O futuro chegou com as impressoras 3D?

segunda-feira, maio 13, 2013

Nos últimos meses, o universo da tecnologia anda em rebuliço com o crescimento no uso e nas aplicações das impressoras 3D, capazes de imprimir uma variedade de produtos e formas. Mas não só crescem as aplicações como também algumas preocupações, como por exemplo, a impressão de armas no conforto do lar das pessoas. Afinal, o futuro chegou de vez?



Cheguei a comentar no Twitter uma vez que as impressoras 3D (impressoras de objetos tridimensionais) eram o nosso equivalente aos sintetizadores de Jornada nas Estrelas. Apesar de o funcionamento ser diferente, ambas fazem praticamente a mesma coisa: imprimem ou criam objetos diversos com alguns comandos do computador (vários, no caso das impressoras). Os modelos mais comuns utilizam fios de plástico aquecidos que, camada por camada, imprimem um objeto.

Fernando José de Almeida, executivo de vendas na empresa Robotec, uma das mais influentes companhias brasileiras do ramo, assim explica o que é uma impressora 3D:

É como um fatiador de frios. Uma impressora 3D, na verdade, imprime várias camadas 2D bastante finas e vai cortando-as para formar o objeto pretendido.

O primeiro passo é ter o arquivo modelado do objeto em softwares do tipo CAD que deve ser salvo no formato universal das impressoras, o STL. Pela internet é possível encontrar fóruns e comunidades que distribuem gratuitamente arquivos em STL para os mais diferentes fins, desde robôs à armas.

Abaixo é possível ver uma das aplicações mais bem sucedidas desta tecnologia, que é na paleontologia. Os modelos foram criados a partir de fotos, modelos de gesso e microtomografias pelo CAPPA (Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica), no Rio Grande do Sul. Isso preserva o fóssil original e amplia o uso de réplicas em sala de aula e laboratórios, podendo até mesmo ser estendidas às escolas de ensino fundamental e médio quando houver uma redução dos custos.

A, Teyumbaita (rincossauro); B, Prestosuchus (rauissúquio); C, Jachaleria (dicinodonte); D, Massetognathus (cinodonte); E, dinossauro indeterminado; F, Herrerasaurus (dinossauro); G, Exaeretodon (cinodonte); H, Trucidocynodon (cinodonte).

Assim como aconteceu com notebooks, smartphones e tablets, que tiveram redução de preço conforme os avanços chegam, com as impressoras 3D deve ocorrer o mesmo. O equipamento e os rolos de filamentos plásticos devem ficar mais baratos com o refino da tecnologia e com as aplicações. Imagine poder usar componentes orgânicos para criar partes do corpo para transplante? Ou então pele para o setor de queimados de um hospital?

Na exploração espacial, elas também reduziriam os custos com envio de materiais. Seria possível criar nas colônias as peças de reposição que demorariam meses para chegar vindas da Terra. Até mesmo comida poderia ser impressa, assim como vasos sanguíneos, remédios e até chips e placas-mãe para os computadores com apenas a troca dos filamentos e componentes. Se a própria impressora precisar de uma peça, fácil, só imprimir.

Você se lembra do caso da águia-de-cabeça-branca Beauty, que teve seu bico estraçalhado por um tiro de caçadores ilegais? Sem ele, a água era incapaz de caçar e de se limpar. Seu bico foi reconstruído com a ajuda de uma impressora 3D e a prótese foi implantada no que restou do bico original, devolvendo à ave suas antigas habilidades.

O antes e o depois da águia Beauty.

Mas nem tudo são flores. Assim como é possível criar um bico artificial para ajudar uma águia com problemas, imprimir e montar uma arma no conforto de sua casa também é possível e talvez seja uma das maiores polêmicas a respeito desta tecnologia, pois ela dá à pessoa o controle do seu próprio consumo, já que a previsão é transformar as impressoras em um aparelho doméstico, da mesma maneira que o computador tornou-se um e ainda por cima indispensável. Por enquanto, é uma tecnologia cara (entre 3 mil e 6,7 mil reais), mas no futuro o que impedirá grupos terroristas de armarem suas fileiras com armas produzidas em qualquer porão?

Volta-se à questão que foi abordada no livro Nexus. Mesmo sabendo que este tipo de tecnologia pode ajudar milhões, sabendo que tem gente a usará para o mal, sabendo que existe muita gente ruim no poder, seria viável torná-la popular, visando um bem maior? É uma reflexão necessária para qualquer tecnologia.

Deixe o seu comentário. O que acha das implicações, tanto benignas quanto malignas para as impressoras 3D?

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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