Turismo no sistema solar

segunda-feira, julho 16, 2012

Vamos supor que fosse possível pagar um pacote turístico, fazer as malas, avisar os amigos no Facebook e pegar uma nave para viajar pelo sistema solar, como se fosse um mochileiro, parando para ver todas as belezas existentes. Sempre penso nisso, o que eu veria primeiro, para onde iria? Teria que fazer várias viagens para ver tudo, mas tudo começa com uma primeira viagem.





Este é um texto irônico. Não estou levando em conta a distância, as temperaturas, o tempo, gravidade ou capacidade tecnológica. Também é uma listagem pessoal de locais do sistema solar. Não se sinta ofendido se ficou de fora algum ponto turístico que você visitaria. Deixe nos comentários para onde você iria ou qual seria o seu itinerário, ok?

Podemos supor que no futuro o turismo pelo sistema solar seja uma atividade corriqueira. Imagine estar em uma nave, e o animado guia lhe apresenta os locais mais legais do nosso cantinho galáctico. Pois bem, se eu fosse numa viagem dessas, o que eu gostaria de ver, supondo que já tivesse conseguido ver tudo o que exuberante beleza da Terra tem para mostrar?


Lua
Mesmo que possa parecer não haver nada de interessante, afinal já foram mandadas missões e homens para lá, a Lua seria o primeiro ponto de parada. Gostaria de poder admirar o horizonte lunar, sua esterilidade branca e poeirenta e aguardar a Terra surgir no céu escuro. É um bom exercício para lembrar de onde viemos.

Terra no horizonte lunar.
Terra no horizonte lunar.

Proporcionalmente ao tamanho do planeta, a Lua é o maior satélite natural do Sistema Solar. Mas se compararmos seu tamanho com o de outros, Ganimedes ganha no tamanho. Sua origem é incerta, mas acredita-se que ela tenha se formado de uma massa desprendida da proto-Terra, já que ambas possuem composição semelhante, devido à colisão de Theia, um planeta que foi destruído no impacto.


Monte Olimpo - Marte
Descoberto pela sonda da NASA Mariner 9 em 1971, ele é o maior vulcão do Sistema Solar, localizado no platô vulcânico de Tharsis em Marte. Mede entre 24 e 27 km de altitude e sua caldeira mede 85 km por 60 km. Mesmo extinto, ele é uma parada turística obrigatória para se admirar, tirar fotos e quem sabe escalar? Com o devido equipamento de proteção, por que não? Só não pode ter medo de altura.

Monte Olimpo - Marte
Monte Olimpo - Marte

O Monte Olimpo é o resultado de milhares de anos de lava essencialmente basáltica fluindo pelas fendas e orifícios da montanha. Sua grandiosidade se deve muito provavelmente ao fato de não haver tectônica de placas em Marte. Sendo assim, ele permaneceu sobre um hotspot, recebendo lava constantemente. Para se ter uma ideia, lembre do vulcão Mauna Kea, no Havaí, que funciona pelo mesmo princípio. A diferença é que com o movimento da placa do Pacífico, ele não cresce o tanto que o Monte Olimpo cresceu.


Cinturão de asteroides
Dar uma paradinha no cinturão para surfar entre seus asteroides ou quem sabe parar para observar a paisagem movimentada com milhares de pequenos corpos rochosos... Seria uma foto bacana para o Instagram.

Cinturão de asteroides
Cinturão de asteroides e Júpiter ao fundo.

Estima-se que o cinturão tenha surgido com o material restante da formação do Sistema Solar. Outra hipótese postula que um planeta teria sido destruído e seus restos ficaram na faixa onde hoje se encontram os asteroides. Seja qual for sua origem, existem pelo menos quatro pontos obrigatórios: Ceres, o planeta-anão, 4 Vesta, 2 Palas e 10 Higia.


Grande Mancha Vermelha - Júpiter
Eu pararia com a nave para ficar admirando a grande tempestade anti-ciclônica do maior planeta do nosso sistema. Quem sabe tirar uma foto com a mancha aparecendo pela escotilha da nave, no melhor estilo férias?

Grande mancha vermelha - Júpiter
Grande mancha vermelha - Júpiter

Localizada a 22° ao sul do equador de Júpiter, a tempestade é mais ou menos permanente, tendo períodos de maior atividade e de menor. Não se sabe bem porque a tempestade com 25 mil km de extensão dure tanto tempo, mas acredita-se que por ser gasoso e não ter superfície, ela não tenha atrito com nada que possa fazê-la se dissipar.


Anéis de Saturno
O grande e vaidoso planeta não podia ficar de fora de uma visita. Surfar em seus anéis ou simplesmente parar a nave para observá-los por um tempo já valeria à pena. Mesmo espalhando-se por milhares de quilômetros, sua espessura não passa de 1,5km. Compostos essencialmente por gelo e poeira, sua origem é incerta.

Saturno e seus anéis
Saturno e seus anéis observado pela sonda Cassini em 2004.

Ao contrário do que parece, existem vários anéis ao redor de Saturno, alguns finos demais para uma observação direta. Teriam sido observados pela primeira vez em 1610 por Galileu.


Titã - Saturno
Aquela densa atmosfera sempre me intrigou. Acho que gostaria de descer com a nave por suas densas nuvens e observar sua superfície, enxergar por toda essa névoa que nos impediu por tanto tempo de ver o que ela esconde.

Sonda Huygens em Titã
Sonda Huygens em Titã com Saturno ao fundo.

Titã é o segundo maior satélite natural do Sistema Solar, perdendo apenas para Ganimedes. Descoberta pelo astrônomo holandês Christiaan Huygens, acredita-se que ela tenha lagos de hidrocarbonetos em sua superfície. Mas imagens da Cassini e sua sonda a Huygens, não mostraram nada líquido. Mas ela pode ter pousado no meio de uma "estação seca" de Titã.


Tritão - Netuno
O maior satélite natural de Netuno seria minha próxima parada. Netuno é o meu planeta predileto no nosso sistema solar, não sei bem porque. Acho que por ser azul e tão misterioso, ele sempre me encantou...

Tritão e as rachaduras em sua superfície
Tritão e as rachaduras em sua superfície.

Tritão é provavelmente o corpo mais frio do nosso sistema, com -235°C. Possui grandes rachaduras por toda a sua superfície, sendo geologicamente ativo. Com tamanho, composição química e temperatura semelhantes à Plutão, Tritão tem uma superfície relativamente recente e a presença de vulcões gelados, expelindo plumas de material congelado a até 8km de altura. É provavelmente um dos poucos corpos geologicamente ativos do sistema solar.


Cometa Halley
Orbitando o sistema solar a cada 76 anos, é um dos objetos mais curiosos e que eu certamente acompanharia com a nave por algum tempo, para vê-lo em ação. Como ele só vai aparecer pela Terra lá por 2061, eu correria atrás dele. Um rally espacial...

Cometa Halley
Cometa Halley flagrado em sua passagem pela Terra em 1910.

Tendo aparecido pela última vez na Terra em 1986, a poluição luminosa e atmosférica não deixaram sua observação muito clara, sendo conhecido desde pelo menos 240 a.C.. Composto essencialmente de poeira, rochas e gelo, eles são corpos diminutos do sistema solar, tendo origem em geral do Cinturão de Kuiper.

Estes seriam meus pontos de parada. Você certamente tem seus pontos turísticos favoritos. Comente! Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris