Resenha: O Enigma de Andrômeda, de Michael Crichton

sexta-feira, julho 12, 2013

Tenho tentado ler ficção científica e graças à democratização da internet tenho tido acesso a livros que hoje estão fora de catálogo e que dificilmente serão reeditados no formato físico (ebook, quem sabe?). Um dos primeiros livros do conhecido Michael Crichton, autor de vários sucessos tanto da literatura quanto do cinema, a obra tem clareza científica, envolvendo uma contaminação vinda do espaço.




O livro
Publicado pela primeira vez em 1969, na febre das missões espaciais, o livro fala do risco de contaminação indo ou vindo do espaço. O governo norte-americano fora avisado do risco por um grupo de cientistas, especialistas em suas devidas áreas, que temiam a vinda de patógenos alienígenas durante as missões. Eles sugeriram um rigoroso controle e assepsia ao preparar os equipamentos para não tornar microrganismos da Terra mais resistentes, tampouco trazer algum micro viajante do espaço.

O Enigma de Andrômeda

Um dia, um satélite em órbita cai perto de uma pequena cidade no Arizona. Os habitantes a resgatam antes da chegada dos militares e liberam acidentalmente uma bactéria mortal, que mata em minutos, dizimando com a pequena cidade. Só existem dois sobreviventes: um velho bêbado e um bebê de colo.

Os cientistas designados para o programa Wildfire precisam, então, correr contra o tempo para descobrir o que está matando as pessoas com tamanha rapidez para impedir uma contaminação em uma grande área metropolitana ou global. Trancados em uma grande instalação de pesquisa biomédica, com rígidos protocolos de segurança e assepsia, eles investigam os dois sobreviventes e tentam isolar a tal bactéria mortal que coagula o sangue das vítimas, tornando-o algo parecido a um pó.

O livro tornou-se filme em 1971 e depois uma minissérie em 2008. Crichton é conhecido pela criatividade e pelo rigor científico em muitas de suas obras e neste livro não foi diferente. Infelizmente, as longas explicações com todos os pormenores de uma série de procedimentos deixou o livro um tanto chatinho e admito que li por cima em alguns lugares. Faltou ritmo em várias partes, o que pode ser um entrave para quem curte um pouco mais de ação.

O Enigma de Andrômeda
Cena do filme homônimo de 1971.


Ficção e realidade
A preocupação com a contaminação vindo ou indo para o espaço é muito pertinente. Tess Gerritsen também trabalhou o assunto em seu livro Gravidade, quando um organismo terrestre se vê em um novo ambiente e se torna extremamente perigoso. Assim como missões espaciais que coletam material precisam de uma rigorosa assepsia para não contaminar o ambiente externo, precisa também de um isolamento e uma quarentena ao chegar à Terra. Não temos evidências concretas de vida fora do nosso planeta e não temos como mensurar como um organismo se comportará em um novo ambiente.

A vida já se mostrou por demais versátil, sobrevivendo em ambientes sem luz, sem oxigênio, quentes demais, frio demais, portanto nada impede que ao chegar em um lugar como Marte ou como a Lua ela se adapte rapidamente, tornando-se algo extremamente perigoso para nós. Além disso, se vamos mesmo colonizar o espaço temos que pensar que nossos corpos são também agentes contaminantes, com cerca de 100 trilhões de microrganismos. Onde quer que nos estabeleçamos no futuro, os lugares intocados serão mudados para sempre apenas com a nossa chegada.


Pontos positivos
Rigor científico
Escrita precisa
Um alerta para missões espaciais

Pontos negativos
Longas descrições
Falta de ritmo
Final mal trabalhado


Título: O Enigma de Andrômeda
Título original: The Andromeda Strain
Organização: Michael Crichton
N.º de páginas: 305
Editora: Rocco
Onde comprar?Fora de catálogo


Avaliação do MS?
Tudo o que lida com as questões de saúde é um pouco assustador, pois a segurança biológica é necessária e nem sempre seguida por empresas e pessoas. Algo vindo do espaço é ainda tão ou mais preocupante, pois produzir vacinas e soros leva tempo de pesquisa, o que pode ceifar vidas enquanto a cura é buscada. É só uma pena que o livro fique maçante em algumas partes, intercaladas por poucas cenas de ação ou mais intensas. Ele fica chato perto do final e termina abruptamente. Uma pena. Três monstrinhos para Crichton.



Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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