A vida que evoluiria no universo

segunda-feira, julho 30, 2012

No último post nós misturamos um pouco de biologia com ficção científica e perguntamos: toda vida inteligente do universo seria fruto de uma constante evolução? Claro que para fins de discussão nós aceitamos que a teoria da evolução seria a ideal para explicar o por quê dos organismos se modificarem e se diferenciarem com o passar do tempo, levando ao surgimento da inteligência como uma ferramenta para se sobreviver nessa natureza cruel e competitiva.

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Mas ao afirmarmos isso várias outras perguntas vêm a tona, o que é perfeitamente normal e inclusive desejável. Estamos tratando especificamente da vida inteligente em outros planetas, e passado o estágio abordado no último post (seria ela fruto de evolução?) vamos ao próximo ponto: o que a evolução moldaria lá fora? Na Terra os únicos animais dotados de características como imaginação, criação e uso de ferramentas complexas e planejamento somos nós humanos. Essas características nos deram uma vantagem incomensurável em relação à outros animais, pois nós já não estamos mais confinados à um ambiente que seja ideal para nós. Não temos uma camada de gordura natural que seja digna de menção, ou grossa camada de pelos que nos aqueçam em locais muito frios, mas somos os únicos animais capazes de contornar essa 'fraqueza' ao simular as vantagens de outros animais (proteção térmica, no caso) usando ferramentas como peles, fogueiras, etc.

Vida primitiva como se supõe. 

Isso já é uma mostra que apesar de sermos os animais dominantes desse planeta, já que somos uma espécie numerosa e habitamos quase todos os cantos do globo, ainda somos uma espécie muito frágil. Cada um dos nossos sentidos é menos desenvolvido se comparado à outros animais. Corujas enxergam melhor, cães ouvem e cheiram melhor, leopardos correm mais rápido, bovinos são mais fortes. Isso mostra que cada animal teve sua especialização, mas nós humanos não somos particularmente dotados de nenhum dom natural além da nossa inteligência. E é ela que faz com que criemos óculos de visão noturna, amplificadores sonoros e microfones, analisadores químicos que identificam substâncias e gruas que erguem pesos que nem cem homens conseguiriam sozinhos.

Isso nos mostra que uma espécie capaz de contornar todas as armadilhas da competição selvagem tem não só que ser especialista em um aspecto, mas em vários. E isso, acredito eu, só é naturalmente possível quando essa espécie desenvolve uma gama complexa de ferramentas. E por mais que outros animais também usem ferramentas, como algumas aves que usam pedriscos para quebrar cascas de ovos de outras aves, só nós humanos conseguimos levar isso à um nível completamente novo.

A ferramenta avançada do futuro.

Viajar pelo espaço também iria requerer outra ferramenta, uma nave espacial (e milhares de ferramentas anteriores para se chegar à essa). E daí chegamos à um ponto interessante: Como desenvolvemos ferramentas? Claro que podem existir divergências nesses aspectos, afinal estamos falando de um período de milhões de anos atrás cujo registros são bem escassos. Muitas vezes temos de nos contentar com hipóteses e teorias fundamentadas em provas indiretas que nos dão boa base para dedução, mas não apresentam uma prova cabal. Mas lembrando que isso é apenas um ensaio, e não tem intenção alguma de ser um artigo científico acurado e incontestável.

Voltando à pergunta. Acredita-se que um dos principais motivos que nos levaram à criar e usar ferramentas foi o fato de nos tornarmos bípedes. Isso teria levado à uma série de mudanças neurais que possibilitaram ao antepassado humano um melhor equilíbrio em duas pernas e deixou suas mãos livres para usar pedaços de osso e pedras como extensão de suas capacidades naturais. A conquista do fogo também foi fundamental, e a partir daí não paramos mais.

Lembram de alguém? 
Dessa forma podemos dizer que uma vida inteligente seria fruto do uso de ferramentas e o uso de ferramentas só viria com membros livres para a fabricação/uso das tais. Logo imaginar alienígenas inteligentes, mas quadrúpedes, ou que não tenham polegares opositores é difícil. Mesmo que quadrúpede tal organismo deveria apresentar membros capazes de agarrar e manusear, ou mesmo apêndices similares como pinças.

É possível especular sobre formas de vida que não tenham um corpo físico e são puramente energia mental, mas isso perde um pouco a âncora da ciência natural conhecida, assim sendo, dentro do que conhecemos parece improvável. Podemos apenas especular sobre alienígenas que sejam constituídos de algum tipo de matéria orgânica, e como explicado no post vida baseada em silício, é muito provável que seja uma forma de vida baseada em carbono.

Mais uma vez percebemos como a vida inteligente em outros planetas tende a ser muito rara, e cada vez mais nosso planeta parece ser o único a ter todas as variáveis de uma das equações mais complexas do universo: a vida. Mas não desanimaremos, ainda há muito a ser comentado sobre a vida no universo.

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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris