Disney e a guerra com os fãs

segunda-feira, novembro 19, 2012

DisneyA notícia sacudiu a ficção científica e a indústria do cinema. A Lucasfilm foi comprada pela gigante Disney pela bagatela de US$ 4,05 bi. Já foi o suficiente para a explosão de raiva dos fanáticos por Star Wars, pois mal a tinta do acordo secou e a Disney já anunciou um filme para a franquia em 2015. O medo é da mudança ou de perder o estado original da arte? Ou é só chatice de fã mesmo?



O que vemos hoje sobre Disney em geral está associado ao universo das princesas, um dos carros-chefe mais lucrativos do maior conglomerado de mídia e entretenimento do planeta, fundado em 16 de Outubro de 1923. E claro, as piadas começaram com montagens feitas unindo as franquias. As brincadeiras são saudáveis, eu mesma ri de várias delas, mas chegar ao ponto de execrar tanto Disney, quanto George Lucas é pirraça de fã, na minha opinião.

Personagens da Disney como heróis de Star Wars. 

Pouca gente sabe que Walt Disney era apaixonado pelo espaço e pela exploração espacial. Quando o parque temático estava para abrir em meados de 1955, Walt criou um programa de TV para fazer a propaganda do novo espaço de entretenimento. Ele passava uma vez por semana, com um filme ou desenho animado que falava de uma das áreas do parque. Na parte da Terra do Amanhã, a atração era uma simulação de uma viagem de foguete até a Lua e Walt produziu três documentários sobre a possibilidade de vida em outros planetas, sobre viagens espaciais e sobre a possibilidade de visitar alienígenas, com a cooperação de ninguém menos que Werner Von Braun, cientista e projetista do foguete Saturno 5, que levaria a Apollo 11 até a Lua em 1969.

Além de Walt Disney, cientistas participavam da atração, especulando sobre viagens espaciais, exploração de novos planetas e de como a ciência espacial evoluiria. Ele chegou a mostrar alienígenas do ponto de vista dos cientistas e também colaborou com grandes produções cinematográficas de ficção científica como Planeta Proibido da MGM Studios.

Batalha em Star Wars.

Após a morte de Walt Disney, vários de seus projetos de ficção científica foram suspensos. Ele era um entusiasta do fenômeno ufológico e chegou a tentar acessar os arquivos secretos da Força Aérea para um novo projeto sobre o assunto. Sem a presença dele, o estúdio acabou tomando novos rumos, mas este pequeno histórico mostra que Disney não está tão longe assim do universo de Star Wars.

O principal medo dos fãs da saga de George Lucas é que Star Wars fique infantil. As crianças já curtem Star Wars com ou sem o dedo da Disney. Quem alega que não quer a marca num tom mais comercial esquece de quanto o imaginário de Darth Vader está espalhado por aí em N produtos variados. A máscara de Vader é algo tão popular quando o rosto de Che Guevara.

Star Wars, The Force Unleashed, para Play 2. Ninguém reclama dos jogos?

Muitos que reclamaram da remasterização da trilogia original são os que estão reclamando agora. Uns poucos alegam que a melhor coisa que podia acontecer a Star Wars era a saída de George Lucas da equação. Ou seja, não há consenso sobre os rumos da saga mesmo entre os fãs. Mas ao invés de entender que no mundo do entretenimento nada é estático, eles preferem xingar, espernear, bater o pé, reclamando do quanto o mundo é injusto. Para mim, isso nada mais é que ditadura do consumidor. O criador da obra fica à mercê dos ditames do mercado e TEM, PRECISA, DEVE fazer o que o mercado quer. Dane-se se ele é o criador, dane-se se ele quiser fazer o que bem entende com o seu universo.

Uma das características da acumulação flexível é justamente a adaptação do produto ao consumidor variado e diverso que existe na sociedade, mas isso deve ser aplicar à arte em si? É uma questão complicada. Se o autor não faz o que os fãs querem, ele começa a receber ameaças, xingamentos, que ele deveria terminar logo sua saga ao invés de "perder tempo". O caso mais recente é de George RR Martin, criador de As Crônicas de Gelo e Fogo, capturado em mais uma ditadura do consumidor.

Todo mundo execrou Daniel Craig quando ele foi escolhido para ser o novo James Bond. "Porque ele é feio, porque ele é loiro, porque ele não tem cara de Bond". E calhou de ele ser eleito o melhor 007 da história, bem adequado ao mundo de hoje. Ainda assim tem gente torcendo o nariz para o loiro James Bond, achando que só os filmes em preto e branco são os melhores. Sério, é medo da mudança? É visão fechada para o novo? O que impede um universo, uma saga, um personagem, de evoluir, de usar uma nova roupagem? Se não gostar de Star Wars em 2015, o mundo certamente não vai acabar.

James Bond
O melhor James Bond da história da franquia.

Vamos esperar para ver, é o que eu mais quero dizer. Eu não sou fã de Star Wars, mesmo tendo assistido a todos os filmes da saga, reconheço a importância para a indústria do cinema e todo o universo criado. Não achei o fim do mundo A Ameaça Fantasma, A Guerra dos Clones, A Vingança dos Sith. Mas xingar por xingar, porque seu mundinho vai ser modificado, é demais. Então, pelo bem de Star Wars, da Disney e de tudo o que eles realizaram, vamos aguardar para ver no que vai dar. Às vezes são essas novas roupagens que atraem mais fãs.

E você, o que acha? É exagero dos fãs? É sacanagem mesmo de George Lucas? Deixe sua opinião.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





Leia esses também...

0 comentários

Viajantes

Curta no Facebook

❤️


"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris