O céu sobre todos nós

quarta-feira, novembro 16, 2011

Atlas Farnese
Os céus das grandes cidades não nos permitem ver a quantidade de estrelas que os povos antigos conseguiam. Isso tem a ver com a luminosidade das aglomerações urbanas e com a poluição. Eles podiam ver desenhos no céu, como se ligassem os pontos que as estrelas fazem, criando grandes estruturas, animais, deuses. O padrão de constelações que temos hoje vem especialmente do legado grego e de seus contatos com outras civilizações antigas.




O nosso céu tem atualmente 88 constelações internacionalmente reconhecidas, baseadas nas 48 constelações compiladas por Ptolomeu no século II, em sua obra Almagesto. Mas as origens desta compilação são bem mais antigas. É possível remontar aos antigos caçadores paleolíticos, que deixaram desenhos em cavernas na França, relacionando estrelas com animais e deuses. Na antiga Mesopotâmia, os sacerdotes astrônomos criaram uma acurada lista de tábuas de argila contendo observações do céu, posições de estrelas, passagens de cometas e quedas de meteoritos. Em alguns casos, suas medições tinham erro de apenas 1 grau e eles mediram a duração do ano de Vênus em 587 dias, um erro de 3 dias apenas.


O rei Assírio Assurbanipal (século VII a.C.) foi um dos maiores responsáveis pela disseminação deste conhecimento pelo Oriente Próximo, pois sua grande biblioteca em Nínive guardou extensas anotações sobre os astros e parte desta coleção chegou até os gregos, o que gerou grande parte das constelações que temos hoje. Algumas constelações chegam a ser antigas o suficiente para coincidirem com as migrações pelo Estreito de Bering, retratando tradições xamanísticas, sendo a constelação da Ursa Maior sua principal representante.

Rei Assurbanipal 

A ideia de agrupar as estrelas em um determinado padrão, já que nomear uma por uma era um imenso trabalho, também era praticada entre os povos aborígenes e entre os povos indígenas das Américas. Os índios tupi-guarani possuem uma rica tradição oral sobre as imagens representadas no céu, como a constelação da Ema abaixo.


Mas vale lembrar que apesar do que parece para nós, lá no céu as estrelas não estão próximas umas das outras, nem necessariamente são do mesmo tipo. As constelações são apenas uma convenção para facilitar a catalogação, assim como são os mapas. No entanto, não tira a beleza de desenhar no céu seres magníficos nem o esforço da observação dos antigos astrônomos.

E você, o que acha das constelações? Elas deveriam sofrer alterações?

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris