O brasileiro e a corrupção

segunda-feira, abril 23, 2012

dinheiro corrupto
Não é de hoje que o brasileiro liga a televisão e se depara com escândalos de corrupção nas esferas de poder, sejam elas quais forem. De desvio de dinheiro de merenda escolar até fraude na previdência, esse país acompanha já há muito tempo todo esse lamaçal político e reclama a plenos pulmões que esse país é uma desgraça, que não tem conserto, que é tudo um bando de ladrão. Mas esse papo já deu, né?



Por conta da coluna, não é sempre que posso pegar ônibus. Então um dia estávamos minha mãe e eu voltando de táxi para casa depois do médico e o papo com o taxista acabou caindo na corrupção. O papo começou da mesma maneira que ouço e já ouvi. Que nesse país os políticos trabalham apenas para eles mesmos, que isso é uma vergonha, que onde já se viu tanta roubalheira e as pessoas passando fome. Até então eu não estava participando, era apenas ouvinte, mas não pude resistir e comentei:

Só que o brasileiro não colabora. Se ele para em local proibido e recebe uma multa, a primeira coisa que ele vai fazer é tentar pagar uma cervejinha para o guarda. Não tem nada de novo aqui. É a maneira concebida na sociedade de se safar de um problema ao invés de assumir a responsabilidade de um ato ilícito.

O taxista tentou argumentar que não era bem assim. As multas eram sempre injustas por conta da industria das multas instaladas nos departamentos de trânsito do país todo. Mas... espera um instante. Se a placa indica Não Estacione, por que você para ali? Se a lei diz que não pode, você vai parar? E ele refutou, dizendo que às vezes, na pressa, não dava para ler a placa... (tenho medo de um taxista que anda pela cidade sem ler as placas de trânsito).


Acho que ficou claro pelo exemplo real que quando o objetivo da corrupção é fornecido pelo indivíduo, ele não vê nada errado. Mas na elite política sim, está tudo errado. Não estou abrandando o crime de corrupção. O filósofo Renato Janine Ribeiro afirma que a corrupção é um dos inimigos da República. Vivemos uma república apenas no nome, mas no real mesmo, ela não existe, já que o dinheiro trava na burocracia excessiva e nas pessoas de má índole e não chega ao destino necessário.

O elo de confiança que deveria manter a república é quebrado cada vez que um cidadão ou político comete um ato de corrupção, um ato ilegal com as coisas públicas. Vemos o político corrupto apenas como um mero ladrão que enche os bolsos de dinheiro público, mas cada vez que um remédio não chega a um posto de saúde, ou cada vez que um guarda toma uma cervejinha para atenuar uma multa, ele está matando alguém, em algum lugar. É a pessoa que não tem acesso ao remédio e o pedestre correndo riscos diários. E o quanto isso prejudica a nação? É impossível dizer, é impossível mensurar o nível de atraso de um país que vê o circo que é hoje e não toma uma atitude efetiva.


Trocando em miúdos, a corrupção não é apenas roubar dinheiro público, fazer tráfico de influências, colocar parentes para trabalhar no gabinete. Corrupção é também pagar a cervejinha do guarda, é tentar comprar o professor com bajulação para conseguir nota melhor, é dar uma de esperto e estacionar na vaga de idoso sem ser um. Tudo isso, infelizmente, está enraizado numa sociedade que não valoriza o respeito pelo outro e que vê educação como algo dispensável, enaltecendo certos segmentos que em nada favorecem o crescimento pessoal de alguém. Não vejo mudanças significativas nesse sentido.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





Leia esses também...

0 comentários

Viajantes

Curta no Facebook

❤️


"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris