Por que você deve ler Fahrenheit 451?

terça-feira, julho 22, 2014

Existem alguns livros na ficção científica que são tidos como leitura obrigatória para qualquer fã. E um destes livros que acho indispensável é Fahrenheit 451, livro de Ray Bradbury e que ganhou status de clássico absoluto. Ele nos oferece uma ótima oportunidade de refletir sobre a mídia, sobre literatura, sobre sociedade, sobre críticas. E listei abaixo alguns motivos para que você também o leia.



Sua crítica é válida ainda nos dias de hoje
Fahrenheit 451 foi publicado em 1953, mas o conceito original começou em 1947 no conto Bright Phoenix (que só seria publicado na revista Magazine of Fantasy and Science Fiction em 1963). O conto original foi reformulado na novela The Fireman, e publicada na edição de fevereiro de 1951 da revista Galaxy Science Fiction. A novela também teve seus capítulos publicados entre março e maio de 1954 em edições da revista Playboy. Bradbury compôs o livro pensando como uma crítica à sociedade norte-americana, no auge da Guerra Fria. Também pensou em uma maneira de ressaltar a importância dos livros e do conhecimento para a sociedade que parecia valorizar mais o entretenimento rápido. Neste mundo do futuro, os livros são proibidos e os bombeiros não estão lá para apagar incêndios, e sim para começá-los caso encontrem livros em algum lugar.


Queimar livros sempre pareceu um ato abominável. Quem nunca leu ou viu imagens de 1933, quando os nazistas queimaram livros em praça pública (Bücherverbrennung)? Tudo o que fosse contrário ao regime ia para a fogueira. Foram queimados cerca de 20.000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como "pouco alemães" (undeutsch). O ato de queimar livros e, por consequência, ideias sempre foi visto como uma maneira de fazer uma sociedade mais ignorante e facilmente manipulável. E isso é um tema atemporal e completamente atual.

O livro foi escrito em uma biblioteca
Bradbury escreveu F451 nos porões da biblioteca Powell, na Universidade da Califórnia, em uma máquina de escrever alugada. É uma ironia se pensarmos nisso, afinal o tema central dele é sobre queimar livros, ideias, conceitos. Imaginação, pensamento, opiniões, são vistos como atitudes egoístas e, portanto, mal vistas. A vida das pessoas se resume à televisão, aos programas de TV e à uma ilusão de felicidade que não procede, como se fosse possível ser feliz na ignorância.


Quando o personagem central do livro, Guy Montag, percebe isso é possível sentir toda a sua angústia com relação à vida em si. Ele passa a enxergar as pessoas de maneira diferente depois que começa a mexer no perigoso mundos dos livros. A mudança é perceptível e é possível notar que Guy não sabe o que fazer com isso. Ele tem medo de tudo o que desconhecia por conta de sua ignorância e passa a ver as pessoas como mais uma ovelha no rebanho, sem vontade própria, sem ideias e isso o desconcerta profundamente.

É pequeno
Quem tem medo de livro tijolão ou nunca leu ficção científica, mas procura por uma obra inicial, achou um ótimo livro. A escrita de Bradbury não é tão fria e direta quanto a de Asimov, ela é mais rebuscada, porém isso não interfere no ritmo de leitura. A narrativa flui rápido e intensa, enquanto acompanhamos os altos e baixos emocionais de Montag.


Mesmo tendo poucas páginas, o leitor fica com a sensação de ter lido algo imenso, pois é a ideia geral trabalhada nele que nos faz pensar e refletir sobre o tipo de sociedade que temos. Também era de se esperar que os personagens não fossem muito complexos por ser um livro curto, mas de novo, surpresa, os personagens são profundos, com múltiplas camadas, até mesmo aqueles tidos como fúteis.

É uma obra de Ray Bradbury
Ray diz sua intenção inicial era mostrar o amor que tinha por livros e por bibliotecas. Frequentemente, ele se referiu a Guy Montag como uma alusão a si mesmo e como ele seria infeliz em um mundo que queimasse livros e valorizasse mais à mídia e aos programas de televisão. Esse entretenimento pronto e enlatado era algo que Ray não gostava e ele teceu críticas também à internet, que por ter esse conteúdo pronto e disponível, seria tão inútil quanto à televisão.


Acredito que o principal problema tanto da televisão, quanto da internet, seja seu mau uso, seja o exagero. O controle excessivo da mídia e a apelação para vencer uma guerra de audiência certamente fazem valer as críticas de Bradbury.

É um futuro que não aconteceu
Aqui deixo uma reflexão para o leitor. Será que este futuro de Bradbury, em que livros são queimados (ou desvalorizados), onde opiniões são combatidas, onde a indústria do espetáculo comanda a mídia, onde a tragédia cotidiana vira entretenimento, onde o pensamento próprio é muitas vezes visto como errado, hedonista, será que ele de fato não aconteceu?


Pode não ter acontecido exatamente como Bradbury imaginou, mas certamente muitos elementos que o livro critica estão presentes, como o esvaziamento das bibliotecas, os excessos da televisão. O futuro nunca acontece exatamente da maneira que nós imaginamos, e ainda bem! Quem iria querer um futuro como aquele de O Exterminador do Futuro ou como Eu Sou a Lenda? Mas é aqui que entra a maravilhosa força da ficção científica: a de alertar e nos maravilhar.

Fahrenheit 451 (que é a temperatura da queima total do papel) é um item obrigatório em qualquer estante. Você pode ver o filme também. Por isso, compre e o mantenha sempre a mão para aquela lidinha rápida. Compre o ebook na Amazon!

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris