O relevo oceânico brasileiro

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Ao olharmos para os oceanos não conseguimos identificar que embaixo de toda aquela camada de água existe um relevo bastante diversificado e extremamente importante. Antes que sondagens fossem feitas pensava-se que haveria apenas areia, lodo e um terreno aplainado sem fim e sem vida (Teoria Azóica). Mas não se engane. Abaixo da linha da água existe um lugar muito rico e vasto, tanto quanto o continente.

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A exploração oceanográfica começou há cerca de 150 anos com o HMS Beagle, em sua viagem de cinco anos, onde participava o jovem geólogo Charles Darwin. A expedição modesta para fazer levantamentos da costa argentina e chilena, obter dados cronométricos e sondar o fundo marinho foi essencial para despertar os estudos sobre esta região tão inexplorada. Foi com o Beagle que começou a se perceber a variabilidade do relevo dos oceanos.

Então, como ele se divide? Vou pegar o caso do relevo na costa brasileira para que a gente consiga se situar. Considere o relevo oceânico começando a partir da linha d'água na praia.


Margem Continental
É a zona de transição entre o continente e as bacias oceânicas. Apesar de fazer parte do continente, ela está abaixo do nível do mar. No caso do Brasil, esta margem é chamada de margem tipo Atlântico, pois são mais extensas, estáveis tectonicamente e com grande acúmulo de sedimentos vindos do continente. As margens do tipo Pacífico são mais estreitas, instáveis e com ação de terremotos e vulcanismo.

Plataforma Continental
É a parte dos continentes que está embaixo d'água, indo da linha da água até a quebra da plataforma vários quilômetros mar a dentro. No caso do Brasil elas chegam a 200km em média de largura, sendo mais espessas no sul e sudeste do país (o que explica as praias paulistas, onde você anda, anda e anda mar a dentro e a água não passa do joelho). Boa parte da plataforma brasileira esteve fora da linha da água na última glaciação.

Talude
O fim abrupto da plataforma é marcado pelo talude, onde as profundidades aumentam e o terreno se torna bastante íngreme. Há um grande acúmulo de sedimentos nesta região.

Sopé continental
Exemplo de relevo submarino
na costa do ES e BA
(clique para ampliar)
O sopé é por muitas vezes difícil ou quase impossível de se identificar, ficando localizado na região da elevação, a divisão entre o talude e as bacias oceânicas, onde a crosta continental se encontra com a crosta oceânica. O sopé possui uma grande carga de sedimentos vinda do continente e pode por isso ter cânions, leques submarinos ou canais de sedimentos.

Bacia oceânica
Assim que a margem continental termina até o sopé da dorsal oceânica estão as bacias oceânicas, que na imagem são identificadas como planície abissal. Na verdade a planície é mais uma formação dentro da bacia oceânica. Planície porque são em geral bastante planas devido ao depósito de sedimentos, porém isso não descarta a existência de grandes elevações e montes submarinos que requerem grande atenção na navegação.

Dorsal Oceânica (ou Cordilheira Mesoceânica)
A mais impressionante formação oceânica é a dorsal ou cordilheira mesoceânica. Ela se estende por todos os oceanos num total superior de 70 mil km, com profundidade média de 2500m, ocupando 33% da superfície oceânica. Se fosse possível tirar toda a água do Atlântico e olhar seu relevo, seria parecido com a imagem abaixo. A única parte visível da dorsal é a Islândia.

É possível ver montes submarinos, falhas, fossas e parte da plataforma continental
da África e da América do Sul.

De seu interior surge o magma, responsável pela renovação do assoalho oceânico que afasta América do Sul da África cerca de 2-3 centímetros ao ano. Quando mais longe da dorsal, mais antigo é o terreno.

Espero que esta postagem consiga mostrar o quão variado é o universo sob toda a água dos oceanos. Existem mais formações, mas o objetivo de hoje era mostrar como se dividem as províncias e principais estruturas. Em breve, uma postagem sobre os seres marinhos. Ficou alguma dúvida? Não hesite em perguntar.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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