Resenha: Noturno, de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan

sábado, fevereiro 01, 2014

Adivinha só? Mais um livro resenhado que abre uma trilogia! Sim! Não sei porque diabos todo mundo hoje faz trilogias, tudo é apresentado na forma de trilogias (vou fazer uma também, só de pirraça) e este livro abre uma de terror, medo, escuridão e o fim do mundo conhecido. Ela foi escrita por Guillermo Del Toro e Chuck Hogan, sendo bem recebida pela crítica norte-americana. No Brasil, o povo curtiu também.





O livro
O vôo 753 chega a Nova York e logo após pousar, a torre perde comunicação com a aeronave. Ela está às escuras, ninguém se move, ninguém abre a porta ou pede ajuda. Muito estranho. Desta forma, o jeito é chamar as autoridades. Desde o 11 de Setembro que a vigilância sobre situações estranhas como essa precisa ser seguida à risca e por isso chamam o CDC (Centro de Controle de Doenças), que tem uma equipe de prontidão em Nova York e ela chega logo em seguida.


Quanto a porta é aberta, logo percebem que o avião inteiro está sem energia. E nos bancos dos passageiros, todos mortos. Sem sinais de violência, sem sinais de doença aparente, apenas cinco sobreviventes são retirados de lá, em condições delicadas, enquanto um estranho composto a base de sangue é encontrado pelas paredes, pelo chão, por toda a parte interna do avião. E na área de carga, um estranho caixão contém uma terra esquisita em seu interior. Mais esquisito ainda é que ele desaparece em pleno ar e ninguém sabe onde foi parar. Pronto, o Mestre está solto em Nova York.

Eph e Nora, do CDC, logo percebem que o enigma do avião é muito mais complicado do que parece. Na noite seguinte ao envio das vítimas para o necrotério, elas somem. Os sobreviventes, vendo que o CDC não pode mantê-los no hospital, resolvem sair, ficando apenas o co-piloto do voo 753. Eles foram avisados pelo sr. Setrakian que aqueles corpos deveriam ser destruídos, mas não deram ouvidos ao velho. Agora, aquelas pessoas estavam à solta, contaminando parentes, filhos, matando vizinhos, amigos e espalhando o terror pela cidade.

Estes vampiros não são comuns, como aqueles que vemos tão lindos, brilhantes, sedutores. Eles sofrem mudanças físicas que os tornam bizarros, com um ferrão que sai da boca e contamina as pessoas que começam a sofrer as modificações e se refugiam em lugares escuros, onde podem se manter entocados, como os esgotos. O sangue sofre uma mudança, de vermelho para branco e os pesquisadores do CDC tentam usar a ciência para descobrir o que está havendo.


Vamos aos problemas. Como existem muitos personagens neste livro, os capítulos são curtos para o leitor acompanhar. Só que são personagens demais. Achei desnecessário. Os detalhes científicos e mitológicos são bem legais, no entanto, temos os mesmos clichês de terror como luta nos esgotos, ratos, o submundo atrelado ao misticismo e por mais que o livro tenha empregado estes clichês de uma maneira até que bem bolada, o livro se arrasta em vários momentos. Quase larguei a leitura. E quando chega no final, claro, como é uma trilogia, nada se resolve.


Ficção e realidade
Acho que se algo desse porte acontecesse, o procedimento seria basicamente o que vimos no filme. Cientistas tentando encontrar explicações plausíveis para o que estão presenciando, sendo que apenas o mal puro é a explicação para isso. Também veríamos a civilização sendo dizimada aos poucos, já que a transformação é rápida, a sede de sangue é grande e as pessoas não mais reconhecem parentes ou amigos. O que tiver pela frente, vira refeição.

Já andei lendo que o próximo livro mostra o que acontece com a sociedade assim que o Mestre, um vampiro antigo e de poucos escrúpulos está à solta pela cidade.

Pontos positivos
Terror
Enredo e universo bem construídos
Vampiros
Pontos negativos
Clichês mal trabalhados
Não assusta
Personagens demais


Título: Noturno
Título original: The Strain
Autor: Guillermo Del Toro e Chuck Hogan
Editora: Rocco
Páginas: 464
Onde comprar: Amazon


Avaliação do MS?
Os fãs de terror e vampiros talvez se deliciem com este livro. Confesso que este não é o gênero que mais leio. Gostei da escrita e da ciência aplicada na mitologia, mas o livro peca por se arrastar demais ao ter tantos personagens e tantas mudanças súbitas de cenários e de pessoas. Com menos, eles poderiam ter feito um livro coeso e mais amarrado para chegar ao segundo livro. De todo jeito, três aliens para os vampiros com ferrões.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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