O apagão intelectual, técnico e científico

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

apagão
Peguei emprestado a frase do senador Cristovam Buarque de seu livro A Revolução Republicana na Educação. Ainda estou lendo o livro, porém a postagem foi motivada por uma notícia de semanas atrás que vi primeiramente pelo Twitter e depois pelo site do jornal Folha de São Paulo, que dizia que o Centro Educacional Anhanguera demitiu 680 professores (mestres e doutores) no estado. Os docentes serão substituídos por graduados e especialistas, cuja hora-aula é menor junto com sua titulação.





Essa é só a ponta do iceberg, ou devo dizer a borda do abismo educacional que o Brasil insiste em ignorar. Mesmo que mudanças pontuais estejam ocorrendo, como escolas de tempo integral em São Paulo, ainda existem escolas de taipa, sem lousa, sem carteiras, com crianças de várias idades em uma única sala precária e professores mal preparados, mal pagos e desestimulados. Vivemos uma situação caótica que parece ser continuamente deixada de lado. Afinal, projetos educacionais têm resultados muito longos ao invés de um estádio de futebol, bem visível no horizonte.


Aí veio outra notícia na semana passada que me surpreendeu. A National Geographic reportou que a Universidade de São Paulo (USP) é a universidade que mais forma doutores no mundo, de acordo com o Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo (ARWU, na sigla em inglês). E como não podia deixar de ser, a @likeazombie, no Twitter, fez um comentário muito pertinente:



Se um profissional com mestrado e/ou doutorado não tem espaço numa universidade, porque sua hora-aula é mais cara do que um simples graduado, por que manter um número elevado de mestres e doutores? Para que perder tempo, noites de sono e dinheiro e depois ficar sem emprego? Pode não parecer, mas as perdas para o país em avanço tecnológico e científico são enormes. Os países ricos fizeram uma revolução educacional e conseguiram se tornar potências apenas quando investiram em educar seu povo. E nós? O que fazemos todos os dias? Simples: pegamos um monte de dinheiro e colocamos na pira.

O país não valoriza educação, não investe nela e desponta como uma poderosa nação no mundo. Mas ainda não se compara com a Índia, que tem seu próprio tablet a 60 dólares e nem com a China, que montou sua própria estação espacial. Então estamos diante de um apagão que não é súbito, ao contrário, ele é lento, devagar e as pessoas não notam. É como colocar uma rã numa panela com água fervente: ela vai pular na hora. Mas se você a colocar na água fria e deixar esquentando, ela morre e você tem sopa de rã.

Como próprio livro do senador diz, um país só avança quando transforma o lucro resultante de seu crescimento econômico em capital-conhecimento, aquele que gerará recursos por investir em ciência e tecnologia. Não teremos ciência e tecnologia sem mão-de-obra qualificada e não teremos essa mão-de-obra com gente fora das universidade por não saber escrever uma simples redação ou escrever apropriadamente, pois não foi devidamente alfabetizado. E aí para tentar sanar esse déficit as exigências nas universidades são diminuídas ao invés de melhorarem o ensino básico. Para onde você acha que isso vai nos levar? Também não consigo responder.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris