Viagens interestelares: as naves embrionárias

quarta-feira, junho 27, 2012

Embrião com 8 células
Continuando a série de postagens sobre a conquista do espaço profundo, hoje vamos ver uma das mais ousadas propostas para levar a raça humana à estrela mais próxima. Se uma viagem para fora do nosso sistema solar já é algo ousado, enviar embriões numa missão interestelar é sem dúvida um desafio grandioso.




Conquistar o espaço é preciso? 

A proposta visa resolver uma série de problemas sobre o envio de uma nave para fora do sistema solar. A animação suspensa de seres humanos não é efetiva, então o envio de embriões resolveria essa parte. Uma nave muito grande, como uma nave-mundo não é necessária, pois não há necessidade de manter um ambiente interno da nave para uma tripulação congelada e embrionária.

A tecnologia atual consegue congelar embriões para fertilizações com bastante eficiência. Doadores poderiam suprir a carga genética necessária para compor os embriões que seriam levados ao espaço. Até as características mais marcantes poderiam ser escolhidas pré-selecionando os doadores. Uma nave equipada com robôs e material de construção para a futura colônia partiria com estes embriões e chegaria alguns séculos mais tarde no destino, um planeta fora do nosso sistema solar, na estrela mais próxima.

O primeiro problema seria o planeta. Ele teria que ser muito semelhante à Terra ou já ter sido terraformado antes. O que já constitui uma barreira para qualquer expedição, devido à distância. Mas assumindo que o planeta seja como a Terra, robôs e equipamentos robóticos à bordo da nave começariam construindo a colônia com materiais trazidos da Terra e quem sabe usando os recursos do próprio planeta.

Chegando ao destino.

Em seguida haveria a questão de como fazer os embriões congelados por tantos séculos se desenvolverem. Úteros artificiais precisariam ser criados para este tipo de missão, algo muito avançado para o nosso nível tecnológico atual e possivelmente não totalmente seguro, pois o útero é uma estrutura complexa, demandaria nutrientes, energia, hormônios e não sabemos como um organismo em desenvolvimento reagiria a um ambiente sintético. O controle de uma nave e de uma missão tão ambiciosa seria muito difícil já por conta da distância e da falta de materiais de reposição e pessoas para a manutenção. Robôs podem ser úteis, mas teriam que ser avançados demais para uma missão deste tipo, sem contar a necessidade de cuidar de crianças.

E o que dizer das crianças crescendo sob a tutela de seres artificiais como robôs e videoconferências para sua educação e informação em um ambiente alienígena? Como uma missão dessas poderia afetar a cabeça de um ser humano em desenvolvimento, isolado, sem o contato com humanos adultos, que é o padrão de educação que temos hoje? O planeta é seguro o suficiente para seu desenvolvimento? Seria ainda humano tendo nascido fora da Terra? Ou algo mais nos define além do planeta de nascimento?

Humano ainda? 

Chegando à idade adulta, qual seria o comprometimento destes indivíduos criados fora da Terra com a missão de colonização? E as gerações seguintes? Viriam em naves embrionárias da mesma forma? Ou seriam filhos destes colonos astronautas? São questões tão primordiais e tão sensíveis de algo inerente e tão básico à raça humana, que é a reprodução, que não vejo uma missão bem sucedida nesse caso. Emoções são inflamáveis, irracionais, fazem parte de nós e isso pode ser indesejado numa colonização tão arriscada.

E até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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James W. Harris