O domínio global chinês

quarta-feira, setembro 21, 2011

Em um primeiro momento o título causa estranheza. Você pode pensar que estou falando dos produtos piratas que enchem barraquinhas e lojas pelo país com produtos copiados e/ou de menor qualidade. Não que este não seja um problema e até produto para uma nova postagem, mas não estou falando sobre pirataria e sim sobre as terras raras.





As terras raras são 17 elementos químicos muito semelhantes. A diferença é o número de elétrons em uma das camadas da eletrosfera atômica. Estão todos agrupados em uma família da tabela periódica pois ocorrem juntos na natureza e porque quimicamente são parecidos.

Eles possuem nomes complicados: cério, lantânio, neodímio, promécio, samário, praseodímio, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio e lutécio. Mesmo com esse nome, terras raras, eles são mais abundantes que o ouro, por exemplo. Abrange praticamente toda a família dos lantanídeos.


Mas o que tem de especial neles?, você pergunta. Se você tem um celular, um notebook, um tablet, ou qualquer outro tipo de eletrônico moderno, saiba que a maioria dos sensíveis componentes dele são de compostos de terra rara. Isso acontece pois estes elementos são excelentes condutores, não enferrujam e são essenciais para a indústria eletrônica por sua alta resistência. IPods, TVs de tela plana, carros elétricos, mísseis, óculos de visão noturna, turbinas eólicas, imãs supercondutores, produção de gasolina, painéis solares, fibra ótica são só alguns exemplos que demonstram a importância estratégica e energética destes compostos.

E por que a China? Como fornecedora de 95% da demanda de terras raras no mundo, a importância geopolítica deste país cresceu muito nos últimos anos, em especial pelo risco do desabastecimento. Até poucos anos atrás, o mercado consumidor chinês não tinha acesso aos eletroeletrônicos citados acima, mas foi só a economia crescer e os atos consumistas se instalarem que a demanda pelos elementos também cresceu. Dessa forma, ela deixou de abastecer o mercado consumidor externo para atender às exigências dentro de casa.

Elementos em risco de desabastecimento
por país (Clique para ampliar)

O Brasil tinha tudo para ser um grande fornecedor de terras raras como o nióbio, essencial para a indústria. Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que o país tem hoje cerca de 3,5 bilhões de toneladas de terras raras não mineradas em um mercado que lucra cerca de 5 bilhões de dólares ao ano. Só para se ter uma ideia, o óxido de neodímio, retirado de terras raras, que em janeiro de 2009 custava US$ 15 o quilograma, em janeiro de 2011 atingiu o valor de US$ 150 o quilo. É um mercado não explorado no país que não possui empresas de alta tecnologia em território nacional (o que não geraria demanda interna), mas que poderia abastecer o mercado internacional.

Se os países possuem um único fornecedor, o que acontece se a produção do mesmo cair ou se ele começar a impôr embargos na exportação? Seria um processo em cadeia pelas indústrias de alta tecnologia pelo mundo, levando à inflação e quem sabe até desemprego. Ou seja, o Brasil poderia ter seu próprio abastecimento interno e ainda forneceria para o exterior, mas aqui a extração é incipiente e apenas na nova gestão é que um projeto do Serviço Geológico Nacional começou a mapear os veios e minas de terras raras. É aguardar para ver o agitado mercado e ficar de olho nas minas chinesas e seu produto tão cobiçado.

Até mais!

Fonte:
Inovação Tecnológica - Brasil tem uma das maiores reservas de terras raras do planeta
Inovação Tecnológica - Metais mais raros da Terra entram para "lista de risco"

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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