O Egito precisa de Ramsés II

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Detalhe do templo de Abu Simbel.
Mesmo falando de futuro neste blog, é difícil ficar indiferente aos acontecimentos presentes que tanto dependem do passado. Um ditado já diz, "o passado é como um mosquito preso no âmbar: você pode vê-lo, mas não pode tocá-lo."

O Egito surpreendeu o mundo recentemente pela revoltar popular que tomou as principais ruas das grandes cidades - Cairo, Alexandria, Assuã - contra o presidente (ditador?) Hosni Mubarak. A grande questão é que assim como o povo se cansa da excessiva ordem, ele também se cansa da excessiva anarquia e dos regimes totalitários. A Rússia é um bom exemplo disso, visto que saiu de uma monarquia excessiva para um regime comunista ainda mais excessivo.

Agora... por que eu mencionei Ramsés II? Também conhecido como Ramsés, o Grande, ele foi um dos mais bem sucedidos reis de sua época, tendo governado o Egito após décadas de agitação política, pois ele é posterior a Tutancâmon e a seu pai, o faraó herege Akhenaton, que mergulhou o país numa crise religiosa e política. Dizem que é esse o faraó que aparece na Bíblia, o chamado faraó do êxodo, apesar não existirem provas. 

Ramsés foi um diplomata sem igual, comparado talvez com Alexandre, o Grande. O primeiro tratado de paz da história é dele, com os hititas, povo beligerante, na região do atual Líbano e parte da Turquia. Ramsés conseguiu unir o país despedaçado por décadas de decadência e conseguiu manter sua hegemonia na região, já que ele se encontra numa região geograficamente importante. É um elo entra África, Oriente Médio, Ásia e Europa e querendo ou não, é um dos maiores países na área. 

Se fosse ele no lugar de Mubarak, um presidente que está há trinta anos no poder, mais do que qualquer democracia toleraria, talvez essa situação de revoltas civis não estivesse acontecendo. E se tem uma coisa da qual o povo árabe se orgulha é de seu passado histórico, pois os vizinhos ao Museu do Cairo, onde a maior parte do tesouro nacional se encontra, deram as mãos e o abraçaram literalmente, para impedir a entrada de vândalos que existe em qualquer lugar. E além do passado histórico, o povo árabe valoriza a honra. É uma característica do povo árabe, pois ele pode ser pobre, mas a honra ele não abandona, coisa que o presidente Mubarak insultou já que o país tem índices altos de desemprego e miséria. 

Ramsés tem a desvantagem ao seu lado de vir de uma família de comandantes militares. Seu antepassado Horemheb foi o general da época de Akhenaton, Tutancâmon e Ay e portanto tal característica era muito forte nele. Força essa que pode ser unificadora ou destruidora e que vai  definir o futuro do país.

PS: quem quiser conhecer mais sobre o grande Ramsés II, leia a pentalogia de Ramsés, de Christian Jacq. 

Sybylla

Fã do futuro e da ficção científica. Geógrafa, professora, blogueira, escritora de FC. Capitã da Frota Estelar. Esperando para voltar para o meu planeta. Leia mais.





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