Após quinze dias de hospital...

segunda-feira, dezembro 19, 2011

As pessoas mais próximas a mim sabiam que eu vinha passando por problemas sérios na coluna. Programei postagens, deixei os comentários na mão de um colaborador e fui para o hospital. Mas nem sempre as coisas são como a gente quer. E foi então que eu voltei para o hospital um dia depois da alta. Hoje resolvi contar para vocês o que realmente aconteceu e com isso deixar um alerta: não seja negligente com o seu corpo.





Apesar de minha biografia deixar claro que sou professora e geógrafa, poucos sabem que sou professora da rede estadual de ensino de São Paulo. Venho me tratando no Hospital do Servidor Público Estadual com uma excelente equipe especial de coluna. Não me pergunte quando meus problemas começaram, pois eu empurrei a situação com a barriga o quanto podia durante um bom tempo. É, fui negligente, tomava analgésico e voltava para a aula, andava com dor intensa na região lombar, com rigidez até que em algum momento de 2010 a coisa ficou crônica.

Eu lembro que era uma quarta-feira de outubro de 2010 e eu saí da escola às 18:20, no final do período da tarde. Cheguei em casa com dores fortes nas duas pernas e pedi para minha mãe me levar ao médico no dia seguinte. Estou de licença desde este dia. O que os exames mostraram? Uma hérnia de disco na região lombar entre as vértebras L5 e S1, pressionando os nervos das pernas, o que causava toda aquela dor. A partir daí consegui cair na clinica especial de coluna com o competente médico e cirurgião de coluna vertebral Dr. Frederico A. Leite.

Uma cirurgia de menor porte em agosto de 2011, remédios e fisioterapia não deram resultado. Eu vivi um ano inteiro com dor crônica e o blog foi meu escape para tentar esquecer as dores intensas que me faziam blogar e twittar da cama. Todas as postagens deste blog foram escritas na cama, pois eu não tinha condições de sequer sentar em uma cadeira, subir escadas ou até mesmo de pegar um ônibus.

Foi no final de novembro que o Dr. Frederico me avisou da cirurgia que colocaria duas hastes de titânio e quatro parafusos na região da hérnia para aliviar a pressão dos nervos. Assim deixei postagens prontas aqui no Saga e fui. Se tudo tivesse saído como o planejado, em quatro dias eu estaria em casa...

A cirurgia teve uma complicação inesperada. Como a hérnia de disco estava pressionando uma região chamada saco dural, este mesmo saco se rompeu no meio da cirurgia - que deveria durar duas horas e durou quase seis. Líquor começou a vazar da região e eu lembro de acordar na UTI. Voltar da anestesia geral é muito estranho. Lembro de querer falar e não conseguir. Lembro de bater as mãos nas grades da cama e ouvir uma enfermeira pedir cobertores, pois eu estava com frio. Lembro de abrir os olhos e ver luzes do dia e depois de acordar com o Dr. Frederico olhando para mim, me explicando o que aconteceu. Lembro de ser a mais nova paciente da UTI naquela noite e de sentir muita sede.

Devido à essa complicação, minha estadia no hospital aumentou mais três dias. Repouso necessário para que a cola orgânica reparasse o saco dural. Fui embora no domingo, mas na terça, as coisas pioraram. Uma dor de cabeça difícil de explicar me acometeu e a fístula no saco dural reabriu, vazando líquor enquanto eu estava sozinha em casa. Eu caí no chão, tudo ficou meio nebuloso, mas tive forças para ligar para a minha querida amiga e mãe postiça Lídia que cuidava de mim na ausência da minha mãe, que viajava a trabalho. Foi quem me socorreu e me levou de volta ao Hospital do Servidor às duas da manhã da quarta-feira.

médicoFui reinternada logo em seguida e colocada de repouso, em isolamento e com um curativo compressivo pra lá de apertado na tentativa de fechar a fístula desse tal saco dural e parar com o vazamento de líquor. Nunca tomei tanto antibiótico e soro na vida. Tinha que ficar deitada de bruços e evitar andar ou fazer qualquer tipo de esforço. Mas pelo menos me divertia com a equipe de enfermagem. Tinha três grandes médicos o tempo todo trocando curativos e vendo a situação dos pontos - Dr. Frederico, Dr. Diogo (segundo cirurgião) e Dr. Marcus (ortopedia e traumatologia).


O que eu aprendi com tudo isso?

Ninguém gosta de ficar vulnerável ou de dar trabalho aos outros. Ninguém gosta de hospital. Ninguém gosta de se sentir inútil. Aprendi que não sou invulnerável, também fraquejo. Não sou insubstituível. Trabalhei com dor por muito tempo e quem do meu trabalho se preocupou em saber minha condição? Aprendi a dizer eu te amo para quem merece, pois amanhã pode ser tarde demais. Aprendi que não devo mais negligenciar certas coisas. Minha experiência serviu para outros pacientes verem que há luz no fim do túnel para uma dor incontrolável, que nenhum remédio passa e que poucas pessoas compreendem. Aprendi que ignorar certas coisas não as faz desaparecer.

Por isso, a postagem serve de alerta e também de agradecimento. Agradeço ao pessoal do Twitter que deu uma força com mensagens e tweets. Ao Fábio do Zumbi Hunter e ao Luciano do Nerdweek que me animavam com torpedos e me ligando no hospital. Ao pessoal que deixou comentários no blog, à Lídia e Selma, que não são de sangue, mas são mães postiças e que cuidaram muito de mim, aos vizinhos que socorreram quando necessário, ao Fábio por ter cuidado dos gatos e do meu cachorrinho, à toda equipe de enfermagem do hospital, que me providenciou todo o cuidado necessário e à equipe da clínica especial de coluna, em especial aos médicos e cirurgiões Dr. Frederico e Dr. Diogo, e ao Dr. Marcus que logo que seu plantão começava às seis da manhã, me acordava para ver o curativo e trocar se necessário. São muitos nomes para lembrar, mas sempre disse o quanto me orgulhava dos leitores do blog. Obrigada por tudo. E um obrigada especial à minha mãe, por tudo, por ela existir, por me amar.

Por isso, não seja negligente consigo mesmo. Não trabalhe com dor, não atrase algo que hoje pode ser simples de resolver. Não espere as coisas piorarem como a Sybylla fez. Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris