O feminismo em Alien vs. Predador que ninguém reparou que estava lá

quinta-feira, junho 08, 2017

Alien vs Predador é tipo um guilty plesure para mim. Não é aquele baita filmão de ficção científica que se torna um clássico imediatamente, mas certamente prende e diverte pelo tempo de sua duração. Ele usa o batido e super utilizado recurso de "alienígenas no passado" para explicar a existência de uma pirâmide de mil anos de idade, embaixo de uma grossa camada de gelo na Antártica, entrelaçado em um roteiro ruim, mesmo tendo um elenco de peso.

Mas o mais legal do longa é que Paul Anderson manteve a tradição da franquia Alien em ter uma personagem feminina que fosse não apenas forte, mas que também tivesse seu arco narrativo sólido o bastante para aparecer em tela. Alexa Woods, negra, especialista em missões no gelo e de alto risco, não está ligada a nenhum personagem masculino romanticamente e é a única sobrevivente da violenta batalha entre aliens e predadores.




Humanos adoram enfiar o nariz onde não devem, né? Aliás, toda a franquia Alien se baseia na curiosidade mórbida das pessoas. Se elas não fossem tão enxeridas, talvez morressem menos. Em Alien vs Predador não é diferente. Mesmo com diversos avisos da parte de Alexa, o sr. Weyland decide enviar uma expedição até a pirâmide misteriosa que começou a dar sinais de vida no meio do nada. Mas eles descobrem que alguém já tinha perfurado um poço até a entrada da pirâmide.

Antes que você consiga dizer Alien vs Predador, os facehuggers já estão voando pela tela e a equipe está virando picadinho nas garras dos aliens. Os humanos estão presos no meio do conflito ancestral entre as duas espécies, em um ambiente confinado e que muda de configuração a todo momento, acostumadas a se matar por diversão e questões rituais. E ninguém estava preparado para o tipo de situação que encontrariam, então como sobreviver a esse caos sangrento e violento? Como sobreviver a não apenas uma, como duas espécies alienígenas?

É isso o que Alexa, interpretada pela atriz Sanaa Lathan, se pega pensando. Acostumada a situações extremas e de risco em regiões polares, Alexa sabe que sozinha não tem condições de lutar contra os dois seres para escapar da pirâmide, mas pode se aliar a um deles caso consiga chegar a um acordo. É quando então ela devolve as armas do Predador, sabendo que o inimigo de seu inimigo é seu amigo. O alien é uma criatura com a qual não se pode negociar, mas os Predadores, quem sabe?

Alexa peita o Predador, de que ela vai sim com ele para fora dali, que não será deixada para trás e como ele a viu enfrentando uma das criaturas, algo nele o faz respeitar a humana à sua frente. Assim, ele lhe dá uma arma, feita com a cauda do alien, e um escudo, feito com a cabeça e juntos, tentam deixar a pirâmide. Na grande cena de ação do final, ela acaba reconhecida pelo Predador por seu valor e coragem, e marca seu rosto com um sinal de honra e respeito usando o dedo ácido do alien. Em seguida, não apenas Alexa elimina a rainha Alien, uma criatura ainda mais perigosa que sua prole em uma cena parecida com a do final de Aliens, como recebe de presente a lança do Predador em reconhecimento por seus feitos.

Poucos humanos encontraram o Predador ou o Alien e sobreviveram. Menos ainda ganharam o respeito dos Predadores por seus feitos. E Alexa passa no Teste do Filme Feminista com Alien vs Predador, pois ela não morre nem é colocada embaixo da asa de um personagem masculino para ser salva por ele. Ela luta ao lado dele por um objetivo comum e ele morre não para salvá lá, mas por descuido dele mesmo. Lembre-se que para os Predadores, não passamos de uma diversão, uma caça. Sua morte foi causada pela rainha Alien em um momento de distração e não para salvar a vida de Alexa.

Cheguei a ver alguns caras comentando sobre um "romance" entre Alexa e o Predador. Eu queria uma colher para arrancar meus olhos tamanho comentário idiota. Se fosse um Alex Woods, os caras diriam que houve um envolvimento romântico entre eles ou uma genuína parceria entre dois guerreiros lutando pela sobrevivência? Ele provavelmente viu em Alexa uma chance a mais de sair da pirâmide vivo, já que seus companheiros estavam todos mortos. Não havia um relacionamento possível de ocorrer ali. Ainda assim, no Tumblr, você encontra ilustrações dos dois fazendo sexo.


O filme passa raspando no Bechdel com este diálogo, entre Alexa e Adele:

Alexa 'Lex' Woods: [Adele Rousseau carregando uma arma] Sete períodos no gelo e nunca vi uma arma salvar a vida de uma pessoa.
Adele Rousseau: Não pretendo usá-la.
Alexa 'Lex' Woods: Então por que levar?
Adele Rousseau: Mesmo princípio da camisinha. Prefiro ter uma e não usar, do que precisar e não ter uma.

A jornada de Alexa é uma jornada que não termina com sua morte, nem com um par romântico. Sua luta é por sua sobrevivência. Ela não é o alívio cômico, nem a parceira e namorada de alguém e foi convocada pelo sr. Weyland por sua experiência em locais de risco. Ela é reconhecida como uma igual por uma das raças alienígenas mais agressivas da ficção científica, uma guerreira por direito. Taí uma personagem que vemos com pouca frequência.

Até mais!

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Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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1 comentários

  1. Não é qualquer um que pode ser digno de lutar lado a lado com um predador, e essa é a parte que mais gostei do filme. E a considerei uma personagem realista em sua luta por sobrevivência. Gostei inclusive de demonstrar um pouco mais da cultura dos predadores nesse filme.
    Agora, só uma curiosidade sobre todas as lendas de cidades perdidas na Antártida, milenares e alienígenas que é comum na internet, e são usadas no filme. Percebi a influência de tudo isso, quando li um trecho de ''Nas Montanhas da Loucura'' e os ''Mithos de Chullu'' de HP Lovecraft. Aí vi que a raiz dessas lendas ufológicas provavelmente vem daí. Sobre alienígenas antigos com influâncias obscuras em culturas antigas!

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