Morte da Ficção Científica

segunda-feira, abril 18, 2011

O título é dramático, concordo. Mas se formos pensar em ficção científica brasileira, o que temos? Até lá fora, em terras que consagraram o gênero, a pergunta já é feita há algum tempo. Muitos dizem que a era das séries de televisão sepultou a SciFi, que filmes exageraram nos efeitos especiais e detonaram o estilo, que ficou marginalizado, sendo mantido por fanzines, excêntricos e edições mimeografadas. Convenhamos, as séries de televisão são a melhor maneira de se disseminar ciência aliado ao entretenimento, acredito que elas despertam sim o interesse pelo assunto, mas tirando aqueles que possuem TV a cabo e de fato a assistem, quantas das séries abaixo você já acompanhou ou assistiu ao menos um episódio?

Jornada nas Estrelas (Classic, Nova Geração, Deep Space 9, Voyager, Enterprise)
Battlestar Galactica
Stargate (SG-1, Atlantis e Universe)
V - A Batalha Final
Babylon 5
Caprica
Crusade
Arquivo-X
The 4400
Andromeda
Perdidos no Espaço
Ultraman
Smallville
Dark Angel
Fringe
Kyle XY
Lost
Millenium
Além da imaginação
Túnel do Tempo
Os Invasores
Heroes
Flashgordon

Agora me diga quantas estão no ar ainda hoje? Acho que deu para perceber o tremendo abismo que a SciFi enfrenta na atualidade. Procurando espaço nos canais a cabo, são poucas que ainda estão no ar. A explicação é até simples: falta de verba, como fizeram com Stargate Atlantis, de longe, uma das melhores, cujo custo operacional fez a MGM fechar as portas do estúdio para ela (até porque a MGM está falida). Quanto a crise econômica aperta, séries deste tipo são as primeiras nas listas de corte. Os efeitos especiais consomem verba e os cenários também.




Então, vamos fazer as perguntas que Earl Kemp em sua obra Who Killed the Science Fiction? se fez e outros também o ajudaram a responder, mas com foco no Brasil. A obra é um clássico lançado ainda nos anos 60 e depois revista e relançada nos anos 80, com a contribuição de gente como Ray Bradbury e Isaac Asimov e se tornou uma referência no gênero.


5) Quais observações adicionais, pertinentes ao estudo, gostaria de contribuir?
Acredito que investir em novos leitores ao invés de conquistar os mais velhos seja a forma mais efetiva de se tirar o gênero do limbo e da marginalidade. Eu não vejo a molecada lendo este tipo de obras, que poderia despertar interesses em assuntos tão diversos e possíveis de ser explorados do que um livro de vampiros por exemplo (deixando claro que gosto muito deste gênero), ainda mais num país com ausência de cérebros que façam algo de positivo pela sociedade.


4) E se olharmos para os rascunhos originais como ponto de salvação?
Os grandes clássicos foram o ponto de partida de grandes gênios da televisão e do cinema que lançaram filmes e séries de SciFi de sucesso. A volta aos clássicos é como voltar à literatura brasileira com base em Machado de Assis, José de Alencar, Eça de Queirós, com obras que ainda hoje são referência e são lidas e relidas. Um retorno a Júlio Verne, HG Wells, Isaac Asimov, entre tantos outros, é uma forma de buscar novas formas de trabalhar o gênero que não se prende a amarras, ao contrário, é o que mais permite uma viagem do leitor por lugares que fogem do comum.


3) O que podemos fazer para corrigir isso?
Gerar novos leitores do gênero, começando por escolas, bibliotecas públicas, divulgar livros e autores. No Brasil, só a editora Aleph entre as grandes, vem lançando os grandes clássicos de SciFi. Por que não fazer feiras de livros em escolas como acontecem nas universidades, apresentando aos jovens alternativas a Crepúsculo (que apesar de ter sido mal escrita, a meu ver, é positivo por atrair o público adolescente para a leitura). Dar mais espaço nas livrarias, pois um regime rígido de escolha de títulos restringe muitos autores.


2) Você acha que uma única pessoa, ação, incidente, etc, é responsável pela atual situação? Se não, qual é o responsável?
Esse é complicada. Atribuir a um único culpado a decadência do gênero é pregar a tampa do caixão. Não há um culpado, existem fatores que levaram a isso. Um deles é a falta de interesse no Brasil pela ciência. Não há incentivo para ser cientista, não há um ensino eficiente disso nas escolas e os poucos livros que abordam o gênero estão fora das listas de envio do governo para as escolas. Bibliotecas e livrarias mal exploram o assunto, com exceção louvável da Livraria Cultura que tem uma seção bem abrangente. Falta espaço, falta interesse em ciência, falta valorizar a mesma, falta divulgação.


1) Você acha que as revistas de ficção científica estão mortas?
Se você for a uma banca de jornal, vai encontrar algum título, algo semelhante? Eu só fui ter contato com esse tipo de mídia já adolescente, pois até então minhas aventuras de ficção científica se limitavam ao astronauta dos gibis da Turma da Mônica, que acho que presta um serviço às crianças de maneira excepcional. Quem assistiu De volta para o futuro 1 deve lembrar que o pai do Marty, George McFly era fã deste tipo de revistas e escrevia histórias de ficção científica. Neste caso, não há muito interesse das editoras e isso se resume a fanzines e a edições bastante restritas. Pelo menos no Brasil, isso é meio que um zumbi.

Apesar de tudo, vejo ações de editoras menores, sites e blogs de maneira bem positiva. Há espaço para todos na internet e assim muitos trakers, geeks e nerds podem encontrar interesses em comum. É esperar agora que estes interesses se tornem ações.

morte da ficção científica
Capa original Who killed the Science Fiction?

Até mais!

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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"A ficção científica é um substituto para todos os lugares que eu nunca vou alcançar nessa vida."

James W. Harris