O brasileiro lê pouco. Todo mundo repete isso, vemos na televisão, nas revistas. Vemos profissionais da educação reclamando disso, inclusive professores. Mas vemos um mercado editorial com uma incontinência de lançamentos que parece que nossa população é altamente letrada. Tem algo errado aí, não tem?
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Para a Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, três fatores fazem de um país um local ávido por livros:
Sabemos bem que leitura não é uma tradição nacional, que são poucas as famílias que possuem livros, estantes e bibliotecas em casa e que novos leitores são mal e porcamente formados, quando formados, pelas escolas. O brasileiro, com o desenvolvimento do país, não passou pelas bibliotecas e pelas escolas e já caiu na programação da TV. Temos assim uma legião de analfabetos funcionais e pilhas de livros nas livrarias.
O sistema de ensino no Brasil não privilegia a leitura e a formação de leitores críticos. Ao contrário. Obras clássicas de nossa literatura, que apesar de terem seu grande valor, são consideradas chatas pelos jovens, são empurradas à força nas salas de aula unicamente porque caem no vestibular. Se pegarmos as listas obrigatórias de leituras de várias provas de grandes universidades do país, elas não mudam muito. Eu sou uma leitora ávida e compulsiva, leio muito rápido várias páginas por dia... mas nunca li nenhuma obra de Machado de Assis. O que dizer dos jovens nas escolas?
Além disso, livro no Brasil é caro. Quem quer e pode sempre compra. Para o leitor ávido, o preço é um detalhe (desde que parcele em várias vezes no cartão). Mas para a população mais carente, sobram as bibliotecas das escolas e as bibliotecas públicas, que a maioria desconhece que existem. Biblioteca em escola virou duas coisas: local para professores readaptados (que não podem mais exercer sua função em sala de aula por motivos de saúde) ou castigo para alunos indisciplinados que ninguém aguenta em sala. Não são ambientes estimulantes, são depósitos. É assim que queremos formar leitores?
Quando o brasileiro é perguntando sobre qual a importância da leitura, as respostas em geral são sempre as mesmas:
Mas ninguém lê pelo simples prazer de ler. O povo reconhece a importância da leitura, mas prefere passar seu tempo em outras atividades. Leitura para mim é puro prazer. Deleite de poder me transportar para outros mundos, na pele de outras pessoas ou como observadora. Esse gosto me acompanha desde a escola, onde felizmente nós éramos fortemente estimulados a ler e escrever muito, toda semana. Se a escola transforma a leitura em uma coisa chata e obrigatória, nunca sairá um leitor daí. Sairá um consumidor de produtos imediatos, que mesmo tendo seus devidos valores, não suprem tudo o que a leitura oferece.
A internet parece estimular a leitura, afinal praticamente toda a nossa interação com a rede é feita por teclado e tela de leitura. Se você está lendo este post é porque foi necessária uma educação ao longo de décadas que o preparou para compreender e interpretar esta leitura e que me preparou para transportar meus pensamentos e opiniões para estas letras. Se você está lendo isso é porque quer... Ou está sendo obrigado? Você tem prazer nesta leitura? Muita gente não tem, e volta-se para o imediatismo.
É uma pena que com um mercado literário tão amplo, com tantos lançamentos para todos os gostos e públicos, a leitura é ainda vista como coisa chata, de desocupado, coisa de quem não tem mais o que fazer. Teríamos condições de criar novos leitores se nossa estrutura educacional não fosse tão deficiente. Mas sempre lembro desta frase:
Deixe sua opinião. Brasileiro lê pouco? Por que? E você, é um leitor? Até mais!
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Para a Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, três fatores fazem de um país um local ávido por livros:
- ler é uma tradição nacional;
- o hábito de ler vem de casa e;
- são formados novos leitores.
Sabemos bem que leitura não é uma tradição nacional, que são poucas as famílias que possuem livros, estantes e bibliotecas em casa e que novos leitores são mal e porcamente formados, quando formados, pelas escolas. O brasileiro, com o desenvolvimento do país, não passou pelas bibliotecas e pelas escolas e já caiu na programação da TV. Temos assim uma legião de analfabetos funcionais e pilhas de livros nas livrarias.
O sistema de ensino no Brasil não privilegia a leitura e a formação de leitores críticos. Ao contrário. Obras clássicas de nossa literatura, que apesar de terem seu grande valor, são consideradas chatas pelos jovens, são empurradas à força nas salas de aula unicamente porque caem no vestibular. Se pegarmos as listas obrigatórias de leituras de várias provas de grandes universidades do país, elas não mudam muito. Eu sou uma leitora ávida e compulsiva, leio muito rápido várias páginas por dia... mas nunca li nenhuma obra de Machado de Assis. O que dizer dos jovens nas escolas?
Além disso, livro no Brasil é caro. Quem quer e pode sempre compra. Para o leitor ávido, o preço é um detalhe (desde que parcele em várias vezes no cartão). Mas para a população mais carente, sobram as bibliotecas das escolas e as bibliotecas públicas, que a maioria desconhece que existem. Biblioteca em escola virou duas coisas: local para professores readaptados (que não podem mais exercer sua função em sala de aula por motivos de saúde) ou castigo para alunos indisciplinados que ninguém aguenta em sala. Não são ambientes estimulantes, são depósitos. É assim que queremos formar leitores?
Quando o brasileiro é perguntando sobre qual a importância da leitura, as respostas em geral são sempre as mesmas:
- fonte de conhecimento para a vida;
- fonte de conhecimento para atualização profissional;
- fonte de conhecimento para a escola.
Mas ninguém lê pelo simples prazer de ler. O povo reconhece a importância da leitura, mas prefere passar seu tempo em outras atividades. Leitura para mim é puro prazer. Deleite de poder me transportar para outros mundos, na pele de outras pessoas ou como observadora. Esse gosto me acompanha desde a escola, onde felizmente nós éramos fortemente estimulados a ler e escrever muito, toda semana. Se a escola transforma a leitura em uma coisa chata e obrigatória, nunca sairá um leitor daí. Sairá um consumidor de produtos imediatos, que mesmo tendo seus devidos valores, não suprem tudo o que a leitura oferece.
A internet parece estimular a leitura, afinal praticamente toda a nossa interação com a rede é feita por teclado e tela de leitura. Se você está lendo este post é porque foi necessária uma educação ao longo de décadas que o preparou para compreender e interpretar esta leitura e que me preparou para transportar meus pensamentos e opiniões para estas letras. Se você está lendo isso é porque quer... Ou está sendo obrigado? Você tem prazer nesta leitura? Muita gente não tem, e volta-se para o imediatismo.
É uma pena que com um mercado literário tão amplo, com tantos lançamentos para todos os gostos e públicos, a leitura é ainda vista como coisa chata, de desocupado, coisa de quem não tem mais o que fazer. Teríamos condições de criar novos leitores se nossa estrutura educacional não fosse tão deficiente. Mas sempre lembro desta frase:
A literatura é uma confissão de que a vida não basta.
Fernando Pessoa
Deixe sua opinião. Brasileiro lê pouco? Por que? E você, é um leitor? Até mais!
















