Fim da civilização: A população

quinta-feira, abril 24, 2014

A civilização, tal como conhecemos, seja ocidental, industrial ou whatever, vai acabar um dia. Todas, antes da nossa, cujos legados ainda estão entre nós, também ruíram em algum momento, por alguma razão. E é bem provável que o colapso tenha acontecido por um ou uma conjunção de fatores. Hoje o papo é sobre população e o excesso dela.





A população humana cresce, em média, 1,2% ao ano. Parece pouco, mas isso equivale a 81 milhões de novos habitantes nascendo todos os anos, que vão precisar de comida, abrigo, educação, água, energia, emprego, etc., etc.. Nossos números pularam de 1 bilhão em 1800, para 7 bilhões em 2012, com expectativa de 11 bilhões até o final deste século. No entanto, este crescimento não é distribuído igualmente entre as nações. Enquanto existem países com crescimento negativo, em outros, a população está transbordando. E o excesso de gente em uma determinada porção do espaço acaba com os recursos desta porção rapidamente.

Os países mais pobres são os que apresentam as maiores taxas de crescimento e isso abre uma série de preconceitos vomitados por darwinistas sociais, que alegam que estas populações devem ser aquelas com políticas mais restritivas de nascimento, como pregou Thomas Malthus. Mas em muitos destes países, como Índia, China, existe déficit de mulheres já que, por preferência pelo sexo masculino, muitas meninas nem nascem. Então, além de haver um crescimento populacional em países, ele é desigual no que se refere também a gênero em vários deles.

Crescimento populacional, em bilhões, desde 10 mil a.C..

Alguns já elaboraram políticas de controle de natalidade para impedir a super população. Vários países como Brasil e Filipinas distribuem pílulas e camisinhas e possuem centros de planejamento familiar em grandes hospitais. Porém, para muita gente, controlar os nascimentos deveria ser algo decidido no âmbito familiar e/ou pessoal, pois o governo não deveria ter que legislar ou controlar os corpos de seus cidadãos. Para países que seguem regras religiosas bem restritas, apenas a abstinência sexual deve ser usada como controle de natalidade, o resto é tudo pecado.

Assim diz nossa Constituição Federal de 1988, 7º do artigo 226:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 7º - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

No entanto, se analisarmos bem, o governo já controla nossos corpos, de uma maneira ou de outra. Você não pode legalmente cometer suicídio, nem injetar heroína nas veias, nem consumir maconha. Algumas pessoas foram consideradas inaptas para dar aulas no estado de SP por serem obesas. Recentemente uma mulher passou por uma cesariana, contra sua vontade, por decisão judicial. E se formos mais adiante, se as Forças Armadas precisarem, em tempos de guerra, ela pode pegar qualquer um de nós, pôr num uniforme e mandar para o front. Como fica a questão do controle de natalidade agora? Até que ponto devemos orientar e interferir? Tem gente que não concorda com nenhuma medida de controle.

A questão é que o excesso de população exaure os recursos naturais de um determinado local ou país. A pressão por recursos pode causar alterações regionais no meio ambiente, na drenagem de rios, no empobrecimento do solo devido à agricultura intensiva, liberação de CO2 e metano na atmosfera (dois gases de efeito estufa). Imagine se toda a população mundial consumisse pelos padrões estabelecidos por Estados Unidos e Comunidade Europeia? Imagine cada cidadão do mundo dirigindo um veículo? Não haveria petróleo suficiente para abastecer essa frota. E mesmo que tivesse, a emissão de poluentes agravaria qualidade do ar, regime de chuvas e uma série de outros indicadores ambientais. Nos Estados Unidos, o consumo de carne é 3 vezes maior que a média mundial. E teríamos que quintuplicar a produção de energia. Sem contar a produção de alimentos, que teria que duplicar, mas o planeta não tem terras aráveis suficientes. Seria uma catástrofe.


Para não acabarmos de vez com o planeta - e por consequência com a civilização - precisaríamos, acima de tudo, modificar os padrões de consumo. Mas na real, quem gostaria de reduzir seu consumo de gadgets, energia ou apertar os cintos para economizar água nos dias de hoje? Poucos, certo? Estima-se que já extrapolamos além da conta os recursos naturais do planeta, sendo que somente 1/4 da população mundial é responsável por este super consumo. Quantos estão pagando a conta para alguém comprar um tablet ou um smartphone? Nós vimos em Elysium o que a elite fez para manter seu nível de vida quando a Terra ficou superpopulosa: construíram uma Alphaville espacial e se mudaram para lá.

A melhoria nas tecnologias de produção de energia, de produção de alimentos, de industrialização poderiam fornecer os recursos necessários para manter a população mundial existente com um padrão de vida digno, no entanto o planeta leva um ano e meio para repor os recursos que consumimos em doze meses. Uma redução de consumo seria a melhor maneira de impedir um gargalo que vai sacrificar muita gente por falta das necessidades mais básicas e que pode derrubar uma civilização. O custo humano dos padrões de hoje é inaceitável. E parece que são poucos aqueles dispostos a mudar alguma coisa.

Até mais!


Leia mais:

LEI Nº 9.263, DE 12 DE JANEIRO DE 1996 - Planejamento Familiar no Brasil
Necessitamos de outra Terra para manter padrão consumo, diz WWF
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E se o mundo consumisse como os EUA?

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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