O lixo é para nossa sociedade atual uma questão quase tão indispensável quanto alimentação e moradia. Os rejeitos que nós produzimos hoje atingiram níveis tão alarmantes que países como o Japão chegam a alugar território vizinho para despejar seu lixo. O que antes se limitava à carcaça de animais e restos de outros alimentos hoje em dia se transformou em um monstro muito maior que não podemos varrer para baixo do tapete, algo que, após a industrialização, se tornou preocupação cotidiana para muita gente. E se já está difícil lidar como lixo aqui embaixo como seria lidar com ele no espaço? Ou em planetas hostis?No twitter ~~> @LeandroLeite_
O nosso lixo fala tanto sobre nós que em 1987, na Universidade do Arizona, surgiu uma nova disciplina, a 'garbologia'. Essa recente área do conhecimento mostra como o nosso lixo não tende mais a ser simplesmente descartado, mas sim gerenciado, reutilizado e reduzido.
Aqui em nosso planeta nós temos algumas opções simples para tratar o nosso lixo. A mais antiga e comum é a utilização dos 'lixões' que armazenam uma grande quantidade de lixo doméstico, muitas vezes sem o devido controle ou tratamento. Uma versão moderna do lixão é o aterro sanitário, que além de armazenar uma grande quantidade de lixo também trata o chorume e os gases exalados pela decomposição do lixo orgânico. Outras medidas incluem incineração, que apesar de poluir a atmosfera nos deixa com mais terreno livre do que os lixões, além de ser uma maneira rápida e eficiente de se livrar dos rejeitos indesejáveis.
Mas e como seria a nossa relação com o lixo em um ambiente completamente diferente? o que faríamos se não dispuséssemos de terreno para manter aterros sanitários, ou se não pudéssemos queimar o lixo por vivermos em um planeta que não tem oxigênio em sua atmosfera?
Alguns sugerem que o lixo poderia ser lançado no núcleo do planeta através de fossas extremamente profundas ou vulcões para que fossem incinerados naturalmente. Essa saída traria muitos benefícios para uma ocupação de longo prazo em um planeta hostil que não permita nenhum método de tratamento. Além de nos livrar do lixo e evitar que áreas vitais de solo sejam ocupadas por rejeitos esse método seria uma espécie de reciclagem natural, pois esse material ao ser fundido no centro da terra seria decomposto em partículas primárias (como metais e carbono) e seria reintegrado ao solo do planeta de forma natural.
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| Uma cidade totalmente limpa? |
Essa seria a vantagem em relação ao lançamento dos rejeitos ao espaço. Utilizar cápsulas para lançar lixo compactado no espaço pode ser mais simples e barato do que cavar uma fossa quilométrica ou criar uma instalação de eliminação de lixo em cima de um vulcão. Mas o contra ponto seria que lançar rejeitos para os espaço pode fazer com que futuras matérias primas sejam escassas, pois como disse Lavoisier "Nada se perde e nada se cria", e sendo assim os recursos do planeta não se renovariam, apenas se tornariam rejeitos que seriam posteriormente lançados no espaço. Essa prática poderia, a longo prazo, esgotar as reservas acessíveis de matéria prima no local da colonização, e em caso de uma base planetária fixa construir uma fossa incineradora seja uma boa ideia.
Obviamente que em uma base espacial o problema seria diferente, não seria possível manter uma fossa incendiária e o único meio de queimar o lixo seria através de um reator de fusão. Utilizar um reator de fusão para incinerar o lixo seria tão útil como a fossa incendiária, e com a vantagem de se recuperar os elementos básicos contidos no lixo mais rapidamente. Mas caso utilizar uma fornalha estelar artificial uma fornalha estelar natural poderia dar conta do recado. Lançar cápsulas contendo o lixo na direção de uma estrela poderia ser uma maneira de desaparecer com o que não pode ser aproveitado de uma vez por todas, mas isso levaria ao mesmo problema citado anteriormente, com o tempo a matéria prima acessível poderia se tornar escassa.
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| Lixo no espaço já é uma realidade. |
Claro que estamos tratando apenas do lixo industrial que não poderia ser reutilizado, o lixo orgânico sempre terá sua utilidade em um sistema de reaproveitamento máximo. Seja como adubo ou ração de animais, os rejeitos orgânicos poderiam seguir o ciclo natural que existe na natureza, sendo transformado por outros organismos em produtos aproveitáveis.
E você? Como acha que vamos lidar com o lixo no espaço?














