelo universo. Se você faz parte de uma civilização que tem uma imensa capacidade computacional através de um buraco negro que lhe garante energia virtualmente infinita e eficiente, sem desperdícios ou sinais detectáveis, capaz de compreender a estrutura do universo por suas estruturas atômicas mais básicas, capaz de transcender a forma biológica, teria interesse em se comunicar com seres humanos? Ou com qualquer outra espécie no mesmo estágio evolutivo que a nossa? Fala sério, né?

Acho que aqui cabe um pensamento de Carl Sagan:

Ausência de prova não é prova de ausência.

Não é porque não estamos estabelecendo primeiro contato com Vulcanos que isso define uma completa ausência de civilizações alienígenas lá fora. Eles podem estar em todo lugar, mas não na forma que nós os compreenderíamos ou reconheceríamos. Quanto à questão sobre Kardashev estar errado ou não, acredito que metade da escala funcione, mas a outra metade ainda está aberta à especulação. Só essa ideia já dá muito material para quem quiser escrever ficção científica.

Até mais!

Já que você chegou aqui...

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Tem um vídeo do Neil DeGrasse Tyson falando sobre isso e que eu dou muitas risadas, capitã. Ele fala que o macaco tem menos de 1% de diferença de DNA com os Homo Sapiens e que, talvez por isso, sejamos intelectualmente mais desenvolvidos. Imagine esse 1% em relação aos aliens, eles estando na parte superior da escala evolutiva...rsrsrs Nós não passaríamos de bichinhos de zoológico para eles! rsrsrs

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