Vida rara

segunda-feira, maio 09, 2011

Por que estamos aqui? É uma pergunta bem difícil de responder, que muitos tentaram e ninguém ainda se convenceu do verdadeiro motivo da nossa existência. Fé à parte, a ciência tem explicações, mas tem mais perguntas do que respostas para tantos eventos distintos que levaram ao momento crucial onde a vida surgiu.





O paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould escreveu uma vez:

Somos forçados a pagar um preço quase intolerável para cada grande ganho em conhecimento e poder - o custo psicológico do destronamento progressivo do centro das coisas e uma marginalidade crescente em um Universo que não se importa conosco. A física e a astronomia relegaram nosso mundo a um canto do cosmos, e a biologia rebaixou nosso status de simulacro de Deus a um macaco ereto e sem pelos.

Nossa existência não passa de um grande golpe de sorte. Os elementos que nos compõem foram liberados de estrelas moribundas ou mortas, juntando-se num planeta qualquer e que por algum acaso tornaram-se os tijolos de construção dos elementos básicos das vida. Evolução e extinção andam de mãos dadas, onde não há sortudos, há sobreviventes. Se estamos aqui hoje é porque a extinção podou a imensa árvore de possibilidades de vida várias e várias vezes na história do planeta e o fato de sermos os únicos de nossa linhagem deve ser um alerta: não somos o ápice da evolução, somos seus sobreviventes.


Por alguma razão, a vida teve início na Terra cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, com alguns indícios de restos de carbono de origem biológica há 3,8 bi. O planeta Terra tem cerca de 4,6 bilhões de anos, então houve um hiato de mais ou menos 1 bilhão de anos sem sinais de vida ou sem sinais deixados por ela. Os cientistas sabem disso pelo registro fóssil e pela idade das rochas, que são os nossos cronômetros geológicos.

Os blocos que compõem a vida começaram a se juntar no ambiente aquático, numa chamada sopa primordial, próprio para a solução dos elementos e para as reações químicas acontecerem. Tinha que ser no meio aquático, pois não havia ainda a densa atmosfera que nos protege do ataque ultravioleta do Sol, letal para a vida. Não era nada sofisticado, pois o meio que esses seres vivos primitivos tinham de se reproduzir era dividindo seu núcleo, copiando o material genético e gerando assim um novo ser.

O que deu origem à toda essa diversidade de formas de vida no planeta foi o sexo. Numa definição científica mais precisa para despoluir mentes, a reprodução sexuada é a responsável pela mistura genética que garantiu diversidade e sobrevivência dos mais aptos no jogo da evolução, por meio da combinação de blocos diferentes e pela mutação. Note bem que em A Origem das Espécies, Darwin não diz como a vida começou, mas ele diz que a evolução seleciona os mais aptos, aqueles geneticamente preparado para enfrentar o ambiente onde estará inserido. E isso se dá pela competição entre espécies diferentes, o que reforça a tese de que toda a vida no planeta surgiu de um organismo simples. Prova disso o Projeto Genoma já deu: o Homo sapiens sapiens (o homem que sabe que sabe) tem uma semelhança genética de 80% com o Mus musculus (o camundongo).

Não fosse uma catástrofe de proporções planetárias, você não estaria agora lendo este post, nem eu o teria escrito. O ápice da criação há 65 milhões de anos eram os dinossauros e caso eles não tivessem sido extintos por um asteroide, os mamíferos não teriam se desenvolvido ao ponto em que estamos hoje. Mas não somente os dinossauros foram extintos no fim do Cretáceo, cerca de 60% da vida foi para o beleléu nesta época. E estima-se que a cada 100 milhões de anos, o planeta sofra um golpe como este.

Um planeta tão velho como o nosso teria mais tempo de vida, ainda mais com a ação do ser humano? Difícil dizer. Em apenas 10 mil anos, conseguimos mudar o clima em regiões inteiras, causamos extinções e criamos novas espécies. A invenção que garantiu a criação das civilizações - a agricultura - alterou a fisionomia dos vegetais selvagens mais do que qualquer outro fenômeno no planeta. E nem sempre a biologia está ao nosso favor. Não temos bem a noção do que pode acontecer a longo prazo.


E agora você deve estar pensando: que texto mais pessimista! A ideia não é essa, acredite. Mesmo que nosso futuro não pareça promissor devido à nossa própria fragilidade, isso deve servir de incentivo para superar o desafio. Richard Dawkins, em seus momentos de inteligência, assim disse:

Precisamos confrontar o que a existência significa: o fato de que ela é temporária, o que a torna ainda mais preciosa.

Se o nosso futuro na Terra estiver ameaçado, precisaremos construir um novo. Mesmo que estejamos numa parte desimportante da galáxia, acometidos por delírios de grandeza injustificáveis, precisamos ser melhor do que somos hoje. E talvez a única saída seja a superação tecnológica para uma possível migração em massa para o espaço.

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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