Resenha: Congo, de Michael Crichton

sábado, março 29, 2014

Vim com bastante sede ao pote quando peguei este livro para ler, já que adoro o filme baseado nele. O livro reconta uma expedição enviada aos confins da África, em uma área pouco explorada do continente, onde várias pessoas estão lá com propósitos diferentes. O terreno é difícil, a região é inóspita, uma guerra civil está nas proximidades, sem contar um vulcão, gorilas assassinos e canibais pelo caminho.





O livro
Meu primeiro aviso sobre o livro: não vá com a mesma sede ao pote como eu fui. Não vale à pena. Vamos lá. Uma importante jazida de diamantes azuis, extremamente importante para a eletrônica, está em jogo. A equipe mandada pela empresa ERTS foi dizimada de uma hora para outra quando estava prestes a fazer uma grande descoberta. Enquanto isso, a pressão para que a esperta gorila Amy, que entende mais de 600 palavras em linguagem de sinais, seja libertada do cativeiro e deixe de ser usada como experimento aumenta e na África, uma guerra civil está para começar em um dos terrenos mais inóspitos da Terra.


Este é um cenário que tinha tudo para dar certo. Exótico, quente, tenso, conflitos econômicos e humanos, contatos com tribos isoladas, a força da mãe natureza prestes a explodir sobre todo mundo. Como resistir neste cenário de caos? Como casar tecnologia, ciência e aventura, sem matar mais ninguém? É uma missão contra o tempo, sem dúvida, e interesses da indústria estão em jogo, milhões de dólares em diamantes que vão revolucionar o mercado de eletrônica. Este é um cenário de Guerra Fria, um momento da história onde tudo valia à pena para ganhar a dianteira tecnológica e científica.

Tudo seria delicioso de ler, mas não é. Não me entenda mal, o tema é interessante, mas Michael Crichton tem uma narrativa tão intensa quanto a de um padre na missa da manhã, o que deixa o livro chato, insosso, cheio de detalhes sobre eletrônica, tempestades solares, vulcanismo, comportamento animal, rotas de voo, armamento militar, e no fim o drama humano se perde. Quando eles chegam à cidade de Zinj, o lar dos tais diamantes, você está bocejando e torce para que o livro acabe logo (e não acaba). Poderia dizer que se trata de uma FC hard e você deve saber que este não é bem meu estilo. Acho que só detalhar os aspectos técnicos não faz uma ficção científica, faz um manual de trator.

Neste sentido, o filme Congo (1995), é muito melhor, mais intenso, engraçado e que conseguiu jogar melhor com os interesses dos personagens ao longo do enredo do que o próprio livro. Michael se perde nas excessivas explicações, que são longas e inúteis, e esquece do restante da trama. Eu tinha me preparado para ler outros livros dele, mas Congo me fez desistir.

Cena do filme Congo, de Frank Marshall. 


Ficção e realidade
O mais interessante do livro é a questão econômica. Em busca da dianteira tecnológica, uma empresa arrisca a vida de seus funcionários nos confins do planeta em busca de qualquer coisa que possa colocá-la na frente. A questão é que isso nem sempre dá certo. É possível ver as marcas da ganância pelo caminho até a cidade sagrada de Zinj, onde estão os tais diamantes azuis tão importantes. A própria ganância acabou com o lugar, enterrado sob a floresta tropical, evitado até mesmo pelas tribos locais.

Vemos também uma nova raça de gorilas, criada pelo homem em uma época em que comportamento animal nem era estudado, no meio da selva. Eles conseguiram criar um animal para ser o guarda das minas de diamantes, mas isso acabou sendo também seu fim. Este parece mais um animal saído das lendas como o Pé-Grande, e rende boas surpresas no decorrer do livro.


Pontos positivos
A gorila Amy
Aventura na África
Suspense

Pontos negativos
Livro chato
Excesso de detalhes
Final óbvio

Título: Congo
Autor: Michael Crichton
Editora: Rocco
Páginas: 378
Onde comprar: Grandes livrarias


Avaliação do MS?

Eu só recomendo esse livro para quem for fã incondicional de Michael Crichton, porque tirando isso, não vejo bons motivos para ler um manual de trator. Digo, Congo. Se eu contei duas exclamações no livro inteiro, acho que é um exagero. Ele até prende, porque você espera alguma coisa depois de tanto detalhe técnico, para no final... Dois aliens e é por sua conta e risco.


Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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